Uma santista que ajuda outras mulheres na busca pelo sucesso

Priscilia Queiroz é CEO da Rede Mulheres Que Decidem

A Rede Mulheres Que Decidem (RMqD) é a primeira escola brasileira de educação corporativa para a mulher empreendedora, com modelo psicopedagógico construído a partir de três pilares: Educação Disruptiva, Giveback e Lifelong Learning. É dirigida pela empresária santista Priscilia Queiroz e nasceu, em 2013, a partir do movimento voluntário de 12 mulheres que se propuseram a criar rodas de conversa para identificar e solucionar dores femininas de gestoras, à frente de pequenos e médios negócios. Atualmente, conta com mais de 50 células de negócios guiadas por lideranças locais, localizadas em 30 municípios de três estados e o envolvimento direto de mais de 9 mil mulheres. A RMqD também lidera uma comunidade fechada no Facebook com mais 40 mil empreendedoras, conectadas. Aos 45 anos, Priscilia fala com paixão da tarefa de trabalhar com mulheres, dos desafios de transformar o próprio negócio - antes totalmente presencial em um modelo on-line por causa da pandemia. Em breve, será lançada uma plataforma – em fase de testes – com cursos gratuitos, pagos e diversos tipos de mentoria. “O conteúdo poderá ser acessado de qualquer lugar para que a mulher nunca deixe de se capacitar”. No papo a seguir, ela defende a força e a importância do olhar feminino para as decisões globais de nossa sociedade. 

 

Como você conheceu a Rede?  

Sempre fui da área da Comunicação e trabalhei por sete anos na TV Tribuna. Aí vim para Jundiaí e montei uma empresa de mídia indoor, criei um canal no YouTube onde eu contava a história de pessoas comuns, gostava disso. Como sempre fui da área comercial, ouvia muita coisa interessante. Eu também ia muito em eventos e conheci a Tabatha Moraes, a fundadora da Rede Mulheres Que Decidem. Nesse momento, eu também era embaixadora de um grupo de networking e continuava na minha toada. Mas sempre compartilhando conteúdo na comunidade da Rede no Facebook. Em 2018, em plena greve dos caminhoneiros, a Tabatha me ligou e queria que eu fosse para São Paulo e eu disse que não tinha como, pois não havia combustível, e acabamos conversando pela internet. Foi aí que ela disse que não poderia mais seguir e que um dos nomes que havia surgido nas orações dela era o meu. E assim começamos o trabalho.  

E o que você fez com a sua empresa?  

Na época, a Rede era um movimento, não rentabilizava. Comecei a fazer uma imersão nesse projeto, entender quais eram as oportunidades. Percebi que não conseguiria seguir com as duas coisas ao mesmo tempo, vendi minha empresa, e durante dois anos, me preparei para tornar o que era o movimento em um negócio, em uma escola de educação corporativa para mulher. Percebi que as mulheres empreendedoras tinham ainda muita dificuldade em relação ao seu desenvolvimento, como marketing, vendas, qualidade de vida, missão, propósito... Notei que a maioria trabalhava por necessidade e não por convicção.  

Quem vocês buscam?  

Mulheres empresárias que tenham como missão querer ajudar outras mulheres a se desenvolver. A gente defende a bandeira do lifelong learning (aprendizado continuado) que, nada mais é, do nunca parar de treinar, de capacitar, de educar, atitudes vitais para a permanência do negócio. Lançamos o atual modelo em maio e já tivemos 15 franqueadas no Brasil, inclusive em Santos.  

O que é oferecido para as licenciadas?  

O que a gente defende muito é que a mulher precisa estar atualizada e atualizável, assim como seu negócio. Ela também deve buscar uma melhoria contínua. Utilizamos metodologias aplicadas pelas nossas líderes ou educadoras corporativas. O nosso modelo é híbrido e serve tanto presencial quanto on-line. E essa foi a grande virada de chave. A rede era totalmente presencial e, durante a pandemia, tivemos que mudar tudo rapidamente, em uma semana.  

Qual é o perfil da mulher que adotou o método da Rede?  

A maioria é coach. E sabemos que muitas profissionais desta área acabam não tendo sucesso. E o nosso objetivo é entregar para ela uma possibilidade de estar em uma rede que vai transformá-la em uma autoridade local, porque precisamos que ela seja uma presença forte dentro de sua cidade, e que ela represente um produto que ela possa aplicar outras ferramentas da sua vida. Ela tem a nossa metodologia e depois pode mentorar as próprias alunas com os seus projetodentro do que defende. Por exemplo, uma consultoria de lifestyle, carreira, finanças. Atualmente temos uma gama que trabalha a sua área de força dentro dos produtos de ensino.  

De que maneira?  

A gente busca mulheres que tenham uma vida do ponto de vista econômico, mais tranquilo, que já tenham o seu negócio e, de repente, descobriram que o seu propósito é a transformar a vida de outras mulheres empreendedoras. O principal ponto é que precisa gostar de gente. Também deve estar disposta a aprender, reaprender, aprender de novo. Também cobramos uma mensalidade, que é uma licença de uso. Esta mulher passará por um treinamento e receberá todo o suporte. Temos imersões, cursos, enfim, toda a estrutura para esse constante aprendizado. A partir disso, entregamos o projeto pronto, todas as peças de marketing, toda a comunicação, para ela construir a sala de aula, aplicar a metodologia e nos ajudar na nossa missão de impactar o maior número possível de mulheres.  

Mulheres têm múltiplos papéis na sociedade: trabalham fora, cuidam da casa, dos filhos e, em geral, são muito cobradas por desempenho e resultados. Mesmo assim, muitas decidem encarar o empreendedorismo. Você acha que todas têm esse DNA?  

Sim, mas precisamos entender toda essa loucura que é a vida da mulher, as múltiplas tarefas, a falta de tempo... Tudo isso está muito ligado a algumas crenças, principalmente de prioridade. Até aquela mulher, que mesmo trabalhando, decide ajudar o marido fazendo bolo em casa, vendendo maquiagem, roupa, ela não tem o valor dentro do próprio lar. A própria família não enxerga seu protagonismo. Então, o que a gente quer dentro da rede? Que ela descubra esse seu lado, se priorize.  

Como se priorizar?  

Bato muito nessa tecla: que tudo vem pela disciplina. A disciplina liberta e muita gente acha que é o contrário. Quando você se propõe a estudar, a ter uma hora da sua semana para poder estar junto com outras mulheres que vão dividir as mesmas dificuldades que você, que vão compartilhar os mesmos medos e angústias, dar muitas ideias para que você também melhore a sua qualidade de vida, a mágica acontece. Então, é nesses grupos que a gente exercita tudo isso.  

Estamos vivendo um período em que muitas pessoas, inclusive mulheres, perderam o emprego em plena pandemia. Pode ser um momento importante para quem sempre quis virar o jogo?  

Pelo menos para mim, isso que o mundo está passando era necessário para que houvesse uma pausa. Inclusive as prioridades na vida de cada um para quando apertar o play novamente. O que vai ser a partir de agora? Uma das coisas mais importantes que vejo é que o mundo está tendo oportunidade de aprender. Não só com a dificuldade, mas pelos exemplos de tantas pessoas que quiseram dar as mãos, ajudar e fortalecer pessoas com dificuldades extremas. Acredito que o momento é para se preparar. Ou você continua do mesmo jeito ou pode olhar para tudo o que está acontecendo e falar: bora lá, eu quero estar diferente quando isso passar.  

As mulheres estão mais unidas realmente? Como não transformar um trabalho entre mulheres em uma competição e sim um ambiente pautado na sororidade?  

Aliás, é isso que a gente pratica muito. Nós, mulheres, nos tornamos competidoras por conta da figura do homem, que sempre foi competitivo. As leis comerciais, do marketing foram criadas por homem e baseadas na competição. Precisamos quebrar esse elo porque somos agregadoras. Só que quando a gente entra nessa onda da competitividade de querer estar no lugar da outra, estamos repetindo o que o mundo já é. Então, se a gente quer mudança, precisa dar a mão. É um exercício diário. Os valores precisam estar muito fortes.  

Você acha que toda mulher é forte? Isso não é mais uma cobrança?  

Não, eu acho que todas nós somos muito fortes. Geramos vidas e, apesar de eu não ser mãe, considero essa uma grande prova de força. Sinceramente, creio que não existe nada que não possamos fazer. O que acontece, muitas vezes, são os bloqueios que nós nos colocamos. Não podemos esquecer ainda das relações tóxicas, que muitas acabam vivendo por várias questões e por vários mapas de vida que atrapalham suas histórias.  

De que forma o olhar feminino pode impactar a sociedade de maneira global?  

Primeiro, a inclusão. A mulher é muito mais participativa na inclusão do que os homens. Então, acho que essa questão dos preconceitos, das discussões de raças, de gênero... de tudo. Como disse anteriormente, a mulher tem uma característica agregadora muito forte. A gente sempre pensa no coletivo, bolando maneiras de impactar mais, de ajudar mais. Veja quantos movimentos femininos criados por mulheres e para mulheres gratuitos existem, não é mesmo? A mulher pouco se importa, se ela vai ter dinheiro ou não, o que ela quer mesmo é ajudar. Então, eu vejo que essas discussões podem contribuir inclusive a minimizar fome, crimes contra crianças. Então, vejo que a mulher tem muito a auxiliar nesse posicionamento, de discutir ações efetivas para soluções globais. Não tenho dúvidas de que teríamos um mundo menos competitivo, mais justo e agregador. 

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