Twin Mirror: jogo com história intrigante, em que você investiga crime em cidade pacata dos EUA

O game surpreende, pois nem tudo é o que parece. Leia a análise completa

Já no trailer de apresentação, Twin Mirror me fisgou, e depois, ao jogar o game, só me amarrei ainda mais nele. É preciso dizer que grande parte disso se deve ao caminho que a produtora DONTNOD Entertainment tem trilhado nos últimos anos, ao se especializar em jogos em que o principal elemento é a história, geralmente envolvente, rica em detalhes, muito bem costurada e com um roteiro e uma atmosfera dignos de Hollywood.

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Tanto é que o estúdio está por trás de títulos como Life Is Strange 1 e 2 e Tell Me Why. E Twin Mirror herda desses games algo que vem ganhando espaço na indústria: o modelo de narrativa em que cada decisão tomada pelo jogador impacta diretamente na forma como o enredo se desenrola.

Disponível para PS4, Xbox One e PC – e compatível com o Xbox Series e o PS5 (console em que o jogo foi analisado) –, Twin Mirror tem trama focada em um personagem carismático: Sam Higgs, jornalista investigativo que convive com problemas e dilemas não resolvidos do seu passado e que se vê obrigado a voltar para sua cidade natal, Basswood, no estado norte-americano da Virgínia Ocidental, para ir ao velório do seu melhor amigo, Nick.

No Palácio da Mente, Sam analisa dados, reconstitui fatos e revê memórias (Foto Captura PS5)

Assim que Sam chega ao aparentemente pacato vilarejo do interior – do tipo que estamos acostumados a ver em filmes e seriados –, fica claro que ele não é bem-vindo lá, porque, antes de deixar a cidade, publicou uma reportagem sobre a condição precária da mina local. Detalhe: por causa dessa matéria, o lugar foi fechado e, como ele era a principal fonte de sustento da população, muitos moradores de Basswood perderam seus empregos.

Para completar, Sam ainda reencontra Anna, seu antigo amor. Nos flashbacks apresentados no game, não tem como não perceber que os dois formavam o “casal perfeito”, só que, quando Sam decide pedir a repórter e colega de trabalho em casamento, ela diz não. Sem falar que, após sua partida, Anna se envolve com Nick.

Reviravolta

Até aí a sensação que fica é a de que Twin Mirror vai girar em torno só dos dilemas de Sam, o que, é preciso dizer, já seria bem legal. Mas, depois que você está ambientado, o jogo sofre a maior reviravolta.

No dia seguinte ao velório, Sam acorda no hotel com a camisa cheia de sangue e não consegue se lembrar direito do que houve a partir do momento em que começou a beber no bar da cidade. Supostamente, ele teria se envolvido em uma briga...

O alter ego de Sam o ajuda ao longo da história, a decidir o que deve fazer (Foto Captura PS5)

Mas, motivado pela conversa com Joan, a filha de Nick, Sam passa a suspeitar de que o melhor amigo teria sido assassinado e não morrido em um acidente de carro, como a maioria das pessoas pensa. Ele, então, se lança numa investigação, que toma rumos surpreendentes e revela que Basswood é tudo, menos a típica cidade pacata do interior.

Alter ego

Uma bela sacada dos desenvolvedores do jogo foi criar uma espécie de alter ego ou amigo imaginário para Sam. Com frequência essa “consciência” conversa com o protagonista, ajudando-o a refletir sobre o que está acontecendo.

Tem mais: Sam conta com habilidades extraordinárias de dedução e investigação. No jogo, há o recurso chamado Palácio da Mente, que nada mais é do que entrar na cabeça de Sam para analisar informações, reconstituir fatos e acessar antigas memórias. Esse é um dos grandes diferenciais (e charmes) de Twin Mirror.

O amor interrompido de Sam e Anna deixa o game ainda mais interessante (Foto Captura PS5)

Qualidade gráfica

O game possui belos gráficos, que ficam ainda mais bonitos na nova geração de consoles. Mas, de vez em quando, apresenta pequenos bugs ou baixas de renderização, o que, no final das contas, não compromete em nada a qualidade do jogo.

Com uma trilha bacana e sistema de controles afinado, Twin Mirror tem áudio em inglês e legendas e menus em português. É uma bela aquisição para qualquer gamer, em especial para aqueles que amam um roteiro bem lapidado.

No bar de Basswood, dá para jogar o clássico Pac-Man no fliperama (Foto Captura PS5)
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