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Terça-feira

26 de Março de 2019

Tapetes feitos de materiais reciclados são tendência

Eles dão um toque todo especial ao ambiente e, em tempo de sustentabilidade, aparecem em material que não agride a natureza

A moda da sustentabilidade chegou com tudo, também, à decoração dos ambientes. Tapetes feitos de materiais reciclados, como garrafas pet, são a última tendência. Eles são bonitos e práticos, a fabricação não agride a natureza e ficam bem em qualquer ambiente: da sala ao jardim.

“Apesar de serem feitos de fibra sintética, eles têm a cara de fibra natural e harmonizam com qualquer tipo de ambiente, até os mais sofisticados. Chega-se ao ponto de fazer tapetes que podem ficar ao ar livre. Essa é uma novidade incrível”, diz a arquiteta de interiores Carla Felippi.

A especialista garante, ainda, que os tapetes indianos, feitos a mão, são tradicionais e nunca saem de moda.

Independentemente do tecido, a ordem é pôr cor no ambiente. Os tons de azul dominam a cena, porque transmitem tranquilidade e convidam o ambiente externo, como o céu e o mar, a participar da sua casa. Já tons pastel não têm sido mais tão procurados. 

E se você está em dúvida sobre o que escolher, Carla Felippi afirma que não é preciso se preocupar com o tipo de móveis que tem em casa. O bom senso é que determina a combinação.

“Não tem regra. É fazer com que as peças conversem. Você pode usar um tipo de tapete, clássico ou mais moderno, e fazer com que a cor do móvel combine com a do tapete. Isso vai criar um link, e elas vão conversar. Existem várias maneiras de fazer essa harmonização. Qualquer pessoa, mesmo que não seja um profissional da área, vai gostar da composição que não é agressiva, que não incomoda”, avisa. 

Na medida

Mais importante do que serem bonitos, os tapetes têm de ser práticos, no tamanho certo e com o perfil de quem mora na casa. Por isso, é importante escolher o modelo levando em conta se você tem filhos, animais de estimação e até se é alérgico.

Apesar de serem de fios longos, os shaggys são uma ótima opção para quem tem problemas respiratórios. “Por serem encerados fio a fio, não deixam a poeira grudar. Têm muita facilidade de manutenção e são peças curinga. Esse tipo é um dos meus preferidos”, diz Carla.

“E não adianta ser um bonito chato, porque daqui a pouco ninguém aguenta mais o tapete, enrola e guarda. Então, a primeira coisa é comprar uma peça que seja compatível com seu jeito <QA0>
para que te dê conforto e não incomode”, completa.

Outro cuidado considerado importante pela arquiteta na hora da compra é o tamanho. Um tapete pequeno, no meio da sala, deixa o ambiente menor. O ideal é que a peça seja grande para abraçar toda a sala e fique 30 centímetros para baixo dos móveis. 

Cuidados

Embora os tapetes possam ser confeccionados de diversos tecidos e tingidos de várias maneiras diferentes, algumas dicas são básicas e universais para tirar manchas ou mantê-los com cara de novo por muito tempo. 

O dono da Kyowa Tapetes, Walid Abdouni, diz que a fórmula composta por água, sabão <QA0>
neutro ou de coco e um pouco de vinagre nunca falha. O que não pode, de jeito nenhum, é usar uma escova com cerdas duras, porque isso irá danificar o tecido.

“Sempre que for limpar, se acalme antes, não saia fazendo com força, pois, quando você aplica calor, muda a textura do tapete”, diz ele.

Se acontecer um acidente, como derramar suco de fruta, o primeiro passo é tentar tirar o excesso com papel toalha ou guardanapo. Depois, mexa bem a mistura de água, sabão e vinagre. Use a espuma que se formar e passe no tapete com as mãos.

Água sanitária, removedores ou qualquer outro tipo de produto químico, nem pensar. Na maioria das vezes, eles mancham as cores.

Na sequência, use um pano úmido para retirar o sabão e, depois, um pano seco. Nunca deixe o tapete secar ao sol, porque isso desbota as cores. Abra as janelas para o ar circular. O restante se resolve naturalmente.

História curiosa

Certa vez, Walid vendeu um caro tapete indiano, feito a mão, para um cliente especial. Ele havia se mudado e chamou uns amigos para comemorar a casa nova. Na festinha, o anfitrião serviu vinho tinto aos convidados e, depois, apoiou a garrafa sobre o tapete recém-comprado. 

Todos foram embora, já bem tarde da noite, mas a garrafa só saiu de onde estava na manhã seguinte. O resultado foi uma mancha em forma de círculo.

“Era um tapete de juta feito a mão. Aquilo tingiu o tapete. O dono ficou chateado. Eu disse: ‘Não tem jeito. Vamos levar pela brincadeira, como uma lembrança pela comemoração’”, conta Walid, dando risada. 

Manutenção

Manter o tapete com cara de novo, por muito tempo, também requer alguns cuidados. Não importa se ele é de pelo curto ou felpudo, as regras são basicamente as mesmas.

Primeiro, é preciso passar o aspirador em todos os sentidos, porque os pelos deitam e a sujeira fica presa embaixo. “A gente pede para os clientes passarem o aspirador semanalmente, pois a poluição do ar e a gordura da pele vão encardindo o tapete”, explica Walid.

A fórmula mágica (água, sabão e vinagre) pode ser usada, também, para conservar o tapete. Uma vez por mês, faça a lavagem doméstica. Passe um pano com a mistura, na direção dos pelos, depois, um pano úmido para enxaguar e, por fim, um pano seco. Isso tudo não evita, entretanto, que se recorra a uma lavanderia especializada, uma vez por ano.

“A gente sempre indica que os clientes levem em oficinas especializadas, porque a lavagem é complexa. É preciso saber que produtos usar para tapetes feitos a mão, a máquina, depende do tipo de fio. Teve tapete que era marrom e voltou verde. Aí, a lavanderia fala que o tapete não presta, mas não é isso. A temperatura também é importante. Quando você leva a um bom lugar, isso não vai acontecer, porque eles estão acostumados a lidar com cada tipo”, garante Walid.