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Quinta-feira

4 de Junho de 2020

Remake de Final Fantasy VII revigora jogo; ele promete agradar fãs e conquistar novos admiradores

O game de PS4 tem até personagens e trechos inéditos

Um dos jogos mais icônicos de todos os tempos, que ajudou não só a popularizar como a definir a linguagem dos RPGs nos videogames, Final Fantasy VII teve a primeira parte do seu remake lançada para o PS4, com legendas em português. É preciso dizer, especialmente para os fãs que tanto aguardavam o game – alguns com um certo receio –, que o jogo deixa a sensação de que valeu a pena esperar durante anos, pois, além de contar com gráficos lindíssimos, o remake atualiza o sistema de controles de uma forma satisfatória (sem perder a essência) e se mostra fiel aos principais acontecimentos da história original, acrescentando momentos e personagens inéditos, que apenas aumentam a riqueza, a magia e a grandiosidade de um enredo que já era nota dez. 

É fato: quando a Square Enix anunciou que ia dividir o jogo em mais de uma parte, para não ter de resumi-lo (por enquanto, não se sabe quantas serão no total, muito menos a data de estreia da próxima), isso abriu margem para vários questionamentos, ainda mais que o primeiro game se concentra somente no que ocorre na cidade de Midgar – trecho menos interessante da versão original, ao meu ver (completei o título de PS1 com cerca de 120 horas de gameplay).

Mas, acredite, a equipe responsável pelo remake conseguiu fazer um belo trabalho ao transformar a menor parte da saga de Cloud e cia. (em torno de 10% do enredo na íntegra) em um jogo com 18 capítulos e mais de 30 horas de duração (podendo chegar a 40 se você não pular nada).  

A maioria do game possui uma dinâmica envolvente, um ritmo bacana. Porém, alguns trechos poderiam facilmente ter sido descartados ou encurtados, para evitar “barrigas” desnecessárias, como quando Cloud e Aerith percorrem um caminho alternativo para o setor sete da cidade, com três puzzles sequenciais bem repetitivos, utilizando braços robóticos. Mesmo assim, no geral, o jogo cativa, encanta e, inclusive, proporciona uma experiência na medida do possível diferente e com doses de frescor para quem já conhece o RPG de 1997.

Mais denso 

A estrutura básica da história continua intacta: o mercenário Cloud se une ao grupo ecoterrorista Avalanche para derrubar a Shinra, corporação “dona” de Midgar que ameaça o futuro da humanidade ao extrair a energia vital do planeta para a produção de bens industriais, armas e a geração de energia. O game se encerra logo após o setor sete da cidade ser destruído; Cloud, Barret e Tifa invadirem o QG da Shinra e, na sequência, abandonarem Midgar – além de comandar os três, dá para controlar Aerith; sem falar que Red XIII faz uma participação na reta final do jogo.

A decisão da equipe de desenvolvedores de focar a primeira parte do remake numa Midgar “ampliada” acaba por antecipar algo que, no RPG original, somente acontecia quando a trupe de Cloud deixava a cidade para trás: agora, a história de cada um dos quatro heróis é apresentada – e detalhada com a merecida densidade – desde o início do game. 

Tem mais: enquanto no jogo de 97, o carismático vilão Sephiroth dava as caras apenas depois da etapa de Midgar, no remake ele aparece do começo ao fim. Junto a isso, personagens que antes eram inexpressivos ganham espaço. Entre eles merecem destaque Jessie, Wedge e Biggs, do grupo Avalanche – não se surpreenda se você se pegar torcendo pelos três e ficar triste com o que ocorre com eles.

Para completar, há personagens estreantes, como o soldier Roche, com sua moto turbinada, e Chadley, estagiário da Shinra que auxilia Cloud e cia. elaborando as tradicionais matérias (cristais que ativam habilidades), com base em informações coletadas nas batalhas.

Outras novidades 

Você deve estar se perguntando o que mais permite que a primeira parte do remake dure tanto. Embora a história flua de forma linear, no decorrer da aventura também pode-se curtir mais algumas novidades. Por exemplo: colecionar LPs com músicas da trilha sonora original de Final Fantasy VII, gastar um tempo com minigames como o de dardos do Seventh Heaven (bar de Barret e Tifa) e cumprir missões secundárias, em que Cloud é contratado pela população de Midgar para solucionar problemas variados. Aí, ao fechar o jogo, quem quiser ainda pode testar um novo nível de dificuldade ou, então, revisitar os capítulos para fazer coisas que haviam ficado para trás. 

Dinâmica das batalhas 

Mais um trunfo do remake é a modernizada que houve no sistema das batalhas, sem tirar a sua essência. As lutas combinam a dinâmica de turnos do Final Fantasy VII original com aspectos presentes nos RPGs atuais, principalmente a questão mais tática e a pitada de hack and slash (pancadaria, combate corpo a corpo). Tudo fácil de entender e pôr em prática. Assim, você não se limita só a dar comandos e esperar o resultado deles. Fica o tempo inteiro com a mente e as mãos ativas e pode alternar o controle dos personagens da sua equipe quando desejar. Ah... Muita gente vai gastar um tempo na opção de aperfeiçoamento das armas, tentando melhorar a performance nas batalhas. No que se refere às summons (invocações de seres mágicos), elas passaram por ajustes: no game original, a criatura apenas surgia para aplicar um golpe impactante; no remake, ela luta ao seu lado por um período e, quando o timer indica que deve ir embora, dispara um poderoso golpe de saideira. 

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