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Quer um bom jogo de terror que foge do lugar-comum? Vá de The Medium; leia a análise
No game de Xbox Series e PC, você é mulher com habilidades mediúnicas, que transita pelos planos físico e espiritual
Por: Stevens Standke  -  19/04/21  -  14:22

Primeiro grande jogo exclusivo dos consoles de nova geração Xbox Series S e X, e também disponível para PC, The Medium é uma bela pedida para aproveitar esse tempo de isolamento social, ainda mais se você ama uma história muito bem construída (o final surpreende!) ou, então, está atrás de um belo game de terror – de cunho principalmente psicológico.


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O título também agrada demais por apostar em uma dinâmica que foge do lugar-comum. Já que, como o próprio nome do jogo indica, você controla a médium Marianne e, justamente por isso, ela fica transitando pelos mundos físico e espiritual, às vezes simultaneamente, no decorrer da aventura inteira, o que faz com que a tela do game diversas vezes fique dividida.


Vamos começar pelo que há de mais forte em The Medium: seu enredo, ambientado na Polônia. Após perder o pai adotivo, Marianne recebe um misterioso telefonema de um homem chamado Thomas, que promete revelar informações que irão fazer com que ela finalmente consiga conhecer a sua família biológica e, ainda, entender e dominar melhor as suas habilidades mediúnicas.


Isso basta para que Mary siga para o Resort Niwa, local que se encontra abandonado, por ter sido palco de uma horrível tragédia, que culminou em diversas mortes. Lá, se depara com Tristeza, espírito de uma menina que a acompanha conforme investiga o hotel e a floresta ao seu redor.


E não demora muito para passar a ser perseguida por uma criatura sobrenatural sinistra e gigantesca. Vale fazer uma observação aqui: a trilha sonora do game deixa tudo, inclusive a voz desse monstro, supertenso; as músicas e os sons ricos e variados dos cenários levam a assinatura de Arkadiusz Reikowski, da Bloober Team, desenvolvedora de The Medium, e de Akira Yamaoka, famoso pelo trabalho na icônica série de jogos de terror Silent Hill.


Marianne tem a ajuda de Tristeza; os planos físico e espiritual convivem na tela   Foto: Captura Xbox Series X

Continuação engatilhada?


Você vai demorar entre oito e dez horas para concluir o título. O mais curioso é que a história toma rumos inesperados, que mostram que Marianne está mais ligada ao incidente no Niwa do que se pode imaginar e que remetem à época da Segunda Guerra Mundial. Essas sacadas do roteiro são dignas de uma nota dez!


Isso sem falar que o game ainda dá a chance de controlar Thomas, em flashbacks que comprovam que, assim como Marianne, ele é um médium poderoso. Para completar, o intenso final do jogo é capaz de deixar a gente de boca aberta, não só pelas revelações que fecham o quebra-cabeças de The Medium como também pelo fato de que a conclusão da trama reserva, notoriamente, ganchos para uma continuação.


Alguns enigmas dependem de itens do mundo espiritual para serem resolvidos   Foto: Captura Xbox Series X

Dinâmica diferenciada


Outro atrativo de The Medium é a sua jogabilidade fora da caixinha. As habilidades psíquicas de Marianne se somam à leitura de documentos e à investigação dos ambientes para solucionar puzzles, descobrir fragmentos pendentes da história e avançar no game.


A paranormalidade de Mary pode ser aproveitada das formas mais diversas: analisando a energia de objetos, reconstituindo o passado, desfazendo bloqueios sobrenaturais, recarregando suas forças em uma espécie de totem místico e assim por diante.


O grande diferencial nesse sentido é que constantemente a protagonista transita entre o plano material e o espiritual. De modo que, em muitas situações, a tela do jogo acaba ficando dividida, para que você avalie o cenário considerando os contrastes que existem entre os dois universos paralelos. Detalhe: de vez em quando, um item necessário para um enigma do mundo físico deve ser coletado na esfera espiritual.


Marianne também utiliza espelhos para trocar de plano. E é capaz de migrar completamente para o contexto espiritual, cortando todos os elos com o “mundo dos vivos” – isso consome bastante vitalidade e deve ser realizado de forma cronometrada, para não ganhar um game over.


Você também joga um pouco com Thomas, que é outro médium poderoso   Foto: Captura Xbox Series X

Gráficos e localização


Já que o barato de The Medium é o seu enredo, a produtora Bloober Team acabou não se preocupando em trabalhar em um modo multiplayer. Mas, em nenhum momento, você vai sentir falta de recursos on-line, acredite.


Com legendas e menus em português, o jogo tem um bom sistema de controles e um visual bacana no geral. Apenas em certas sequências animadas a desenvolvedora poderia ter se empenhado um pouquinho mais, para dar aquele polimento extra, pois se trata de um título criado para um console de nova geração.