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Quarta-feira

18 de Setembro de 2019

Publicitária de Santos comenta experiências vividas em Nova York

Rogéria Vianna mora há seis anos nos Estados Unidos, onde trabalha como produtora do Manhattan Connection. O blog dela com dicas da Big Apple faz sucesso

Rogéria Vianna é simplesmente apaixonada por Nova York (EUA). Depois de trabalhar por mais de 20 anos em agências de publicidade de Santos e São Paulo, ela aceitou o desafio de se mudar para a Big Apple em 2013, para trabalhar, a princípio, no departamento de marketing da Globo Internacional. Aí, com o tempo, a santista de 45 anos entrou para a produção não só do Manhattan Connection, do GloboNews, como do Globo Notícia Américas, exibido pela Globo Internacional. Tem mais: suas experiências de lazer e gastronomia na cidade ainda a levaram a criar o blog Vem Pra NY! (www.vemprany.com), cheio de dicas para quem quer sair do lugar- comum na Big Apple. A seguir, Rogéria detalha sua trajetória e dá um monte de toques para curtir Nova York ao máximo – e sem comprometer as finanças!

MUDANÇA

Como surgiu a chance de ir morar em Nova York?

Em 2012, pedi uma licença não remunerada da agência de publicidade em que trabalhava em São Paulo para passar dois meses auxiliando o marketing da Globo Internacional. Ao voltar para o País, continuei fazendo campanhas para eles daqui. Aí, quando tirei férias em 2013, o pessoal da Globo me chamou para ficar mais um mês trabalhando em Nova York e, no fim do período, o diretor de criação do marketing fez a proposta para ficar de vez lá. Foi o tempo de vir para o Brasil agilizar o visto e mudar para os Estados Unidos.

Demorou para entrar na equipe do Manhattan Connection?

Fiquei dois anos no marketing de Nova York. Como já trabalhava com publicidade há muito tempo, queria aprender outras coisas. Dentro da Globo, comecei a me interessar por produção e pedi um estágio no Manhattan Connection. No fim de 2015, uma produtora do programa precisou mudar de cidade e eles me ofereceram a vaga. Há quase dois anos, também produzo o Globo Notícia Américas, que passa em todos os países da América, menos no Brasil, e é um dos líderes de audiência da Globo Internacional.

O programa tem apresentação da Mila Burns, que é muito querida na comunidade brasileira, e trata de assuntos que são importantes para o imigrante brasileiro.

Como é o trabalho no Manhattan Connection?

É uma honra ser colega do Lucas Mendes, do Caio Blinder, do Diogo Mainardi, do Pedro Andrade e do Ricardo Amorim. Todo dia é uma aula para mim. E como nossa equipe é pequena, a gente se tornou quase uma família. Ainda fazem parte do time a Angélica Vieira, nossa produtora-executiva, mais um produtor, os câmeras e o técnico de áudio.

Que passagem marcou mais nesse tempo que faz o programa?

Foi a edição de 25 anos do Manhattan Connection, em 2018. Normalmente, a gente grava na sexta, para o programa ir ao ar no domingo, mas, dessa vez, fizemos ao vivo. Nós resgatamos histórias, houve uma carga emotiva muito grande. Ficamos bastante tempo nos preparando para esse dia.

Você participa do Brazilian Day?

Sim, gravei o boletim que passa na Globo sobre a programação do evento deste ano, que será em 1 de setembro e terá entre as atrações Simone e Simaria, Jorge & Mateus e Alok. O Brazilian Day é uma festa bonita. A maior comunidade brasileira dos EUA fica em Boston, mas tem muito brasileiro em Nova York. O evento ocupa vários quarteirões da cidade, fecha a Sexta Avenida da Rua 46th até o Central Park. Vamos cobrir tudo para o Globo Notícia Américas – de um tempo para cá, a Mila me dá a oportunidade de aparecer no vídeo, fazendo algumas entrevistas.

HOBBY

E a ideia para o blog Vem Pra NY! surgiu como?

Nos dois primeiros anos morando em Nova York, toda sexta-feira eu mandava um e-mail para a família 
e os amigos contando o que havia feito na semana. Como as pessoas me pediam muitas dicas da cidade, resolvi montar o blog, que cresceu logo – no perfil do Instagram são quase 56 mil seguidores e, na página do Facebook, quase 6 mil. Um dia, o Pedro Andrade, que é meu melhor amigo, disse que não tinha mais o blog dele de Nova York e perguntou se poderia colaborar com o meu – toda sexta tem dica dele. As pessoas começaram a associar bastante a gente, porque o Pedro me divulga no Instagram dele e ainda me chamou para ajudar na atualização do livro dele, O Melhor Guia de Nova York. Mas gosto de deixar claro que o blog é apenas o meu hobby.

Antes da entrevista, você comentou que as pessoas a param na rua em Nova York para falar do blog.

Sim, principalmente depois que passei a aparecer nos stories, por insistência do Pedro. Para você ter ideia, precisei organizar um encontro com os seguidores de Santos e outro com os de São Paulo, quando estive no Brasil para visitar a família (nas duas últimas semanas). As pessoas gostam do fato de eu só falar dos lugares que conheci, e posto apenas fotos minhas. Costumo incentivar o público a sair do batido, porque Nova York é uma cidade que vive em constante renovação e tem muita oferta de atividades bem diferentes. Várias coisas que indico descobri por acaso, andando na rua e observando que certas portinhas levam para bares ou restaurantes incríveis. Como consequência disso tudo, também começaram a me contratar para fazer roteiros personalizados de Nova York. 

PAIXÃO

O que prioriza nas programações que monta?

Sempre procuro inserir algo que as pessoas normalmente não fariam. Muitos turistas não otimizam o tempo. Em vez de organizarem as atividades de forma lógica e produtiva – fazendo o máximo de coisas próximas antes de ir para outra área da cidade –, várias pessoas ficam zanzando por Nova York o dia inteiro, de um canto para outro, e perdem um tempo valioso.

Você fala da cidade com empolgação e brilho nos olhos.

Nova York é a minha paixão. Não existe cidade que combine melhor comigo. Moro há seis anos lá e até hoje ainda me emociono com as cenas que vejo na rua. Você só fica entediado em Nova York se quiser. Saio praticamente todo dia, tenho dó de ficar em casa vendo TV, pois tanta coisa acontece lá. E morar em Nova York é uma experiência transformadora, acho impossível alguém voltar o mesmo. É uma cidade que nos torna uma pessoa mais forte, tolerante, aberta, que ensina a respeitar as diferenças, afinal é composta basicamente por imigrantes. Diversos idiomas são falados em Nova York, existem as comunidades de Little India, Little Italy, Chinatown, Koreatown...

O curioso é que a Rua 46th, a Little Brazil, tem quase nada típico.

Verdade! (risos) Quando quero comprar comidas brasileiras, vou para Newark, em Nova Jersey. Por lá, há placas, inclusive, em português, porque as comunidades brasileira e portuguesa são bem grandes. No mercado, você acha leite condensado, tapioca, pão de queijo, polvilho, castanha-de-caju... E há os restaurantes brasileiros.

DEMOCRÁTICA

O que você recomenda em Nova York?

Ela não é das cidades mais baratas, mas você não precisa ser milionário para curti-la. Dá para viajar com orçamento reduzido, pois Nova York é democrática. Há um monte de programas gratuitos. Por exemplo, no Brasil, você não consegue sair para dançar num club sem grana. Em Nova York, não se paga para entrar nos clubs e, se você não tem como comprar bebida, a água é de graça. E que tal pegar uma comida no mercado e ir saboreá-la no Central Park? Quanto à Broadway, lógico que há ingressos de US$ 500, só que, na loteria, dá para adquirir bilhetes com desconto, a US$ 30. Também recomendo experimentar o circuito off-Broadway. O músico Jair Oliveira está passando uma temporada em Nova York. Por estar trabalhando como produtora dele, tenho frequentado bastante a cena da música ao vivo. Em bares como o Fat Cat (de jazz), você vê pessoas dignas de ganhar um disco de ouro.

O Brooklyn anda em alta, não é?

Sim. Muitas pessoas acham que não é seguro ir para o Harlem e o Brooklyn. Óbvio que não pode dar bobeira, mas Nova York é uma cidade segura. Eu, por exemplo, ando de metrô direto de madrugada numa boa, com o celular na mão.

O Brooklyn tem lugares incríveis. Williamsburg é a parte mais descolada, com ateliês de artistas, vários hipsters e bares modernos. Essa área se tornou tão cara que o aluguel está no nível de Manhattan.

Quais são suas dicas de culinária?

Sugiro fazer um curso de bakery (panificação) e experimentar cozinhas que não são tão comuns no Brasil. Caso da gastronomia tailandesa, que é bem popular em Nova York. Recomendo o Sea Thai, em Williamsburg. Permita-se se expor a diversas culturas enquanto estiver na cidade.