Pabllo Vittar: 'Defendo a pluralidade de oportunidades'; leia a entrevista

Drag queen mais seguida do mundo nas redes sociais, Pabllo Vittar vai emendar o Carnaval com turnê internacional

Pabllo Vittar tem se superado constantemente, num curto espaço de tempo.

Além de ser a drag queen mais seguida do mundo nas redes sociais – apenas no Instagram ela tem 10,2 milhões de seguidores e seu canal do YouTube, com 6,2 milhões de seguidores, já conta com mais de 1 bilhão de visualizações –, a cantora de 25 anos, que lançou seu primeiro álbum em 2017, foi listada como uma das dez pessoas que serão líderes da próxima geração, segundo a revista norte-americana Time, que a classificou como “a drag queen brasileira que está fazendo uma tempestade no mundo pop” e que ainda “luta pelos direitos LGBTI+ pelo caminho”.

Basta ver que já apareceu na parada Social 50, da Billboard, que elenca os artistas mais influentes nas redes sociais, e em junho, fez pocket show em evento fechado da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, EUA, que tinha como temas a igualdade e a inclusão e o aniversário de 93 anos da rainha Elizabeth – no mesmo período, Pabllo ainda participou da Parada do Orgulho da Big Apple. Isso sem falar que brilhou no MTV EMA 2019, ao se apresentar na premiação, realizada em novembro na Europa, e vencer a categoria de Melhor Artista Brasileiro. 

Tem mais: a cantora está confirmada como uma das atrações da edição deste ano do festival norte-americano Coachellae, em 29 de fevereiro, inicia sua segunda turnê internacional, com um total de 18 shows, passando pela América Latina, Canadá, Estados Unidos, Europa e Austrália.

Antes disso, mergulha de cabeça no Carnaval, com o Bloco da Pabllo, que animou os foliões de Salvador, Bahia, nesta segunda e segue para São Paulo nesta terça – no ano passado, ela embalou cerca de 2 milhões de pessoas com o seu trio na Capital. 
Na entrevista abaixo, a cantora, que antes da fama foi atendente de telemarketing e trabalhou em salão de beleza e em rede de fast-food, fala também da segunda parte do EP 111, que deve ser lançada em breve; da sua 
irmã gêmea e da terra natal, São Luís, no Maranhão.

BANDEIRA

Qual a sua maior preocupação por ter se tornado uma porta-voz da comunidade LGBTI+ e ser apontada como um ícone de fluidez de gênero?
Eu defendo, acima de tudo, a pluralidade de oportunidades e que todos possam ter o direito de ser o que são, andar por onde quiserem e estarem no palco em que sonham estar, sem preconceito ou violência.

O que falta para se conquistar a tão sonhada igualdade?
Nós avançamos muito nos últimos anos. Mas, na minha opinião, ainda temos um longo caminho a percorrer para que todos tenham as mesmas oportunidades.

Acredita que ajudou a abrir caminho para as artistas drags?
Muitas artistas vieram antes de mim e tenho certeza de que muitas outras virão depois. Acho isso incrível. Quanto mais pessoas puderem exercer a sua arte, melhor será para todos.

CONEXÃO

O fato de estar montada no palco a ajuda a extravasar emoções e estresse? Realmente é tímida quando não está como Pabllo Vittar?
Sim, o Phabullo (Rodrigues da Silva, nome de batismo) é muito tímido. Todo artista se encontra quando está no palco, e comigo não seria diferente. Estar diante do público, montada, é algo gratificante, que me une às pessoas de uma forma especial. Comecei a me montar (aos 17 anos) porque sempre fui fascinado pelo universo feminino. Quando descobri que existiam drag queens que atuavam e cantavam, pensei: “Eu posso fazer!” E deu certo.

É verdade que, nos dias de folga, fica bem longe de maquiagem?
Eu fico, sim. Nas horas vagas, amo estar com a minha família, curtir os amigos e jogar videogame!

AGITO

O seu Carnaval está movimentado. Após se apresentar no Galo da Madrugada, em Recife, e em Salvador, vai comandar seu bloco em São Paulo nesta terça. O que essa experiência representa para você? 
Estou ansiosa e muito feliz em poder cantar mais uma vez para tanta gente em cima do trio. Amo Carnaval. O meu bloco é marcado pela alegria, pela descontração e por ser um lugar onde cada um é livre para ser o que quiser.

No dia 29, você começa sua segunda turnê fora do País. A carreira internacional foi algo planejado?
Na realidade, considero a carreira internacional uma consequência natural de tudo o que tenho feito. E não importa onde seja, a minha principal meta sempre será fazer música e levar alegria ao público.

Como administra o cansaço e o estresse gerados pela sua agenda movimentada?
Eu amo o que faço e, acredite, isso acaba sendo essencial, faz a maior diferença. Apesar da minha rotina intensa, não abro mão do repouso. Sempre procuro descansar o necessário para poder estar bem para todo o meu público.

CRIAÇÃO

Você declarou que teve muitos aprendizados durante a preparação do seu novo álbum, 111. O que destacaria nesse processo?
Cada novo trabalho é sempre muito especial. No 111 trago bastante da minha identidade e das minhas referências musicais. Além disso,é o primeiro álbum em que eu canto músicas em três idiomas: inglês, espanhol e português.

Costuma participar de todas as etapas de produção dos seus trabalhos?
O processo criativo acaba sendo sempre muito envolvente. 
Procuro trazer para ele o que penso, as minhas experiências e referências. Faço questão de participar de todas as etapas dos meus projetos, sim. Às vezes, isso acontece a distância, porque a agenda não permite que esteja lá fisicamente. O que importa é que sempre vou estar presente, de alguma forma!

A segunda parte do 111 já tem data para sair?
Só posso adiantar que ela está linda. Não vejo a hora de vocês poderem escutar o que gravei.

ORIGENS

Você já disse que encarou vários perrengues antes de fazer sucesso. Qual foi o maior deles?
Acredito que temos que focar sempre nas melhores coisas que acontecem com a gente, para podermos ser positivos. 
As dificuldades da nossa vida devem servir como motivação e aprendizado, sempre.

Foi difícil tomar a decisão de deixar o Maranhão, onde nasceu, para viver em Minas Gerais?
Essa mudança ocorreu de um modo natural. E por mais que eu esteja em outra região, o Nordeste nunca saiu de mim. Guardo as melhores memórias dos momentos que vivi em São Luís, minha cidade natal. E sempre tive o apoio da minha família, principalmente da minha mãe, dona Verônica.

Não importa o que aconteça Uberlândia será sempre a sua casa?
Moro lá até hoje. Essa cidade mineira tem um lugar especial e intenso no meu coração.

Você tem uma irmã gêmea, não é?
Sim. Eu amo a Phamella. Nós somos cúmplices e isso é demais, incrível.

Tudo sobre: