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Sexta-feira

22 de Novembro de 2019

ONG lança movimento 'Ecofelicidade' e realiza congresso em Santos

Há três pontos de equilíbrio perfeitamente possíveis de serem alcançados e que vão aumentar seu pote individual de bem-estar, paz interior e felicidade

O sentido do prefixo Eco tem raízes lá atrás, “quando o conceito da ecologia foi colocado para a sociedade e entendido como a ciência das relações que estabelecemos com a nossa ‘casa’. Pois bem, partimos desse conceito básico e ligamos com a ideia de felicidade, que, para nós da ONG Rede Cidadania, está vinculada ao equilíbrio”, conta Alfredo Cordella, professor da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e presidente da ONG Rede Cidadania.

Para dar holofote a esse assunto, a ONG lançou o movimento Ecofelicidade e realiza de 27 a 29 de novembro o 1º Congresso Brasileiro de Ecofelicidade, no anfiteatro da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos. 

A programação é diversificada, integrando três pontos cruciais de equilíbrio que as pessoas têm de sustentar na vida. São eles: o equilíbrio nas relações que estabelecemos com o nosso eu interior; o equilíbrio nas difíceis e diversificadas relações que, diariamente, estabelecemos com o outro; e, finalmente em uma camada mais externa, o equilíbrio nas relações que mantemos com o meio ambiente, que nos cerca, nos abriga e garante a sobrevida humana.

Equilíbrio consigo mesmo 
Chamado também de equilíbrio interior, abrange autoconhecimento, pois muitos não conseguem atingir esse ponto de equilíbrio porque raramente se olham, se observam. “Algumas pessoas que perdem esse equilíbrio interior acabam perdendo na mesma dimensão o valor que dão à vida. Às vezes, chegam a extremos como o pensar em tirar a própria vida”, diz Alfredo, chamando atenção para a mesa-redonda do último dia de evento, que será sobre a valorização da vida.

A propósito, Renato Caetano de Jesus, um dos debatedores, é voluntário do CVV-Santos (Centro de Valorização da Vida), que acredita que, no estado do mundo no qual vivemos hoje, será sempre um desafio ter em si mesmo um “lugar” seguro. Outros debates vão abordar a felicidade pela perspectiva espírita, da meditação e do poder da presença.

Equilíbrio estabelecido com o outro

Haverá ainda debates voltados a gratidão, empatia e outros aspectos dos relacionamentos importantes 
nestes tempos em que, na visão do Movimento Ecofelicidade, o outro tem sido esquecido. “O movimento da Ecofelididade busca praticar a tolerância, a aceitação dos diferentes – e esse é um problema sério no Brasil de hoje, tão dividido e por vezes hostil”.

A psicóloga e mestre em Saúde Coletiva Aparecida Favoreto participará da mesa de debates sobre o tema “A importância da comunicação para o equilíbrio dos relacionamentos”, levando a mensagem da comunicação não violenta (CNV), método desenvolvido pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg, que aposta na comunicação para resolver conflitos e conectar as pessoas de forma mais empática, autêntica e compassiva.

“Bons relacionamentos colaboram para a felicidade, já que várias pesquisas mostram que ela não vem com dinheiro nem fama. Eles podem impactar a saúde física e mental, elevando a longevidade, o bem-estar e a motivação para viver. Quantos julgamentos, críticas, expectativas são despejados uns nos outros, afastando as pessoas! A CNV ajuda a melhorar essa comunicação, mesmo numa situação de conflito, construindo pontes em vez de abismos nas relações”, detalha Aparecida.

Ela, que é docente da Unisanta, entre várias instituições, comenta que, atualmente, quando as relações estão bem mais “líquidas”, frágeis, com laços descartáveis, o caminho para afastar a solidão é buscando o equilíbrio interior primeiro, conhecendo-se e entendendo-se melhor. E, a partir disso, olhar para o outro procurando conhecê-lo e entendê-lo melhor também. Quando estabelecem vínculos de confiança (com amigos, parentes, parceria amorosa...) com escuta ativa, por exemplo, as pessoas se sentem menos sozinhas.

Equilíbrio com o meio ambiente 
O movimento também tem um mote baseado na ideia de que grandes desequilíbrios no meio ambiente 
nascem de desequilíbrios no interior das pessoas. “Atacamos a problemática do lixo há décadas, discutindo onde descartar, como reciclar..., mas não a ponta inicial: quais desequilíbrios no interior 
das pessoas estão gerando essa quantidade de lixo gigantesca?”, questiona ele.

Alfredo lembra que há comunidades que já produzem lixo zero, “enquanto nós temos um longo caminho a percorrer, o que denota ser uma questão comportamental. Que bom que já tem gente enxergando que nosso meio ambiente é sagrado”, avalia Cordella, referindo-se à mesa-redonda “A Sacralização do 
meio ambiente: uma estratégia de sobrevivência”, com a participação de Marcus Fernandes, jornalista especializado na área de meio ambiente. 

Serviço
1º Congresso Brasileiro de Ecofelicidade
Quando: de 27 a 29 de novembro.
Onde: Anfiteatro Unisanta (Rua Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão, Santos).
Informações: www.ecofelicidade.org.br.

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