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Sexta-feira

20 de Setembro de 2019

Novas tecnologias ajudam na eficácia dos dentistas

A tecnologia e a inovação transformam a maneira como cuidamos de nossos sorrisos, encurtando o tempo e deixando os processos mais eficazes e menos dolorosos

Estar bem com o seu sorriso é essencial para se sentir seguro, confortável e feliz. Aumenta a autoestima, abre portas para fazer amizades, conseguir um emprego e até mesmo um novo amor. Seja por necessidade ou por questões estéticas, quem modifica algo nos dentes quer, sempre, os melhores resultados. Nesse sentido, a tecnologia tem se destacado por oferecer soluções eficazes e que diminuem muito o tempo de cadeira do paciente.

Consultando profissionais da região sobre os avanços nas áreas da ortodontia e da implantodontia, descobrimos que o escâner tridimensional é uma realidade a que, antes, poucos tinham acesso. Também é comum ter impressoras 3D e fresadoras nos consultórios, fornecendo dentes perfeitos em questão de horas.

Ao ir ao dentista, depois do escaneamento, é possível que a coroa seja desenvolvida pelo computador (por meio de um banco de dados), deixando o processo muito mais rápido. “Depois, um bloco de material extremamente durável é fresado. Há colegas que conseguem fazer um dente em 12 minutos”, explica o cirurgião-dentista e professor universitário Luiz Fernando André.

“Hoje, ocorre uma mudança bem grande. A odontologia digital trouxe a tecnologia Cad/Cam (Computer Aides Design), que nada mais é do que um escâner intraoral e uma fresadora. Com isso, conseguimos eliminar as convencionais moldagens”, completa Sérgio Marigny Filho, cirurgião-dentista especialista em implante e cirurgia buco-maxilo-facial. Para ele, o futuro está aí. “É feita a reabilitação virtual e encaminhamos esse material para a fresadora via internet, que está ligada ao escâner dentro do consultório”.Imagine que você queira imitar a arcada de um parente ou até mesmo de alguém famoso. A tecnologia necessária para isso, chamada de clonagem, está ao alcance das pessoas. Elaborada por Paulo Kano, presidente da Sociedade Brasileira de Odontologia Digital, o método Cllones (que imita coroas perfeitas) é aplicado pela cirurgiã-dentista Rose Marques, em Santos. 

Adotada em 44 países, a técnica reproduz com excelência dentes naturais. Depois de fotografado, o paciente escolhe por quais modificações quer passar. “Temos um arquivo com 3 mil bocas bonitas e perfeitas e a pessoa pode escolher qual ela quer. Conseguimos imprimir, sobrepomos na boca dela e ela vê o resultado na hora. 

Se der o OK, vamos fresar os novos dentes”, explica Rose.

Caso a operação envolva somente a substituição, pode-se copiar um dente do próprio paciente, assim, ele irá ocluir, ou seja, encaixar com exatidão no espaço existente. “Hoje, o paciente sabe exatamente como irá ficar. Isso mexe também com a autoestima”, diz ela. Em 24 horas, o implante fica pronto. “Quando devolvemos o sorriso à pessoa, estamos dando alegria, bem-estar e saúde”, conclui a dentista.

“Dá pra fazer a pontinha de um canino, uma pequena obturação. 90% de um dente, 10%. Qualquer área. A odontologia deu um salto imenso com isso. Demorava para um protético fazer um dente artesanalmente. Agora, o aparelho faz sem a mão humana”.

Mais qualidade

Estamos falando em estética e odontologia digital, em uma melhora nos processos e na padronização de serviços dentro de uma linha chamada de fluxo digital. “É a porta de entrada dos pacientes, com a tomografia e a panorâmica, servindo, inclusive, para a prevenção”, explica o professor universitário e cirurgião-dentista José Márcio do Amaral, head da Implante Vida.

Neste ano, ele completa dez anos com processos digitais dentro da clínica. Essa evolução não só acelerou os processos como aumentou a qualidade do produto final que oferece.

Se antes o processo era analógico e envolvia moldar, vazar gesso, fundir e aplicar a porcelana na hora de fazer um implante, atualmente o fluxo com a tecnologia está em tudo.

O aparelho de escaneamento usado pelo dentista é o mais avançado que existe. Assim, é possível utilizar o chamado sistema aberto, ou seja, dá para mandar a imagem gerada por ele para um laboratório que tenha o software. “Isso deixou o trabalho do dentista muito mais eficaz”, afirma.

Dentro da variedade de máquinas, há as que precisam de pó (como se fosse um contraste) e as preto e branco (que tiram fotos sequenciais). “A vantagem disso é a velocidade. Passamos muitos anos com sistemas fechados. Hoje, evoluímos”.

Somado à tridimensionalização dos procedimentos, está também o desenvolvimento de novos materiais para os implantes. O mais avançado atualmente é o feito de zircônia. Um derivado sintético que se assemelha ao diamante e é extremamente resistente.

A principal diferença dele para o implante comum é a cor. Enquanto o feito de titânio é metalizado, o de zircônia tem o mesmo tom da coroa. “Cerca de 60% dos clientes que consultamos preferiram o implante de zircônia. Ele tem muito mais afinidade com a gengiva”, diz Amaral.

Cirurgias guiadas

Planejamentos digitais para cirurgias tornaram o processo muito menos evasivo. A intervenção na boca é praticamente sem cortes por conta de uma espécie de molde, feito no computador.

“Um guia, nos dentes dos pacientes, define onde será furado. Muitos problemas da implantodontia eram de implantes malposicionados. E na hora de fazer a prótese, isso poderia atrapalhar. Você reduz a quase zero os riscos, além de o paciente ter um pronto-restabelecimento”, afirma José Márcio do Amaral.

E há condições de fazer carga imediata em muitos casos. Ou seja, uma boa osseointegração, de modo que o paciente sai com uma coroa provisória. “As pessoas gostam dessa novidade”, decreta Aline Graziele Fernandez, responsável técnica da Sorridents na Baixada Santista. A clínica, voltada principalmente para o público de baixa renda, utiliza todas as tecnologias que qualquer local de ponta. 

“O escâner está sendo usado há uns quatro, cinco anos. Mas, agora, ele está mais viável para os profissionais. O tratamento custava uns R$ 100 mil para o paciente. Hoje, o valor está acessível”, diz a dentista. Na rede, há, ainda, um cartão de crédito com uma parceira, que permite parcelar o pagamento.

Para o cirurgião-dentista José Márcio do Amaral, esse é um caminho natural. “A tendência é reduzir os custos. A pessoa vem com a ideia de que o escaneamento é mais caro. Ele é um facilitador do dentista, não custo ao paciente, afinal, eu deixo de ter um gasto com material. E quanto mais rápido você atende, mais clientes você tem. Baixamos custos e tempo”.