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Quinta-feira

9 de Julho de 2020

Não descuide da saúde em época de pandemia

Pessoas que estão em tratamento de doenças crônicas não podem negligenciar a saúde

Embora a pandemia esteja entre os assuntos mais comentados – e não sem razão –, a covid-19 não é a única doença que existe ou que é capaz de atingir as pessoas. Por isso, os cuidados com a saúde de uma maneira geral não podem ser negligenciados. Principalmente nos casos das pessoas que estão no meio de tratamentos ou que sofrem de problemas crônicos.

Um exemplo clássico é o paciente hipertenso, que geralmente passa por uma ou duas consultas por ano para fazer o controle da doença. 

“No momento em que se faz necessário o isolamento em casa, a orientação é que a pessoa não deixe de tomar os remédios e mantenha a conduta indicada pelo seu médico. Óbvio que, em algum momento, podem surgir dúvidas e o correto é entrar em contato com o seu especialista. Nem todos os consultórios estão fechados”, lembra José Roberto Del Sant, diretor de Provimento de Saúde da Unimed Santos. 

Segundo ele, tudo vai depender se o paciente tem ou não um quadro estabilizado e o tipo de doença que enfrenta. “Se um diabético compensado está dentro do tratamento direitinho, sem alterações, ele consegue aguardar. Agora, um paciente oncológico não pode esperar, ele precisa seguir com a quimioterapia, realizar os exames hematopatológicos. Mesma coisa quem faz hemodiálise”. 

O professor doutor Marcello Romiti, diretor técnico do Grupo AngioCorpore, avalia que, neste momento, deve-se priorizar as estruturas dos consultórios para fazer os atendimentos e evitar os pronto-socorros. “Na verdade, os problemas de saúde continuarão a existir, independentemente do coronavírus. Então, os pacientes vão continuar precisando fazer exames de urgência e procedimentos”. 

Marilene Lucinda, médica clínica do Grupo Pardini, da Capital, diz que é importante falar dos cuidados com a saúde neste momento, pois as pessoas continuam adoecendo. “Não é porque estamos em isolamento que não há risco de infartos, anginas, aparecimento de câncer... Por isso, os sintomas precisam ser investigados”.

Infelizmente, a médica sente que muitas pessoas têm descuidado da saúde, já que não querem sair de casa ou procurar o médico. "Não indico deixar de fazer exames ginecológicos, mamografias, o PSA, no caso do câncer de próstata, além do acompanhamento de idosos”.

Tudo vai depender do tipo de doença ou mesmo tratamento. Marilene, inclusive, conta um caso que presenciou recentemente. “Uma paciente diabética que não queria sair de casa deixou de tomar a insulina e teve cetoacidose diabética, precisando ficar internada na UTI. Em certos casos, é muito mais grave parar o tratamento do que sair de casa”.

Um alerta dos médicos é sobre pessoas que fazem uso de medicação contínua. “Não se pode, de maneira nenhuma, deixar de tomar os remédios. Não espere acabar para conversar com o médico. O pronto-socorro não é local correto para fazer esse tipo de prescrição, ainda mais nessa fase”, avisa José Roberto Del Sant. 

“No caso dos idosos, se eles não puderem ir ao posto buscar ou à farmácia comprar, alguém da família deve fazer isso. Uma pessoa que tem colesterol e hipertensão não pode ficar um dia sem remédio. Além disso, esses pacientes vão precisar medir a glicemia e a pressão de tempos em tempos”. 

Os laboratórios e hospitais não fecharam para quem vai colher exames ou fazer ultrassom, tomografias, lembra Marilene. “Hoje, os locais fazem uma triagem para eventual sintomatologia de síndrome gripal. A gente entende que se deve evitar exames que não são essenciais e podem ser adiados, porém, aqueles que são necessários para o início de um tratamento ou diagnóstico devem ser realizados”. 

Telemedicina 

Para Romiti, a pandemia pode trazer uma nova realidade para a Medicina. “Além da questão da própria telemedicina, acredito que teremos mais agilidade na questão das consultas e exames”. Além é, claro, de uma melhora na comunicação médico-paciente. “Acho essa relação, via aplicativos, importante para resolver determinadas questões, tirar dúvidas e para agilizar o atendimento”. 

As consultas presenciais não vão deixar de existir, mas agora, se você é uma pessoa saudável e não tem nada urgente, pode esperar mais uns meses para fazer seu check-up de rotina. “Há algumas consultas que podem ser proteladas. Já as doenças cardíacas, neurológicas 
e oncológicas precisam de acompanhamento constante”. 

Na opinião da médica, a teleconsulta, liberada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) por causa do coronavírus – e que foi ampliada para todos os pacientes –, ajuda aqueles que têm patologias crônicas. “É uma ferramenta que chega em um momento crucial e que tem sido a solução para essas pessoas”. 

Mais do que nunca é hora de se cuidar. Por isso, Marilene reforça a importância de uma boa alimentação, com itens ricos em cálcio e ferro, além da exposição ao sol. “Principalmente idosos e crianças precisam dessa atenção”.

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