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Sábado

4 de Abril de 2020

Miopia infantil: É preciso cuidado desde cedo

Doença é cada vez mais comum, porque, no dia a dia, as crianças costumam ficar bem mais tempo no celular e brincam muito pouco ao ar livre, defendem especialistas

Coçar os olhos, cerrá-los para enxergar de longe, franzir a testa. Esses são sinais que podem indicar miopia, distúrbio visual que prejudica a focalização, ou seja, faz ver imagens embaçadas, de longe.

No caso das crianças, é preciso ter mais atenção para corrigir o problema precocemente. “A miopia pode ser congênita ou começar na vida adulta. Na infância, se dá normalmente entre os 6 e os 12 anos”, explica o oftalmologista Fabrício Mourão Perino.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2050, esse será um problema comum em metade da população. E a idade escolar é o período em que ele mais se manifesta. “A miopia é mais comumente manifestada na idade escolar, quando a criança começa a ser exigida para as tarefas do colégio”, diz Marcello Colombo Barboza, professor livre docente e diretor do Hospital Visão Laser.

Segundo ele, o problema normalmente acontece porque a pessoa tem um olho de tamanho maior ou uma córnea com mais curvatura do que a média populacional. “O excesso de esforço da musculatura do olho também pode gerar a miopia”. 

Isso deve ser observado precocemente, para evitar que a criança desenvolva ambliopia ou “olho preguiçoso”, quando as vias nervosas entre o cérebro e um olho não são adequadamente estimuladas e o cérebro favorece o outro olho. “Por isso, um exame oftalmológico entre 4 e 6 anos é fundamental. Lembremos que as crianças não sabem discernir o que é enxergar dentro do normal”, observa Marcello Colombo Barboza.

O oftalmologista Fabrício Mourão reforça que não significa que o problema seja “pior” em crianças, mas que necessita de mais atenção para ser corrigido o mais rápido possível.

Segundo os especialistas, nem sempre a tecnologia favorece a miopia e, sim, a mudança de hábitos da sociedade em geral. “É muito mais comum as crianças ficarem em casa focando objetos próximos do que brincando ao ar livre”, defende Colombo Barboza.

Fabrício Mourão aponta que os exercícios feitos para enxergar são necessários nessa fase da vida. “Os aparelhos eletrônicos são considerados vilões, pois a criança tende a exercitar a visão só para perto e deixa de treinar a para longe. Esses exercícios são essenciais”.

Colombo Barboza lembra que usamos um sistema poderoso para focalizar objetos, envolvendo o músculo ciliar e o cristalino. É como se fosse uma lente em zoom de uma máquina fotográfica. Forçar demais esse sistema pode causar um estresse no músculo, gerando um estado similar à miopia. Até que, com o tempo, ela se instala. “Mas isso acontece com qualquer focalização de perto, como com livros, brinquedos e celulares”. 

A dica, portanto, é variar. “Orientamos sempre que os pais supervisionem o uso das tecnologias e orientem que os filhos a utilizem a uma distância maior do que 50cm e, a cada hora, façam uma pausa de 15 minutos para o olho relaxar. E deve-se estimulá-los a brincar em ambientes abertos, sob a luz do dia; isso é benéfico”.

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