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Quinta-feira

13 de Agosto de 2020

Isolamento aumenta a vontade de fumar

Fumantes também correm mais risco de contrair a covid-19

O isolamento social não está sendo nada fácil. E para quem fuma, esse período de confinamento pode se tornar ainda pior por duas razões: pelo aumento no consumo do tabaco e pela maior chance de contrair uma série de doenças, inclusive a covid-19.  

Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), realizada em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre o fim de abril e o início de maio, analisou justamente como a quarentena motivada pela pandemia do novo coronavírus tem afetado ou mudado a vida da população brasileira.  

O estudo ConVid – Pesquisa de Comportamento aponta que 23% dos fumantes aumentaram o consumo diário de tabaco para até dez cigarros, enquanto 5% chegam a fumar mais de 20 cigarros no prazo de 24 horas. Entre as mulheres, o crescimento foi maior: 29% utiliza até dez cigarros por dia, contra 17% no caso dos homens.  

Conheça os riscos  

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alerta que o fumo é o risco que mais podev ser controlado quando se trata do desenvolvimento de doenças cardiovasculares – que são a principal causa de morte no Brasil. Para completar, os tabagistas têm ainda de duas a três vezes mais chances de sofrer um AVCvou de apresentar a doença isquêmica do coração e a doença vascular periférica. Fora que a probabilidade de eles terem a doença pulmonar obstrutiva crônica é 12 a 13 vezes maior.  

E os números seguem preocupantes. Levantamento da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong (China) aponta que os tabagistas apresentam um risco 14 vezes maior de agravamento da pneumonia causada por covid-19 quando comparados com a população de não fumantes.  

Segundo o cardiologista Luiz Claudio Mendes Carvalho, da Centermed, o tabaco causa diferentes tipos de inflamação e prejudica os mecanismos de defesa do organismo. “Quem fuma tem maior chance de desenvolver infecções respiratórias, sejam elas por vírus, bactérias ou fungos. É sabido também que os fumantes têm sua capacidade pulmonar reduzida e, quando infectados pelo coronavírusestão mais propensos a evoluir para as formas mais graves e necessitar de entubação e de ventilação mecânica”.  

Outro fator que merece grande atenção é a maior suscetibilidade do fumante a ter um acidente vascular cerebral (AVC). “Ainda mais o isquêmico, que é aquele causado por bloqueios das artérias cerebrais, devido a disfunções nas camadas internas dos vasos, o que facilita o acúmulo de placas de gordura dentro deles.  

Nos casos de covid-19, como ocorre um grande processo inflamatório no organismo, essa disfunção acaba sendo potencializada, assim como o risco de formação de coágulos no interior dos vasos cerebrais, levando, então, ao AVC”, diz Carvalho.  

Hora de parar 

Ansiedade, estresse e depressão podem aumentar a vontade de fumar. Porém, para a coordenadora de ações relativas ao tabagismo da SBC, Jaqueline Scholzmomento atual pode ser propício para abandonar o vício. A entidade lançou, inclusive, uma ferramenta para ajudar as pessoas a pararem de fumar. 

“O Chatbot, que no nosso site (www.portal.cardiol.br) aparece como Dr. Cardiol, é uma ferramenta de automatização da comunicação, que utiliza a inteligência artificial e simula um ser humano durante uma conversa. O algoritmo, à medida que dialoga com a pessoa e vai assimilando informação, se torna cada vez mais específico e profundo na sua capacidade de interagir.  

A nossa ideia é um programa de orientação na internet, sem que as pessoas precisem sair de casa para receber dados técnicos. Assim, o uso de determinado produto para deixar de fumar tende a ser mais eficaz e efetivo”.  

Jaqueline acrescenta que o melhor caminho para os fumantes durante a pandemia é não se apavorarem e praticarem o isolamento social. “Ficar em casa é a melhor proteção, uma vez que, assim como hipertensos e cardiopatas, eles integram o grupo de risco da covid-19”. 

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