EDIÇÃO DIGITAL

Domingo

16 de Junho de 2019

Hábitos saudáveis são uma das formas de evitar o aparecimento de um câncer

Costumes corriqueiros e aparentemente inofensivos podem favorecer o surgimento de tumores malignos; listamos os principais e como eles interferem no nosso bem-estar

Mais de 600 mil novos casos de câncer devem ser registrados neste ano no Brasil. A informação, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), preocupa e nos leva a buscar meios que nos desviem de cairmos nesta estatística. Hábitos saudáveis são uma das formas de evitar o aparecimento da doença.

O oncologista Andrey Soares, do Centro Paulista de Oncologia (CPO), alerta sobre hábitos que contribuem para o aumento na incidência de câncer entre jovens, já que comportamentos nocivosà saúde têm levado ao aumento da taxa de tumores entre adultos nascidos nos anos 1990. 

“Os millennials têm o dobro de risco de desenvolver câncer no cólon (área do intestino grosso) e quatro vezes mais chances de receberem um diagnóstico de tumor no reto em comparação à geração baby boomers (indivíduos com 55 anos ou mais). Isso se deve, inclusive, a fatores como sedentarismo e ingestão de alimentos pobres em vitaminas e fibras”, afirma o médico, citando o estudo recente sobre o tema feito pela Sociedade Americana de Câncer (ACS – American Cancer Society).

“É preciso rever nossos hábitos de vida para frear as estatísticas crescentes ano a ano. O incentivo à prática constante de exercícios físicos, dieta equilibrada, consumo moderado de bebidas alcoólicas, não fumar e outras medidas simples devem ser entendidas como parte de uma política de saúde pública”, alerta o especialista.

E não é apenas o nosso comportamento diário que favorece o aparecimento de tumores. A obesidade também contribui para o surgimento de, ao menos, outros 11 tipos de câncer: esôfago, vesícula, fígado, pâncreas, rins, útero, ovário, mama, mieloma múltiplo, tireoide e próstata. “Sedentarismo, consumo aumentado de carne vermelha, fast-food, comida processada, álcool e cigarro são hábitos comuns dos jovens e que afetam a saúde”.

A explicação

O oncologista Andrey Soares fala sobre as principais consequências de cada um desses hábitos nocivos:

Tabagismo

O uso do cigarro pela geração millenials, na maioria das vezes, vem acompanhado de bebidas alcoólicas. Estimativas apontam que 75% dos pacientes com câncer de pulmão são fumantes, que têm cerca de 20 vezes mais risco de desenvolver a doença. Além disso, o cigarro ainda é responsável pelo aparecimento dos tumores de cabeça e pescoço.

Álcool

O consumo exagerado de bebidas alcoólicas deprime o sistema nervoso central, gerando impactos nocivos a diversos órgãos, como o fígado, o coração e o estômago. Pesquisa publicada no Alcohol and Alcoholism mostra que as consequências podem ser ainda maiores: basta uma dose de álcool por dia para aumentar o risco de as mulheres desenvolverem câncer de mama em 5%. A conclusão é parte de uma revisão de 113 estudos feita por pesquisadores da Alemanha, França e Itália. Para mulheres que bebem mais – três ou mais doses por dia – o risco de contrair a <QA0>
doença aumenta em 50%.

Sedentarismo

Mais de um terço dos jovens brasileiros está acima do peso, de acordo com o Ministério da Saúde. Isso também aumenta o risco de desenvolverem doenças como colesterol alto, diabetes e hipertensão arterial. Pequenos ajustes na rotina, como incluir breves caminhadas diárias, subir e descer escadas em vez de utilizar o elevador, dão um salto na qualidade de vida. A recomendação da OMS é que pessoas de 18 a 64 anos pratiquem, pelo menos, 150 minutos de exercícios moderados por semana, pouco mais de 20 minutos por dia. O excesso de peso corporal na vida adulta também pode ser considerado como um fator para o surgimento de câncer. São 14 os tipos de tumores que têm seus riscos aumentados pelo sobrepeso e pela obesidade: mama, cólon, reto, útero, vesícula biliar, rim, fígado, ovário, próstata, mieloma múltiplo, esôfago, pâncreas, estômago e tireoide.

Infecções virais

A geração de jovens e adultos com menos de 30 anos valoriza a liberdade sexual. Trata-se de um grupo que nasceu após a pior fase do HIV. Apesar de bem informados e conscientes dos riscos envolvendo doenças sexualmente transmissíveis, esses pacientes apresentam índices elevados de contágio pelo chamado papilomavírus humano (HPV). Ele atinge 75% das brasileiras sexualmente ativas ao longo da vida. O ápice da transmissão se dá na faixa dos 25 anos. Após o contágio, ao menos 5% dessas brasileiras irá desenvolver câncer de colo do útero no prazo de dois a dez anos. O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) no País inclui a vacinação contra o HPV para homens e mulheres com idades entre 9 e 26 anos.

Exposição solar

É preciso reforçar o uso do protetor diariamente, principalmente no rosto. Já na praia ou piscina é importante abusar do filtro no corpo todo, usar chapéus e evitar horários em que a incidência solar esteja mais forte. Em geral, as pessoas costumam relacionar os casos de câncer de pele exclusivamente ao melanoma, mas 95% dos tumores cutâneos identificados no Brasil são classificados como não melanoma, um índice que está diretamente relacionado à constante exposição à radiação ultravioleta (UV) do sol.