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Segunda-feira

14 de Outubro de 2019

Especialistas explicam o que é um profissional T-Shaped e como se tornar um

Um perfil cobiçado que os RHs tanto procuram hoje em dia, quem faz parte desse grupo vai ocupar as posições de liderança daqui para frente

Em tempos de “vagas magras” é muito importante saber o que quer dizer T-Shaped. O termo vem da palavra em inglês shape, que significa forma, modelo, estrutura. Já a letra T conta com uma configuração na qual duas retas se unificam para formar uma terceira coisa, como explica Lúcia Helena Cordeiro, mestre em Administração, Educação e Comunicação, palestrante comportamental, coach e escritora com quatro livros publicados e multipotencial em Gestão Humana e Organizacional.  

“O eixo horizontal representa o conhecimento amplo, multidisciplinar do profissional, abrangendo tudo o que ele sabe sobre mercado, economia, política, cenários globais que possam impactar o seu negócio e a sua empresa. E mais: a habilidade de transitar por várias áreas, como finanças, marketing e administração. Já o eixo vertical diz respeito ao conhecimento específico, técnico”, diz a expert.  

Pois bem, aquele seu colega especialista-generalista é um profissional T. Porém, para ele ser caracterizado como T-Shaped, precisa conectar cada vez mais os eixos horizontal e vertical. Ou seja, além de buscar permanente atualização numa área específica, tem de dominar outras, atuando como alguém multidisciplinar, eclético, transdisciplinar, holístico. 

“Possuir senso crítico apurado, ser questionador e analisar problemas sob diversos ângulos, não se limitar à sua especialização. Articular-se facilmente com as demais células organizacionais. Focar em soluções criativas, atingir performance acima da média. Compreender o impacto da sua ação ou inação nas demais áreas”, detalha Lúcia Helena Cordeiro. 

Como cada vez mais as empresas precisam de sinergia entre todas as áreas para acelerar resultados, estão valorizando o T-Shaped por sua visão ampliada, sistêmica do negócio. “Embora não exista um único perfil profissional procurado pelo RH”, ressalta Rubens Pimentel, especialista em carreiras, professor da Inova Business School, escola de negócios da Unità Faculdade.  

Ele acrescenta: “O T-Shaped é muito interessante em áreas e projetos que necessitem de gente com algum conhecimento profundo e, ao mesmo tempo, criatividade, visão global, compreensão comportamental”. 

Como se tornar um T-Shaped

A boa notícia, segundo Lúcia Helena, é que isso depende só de uma ação individual, além de perceber a velocidade da mudança. “É a morte definitiva da zona de conforto, exigindo aprender, desaprender, desapegar das fórmulas de sucesso no passado recente. Afinal, já dizia Heráclito, filósofo grego: ‘A única constante do universo é a mudança’”, opina a expert, completando que mais especialistas estão assumindo a liderança de projetos, processos e pessoas, o que requer pensar e agir diferente, bem como lidar com diversidades, ultrapassando a sua área de formação. 

Para quem quer ser “atraído” pelos caçadores de talentos, Lúcia Helena recomenda: 1. Leia livros, jornais, revistas (permita-se conferir a mesma notícia sob diversas tônicas); 2. Converse com pessoas de áreas de interesse e atuação diferentes das suas; 3. Procure cursos livres, variados, que agreguem valor pessoal e profissional; 4. Assista a palestras TED no YouTube; 5. Faça pós-graduação, MBA e outros cursos voltados às habilidades exigidas no futuro próximo; 6. Flexibilize-se, não se intimide frente ao novo ou pouco provável; 7. Busque o autoconhecimento e seja autodidata. 

“Se você for um profissional T-Shaped, haverá muitos espaços, e espaços cada vez mais importantes e abundantes no futuro, para desenvolver todo o seu potencial. Caso você seja um especialista ou um generalista, haverá espaço também. Porém, é preciso casar sua oferta com as demandas nas empresas, para você não prometer o que não entrega”, orienta Rubens, acrescentando que, dentro da classificação T-Shaped, existem muitas graduações.  

“Dito isso, a melhor forma de entender o quanto seu perfil está próximo dessa definição passa por duas questões: autoconhecimento e alinhamento de estudo e experiência com a demanda de posições no mercado. Então, verifique: 1. Se a sua formação lhe deu até aqui as competências verticais, que definem esse tipo de profissional, e compare com o que o mercado pede em sua área; 2. Se possui as competências gerenciais e comportamentais que completarão a dimensão horizontal desse perfil”, continua o professor. 

Por fim, Rubens afirma que as empresas estão olhando menos para a formação clássica/diploma e mais para a capacidade de execução/performance de resultados. Cada vez menos idade, sexo, origem, religião, formação importam ao mundo corporativo e, cada vez mais, o preparo tem a ver com a capacidade de ler e entender o futuro, as tendências e a inovação (que não é só tecnológica, inclui errar e corrigir algo logo), caminhando junto com propósito e realização. “Essa nova mentalidade determinará quem vai liderar times e projetos e quem vai ser liderado”, finaliza o professor.