Especialistas dão dicas para transformar um imóvel alugado sem obras ou alto investimento

Limitações contratuais podem ser um desafio e tanto quando se trata de dar uma cara nova para um imóvel alugado

Deixar um imóvel alugado com o estilo próprio nem sempre é fácil. Há contratos de locação com restrições até de mudança da cor das paredes. Outras vezes, a encrenca é dos proprietários para evitar furos para quadros. E quem nunca visitou um apartamento com antigos móveis embutidos? Nessa hora, haja criatividade para contornar a situação e fazer o lar ganhar o estilo do novo morador. Aqui, especialistas ensinam truques que ajudam na façanha.

A preocupação é crescente. Na Região Sudeste, a cada cinco moradias, uma é alugada. O dado é da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), de 2019. Ela também mostrou que, nos últimos dois anos, houve aumento de 5,3% no número de locações em todo o País.

A arquiteta Tayana Kruger observa, entre seus clientes, que a onda de dar nova cara aos alugados saltou principalmente por conta de jovens que vão trabalhar e morar sem os pais em São Paulo. Entender o que é possível mudar nos novos espaços é o primeiro passo. Depois, é mão na massa, mesmo sem obras.

Móveis

Para aluguéis de curto prazo, a dica é recorrer a móveis de linha prontos: os que encontramos montados nas lojas. Esse investimento é menor e permite escolher de acordo com o gosto, o tamanho e a personalidade de quem vai morar, indica Tayana. No caso dos móveis embutidos, a dica do arquiteto Felipe Rojo é mudar totalmente a aparência com papel adesivo, mas com atenção. “Precisa tomar um cuidado em relação à superfície onde o papel será aplicado. Retirar adesivos de locais envernizados ou pintados pode danificar os móveis. Às vezes, é melhor conversar com o proprietário antes. Caso contrário, as reversões podem custar caro ou dar trabalho”, diz. 

Texturas e cores

Se o piso não agrada ou não está bem conservado, aposte em um tapete grande. Quando combinado com cortinas e almofadas, qualquer lugar ganha mais cor e vida, explica Rojo. 

Paredes

Outra dica de Tayana Kruger é optar por papéis de parede. A maior parte deles pode ser removida sem arrancar a tinta anterior. Precisa apenas de mão de obra especializada ou de paciência. Outra indicação profissional é o uso de biombos.

Eles dividem ambientes dando mais privacidade, sem tirar a luminosidade e a circulação de ar. Esqueça os modelos antigos de madeira. Hoje, há opções treliçadas misturando materiais, incluindo peças de espelho, acrílico e mármore. 

Molduras

As de grandes formatos também são peças curingas. Elas podem contornar quadros, espelhos ou até fotos, sem furar a parede, diz Tayana. “O que tenho feito bastante é comprar espelhos grandes para aproveitar as molduras.

Pego um de 2,4 metros para um pé-direito de até 3 metros, por exemplo. A ideia não é pendurar, mas apoiar no chão. Ficam ótimos com um vaso grande entre as molduras ou juntas, dividindo a mesma imagem”, indica a arquiteta.

Felipe Rojo lembra também dos boiseries, espécies de molduras que não necessariamente deixam o ambiente clássico. “Nada impede o morador de brincar com o estilo moderno. Usei uma vez num projeto meu, que misturava prateleiras industriais e essas molduras de forma harmônica.

Há opções autocolantes simples de tirar”, diz o profissional, acrescentando que, além de modelos flexíveis, há os de gesso e outros materiais. Podem ser instalados na mesma cor ou em paredes coloridas, trazendo alegria e jovialidade ao ambiente. 

Plantas

Como nem sempre se aluga um imóvel com espaço de jardim, Tayana dá um toque importante para quem não quer se desfazer das plantas: kokedamas, técnica japonesa de envolver a raiz da árvore numa esfera de musgo, substrato e argila. “Ela não vai pingar no seu móvel, nem no chão. Vai decorar, dar um feito supercharmoso e ainda pode economizar espaço, já que a planta fica suspensa por anzóis. Usou-se muito na Casa Cor do ano passado”.

Paredes verdes são outra dica. Elas escondem uma pintura que não pode ser alterada e mudam o visual do local. Rojo ressalta que é fundamental, antes da instalação, pensar se as espécies vão se adaptar à variação de sol e sombra do lugar escolhido. Senão, é melhor optar por plantas permanentes. 

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