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Segunda-feira

19 de Agosto de 2019

Especialista fala sobre como as emoções afetam nossa saúde

Os sintomas de uma doença servem de sinal de alerta. O perdão é ponto importante nesse processo

Quando o médico e filósofo Avicena peregrinava, trouxeram-lhe um rapaz acometido de um mal que ninguém conseguira diagnosticar, nem curar.
Ele pesquisou a história recente do paciente e observou que seu coração se alterava quando mencionava o nome de determinada família. Avicena pediu, então, que citasse as pessoas daquela família. Conclusão: ao se referir a uma moça específica, o jovem ficava com a pulsação bem intensa. E sua inabilidade de demonstrar amor havia provocado uma enfermidade.
O diagnóstico de Avicena antecipou em mil anos o estudo e a comprovação das doenças psicossomáticas. Ou seja: quando as emoções influenciam nossa saúde.
Nosso bem-estar não depende apenas da sorte, da boa alimentação, dos exercícios físicos e das visitas periódicas ao médico. Também devemos cuidar e valorizar os aspectos emocionais.
Hoje, mais do que nunca, se sabe que as doenças são o espelho da alma. Segundo Freud, a história pessoal e a biografia familiar determinam na maioria das pessoas a forma e a hora de adoecer.

Perdoar é libertador. Ajuda a combater a dor, a frustração... (Foto: Arquivo)
Mas o que fazer se não somos blindados, à prova de toda e qualquer emoção? E se não somos responsáveis pela história transgeracional de nossa família?
A complexidade está justamente aí, no manejo dessa percepção, já que, muitas vezes, estamos habituados a negar dores, frustrações e crises ou, então, fazemos com que os sofrimentos sejam a mola propulsora e o verdadeiro sentido da nossa vida.

Limites e potencial
Por isso é importante termos uma visão clara e realista de nossos limites. Para tanto, devemos analisar todas as nossas potencialidades, sem falsas ilusões de superação, sem vitimização e sem se deixar levar por cobranças do meio e crenças muito arraigadas.
A lágrima que sai dos olhos na hora da separação, o grito de dor que os lábios se permitem dar são, na realidade, a expressão totalmente preventiva das doenças físicas.
Deve aborrecer ler essas linhas que colocam no nosso colo a culpa pela doença, mas, na verdade, estou apenas chamando a atenção para o seguinte: os sintomas, com seu simbolismo, têm a capacidade de nos mostrar quais são os nossos problemas e dão a chance de transformarmos a enfermidade numa grande oportunidade para rever conceitos e mudar a vida para melhor.

Perdão

Outra vertente muito importante das doenças psicossomáticas é a questão do perdão. Perdão não no sentido de nos tornarmos santos a serem exaltados e, sim, como ferramenta de libertação da dor, do ódio, da angústia e da frustração.

O coração agradece ou, quem sabe, o estômago, o pulmão...