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Sexta-feira

3 de Julho de 2020

Envelopamento pode dar um up no visual da sua casa

Técnica comum para veículos, o uso de vinil automotivo para cobrir geladeiras, ar-condicionado, máquina de lavar roupa e outros eletrodomésticos está cada vez mais presente nos lares

Muita gente já ouviu falar em envelopamento de veículos. Trata-se da ação – que nem é novidade – de revestir a lataria de um carro para mudar a sua aparência. Mas diversas pessoas desconhecem que a arquitetura e a decoração puxaram essa técnica para  aplicar nos lares. E esse resultado é ainda mais amplo. Quando envelopadas, as paredes, os eletrodomésticos e eletrônicos ganham nova característica. 

Pode-se renovar, personalizar, camuflar ou simplesmente mudar a aparência de um objeto de determinado ambiente – muitas vezes, gastando bem menos do que na pintura ou compra de um novo item.

Segundo a arquiteta Cristiane Schiavoni, os tipos mais comuns de envelopamento são os coloridos e os de efeito lousa. “Há muitas opções no mercado. A tecnologia desses materiais evoluiu bastante. Antes, pela limitação da matéria- prima ou pela dificuldade de aplicação, o uso mais comum era o de fotografias em portas. Hoje, você consegue moldar o material na peça, com um soprador de ar quente. Por isso fica tão perfeito e parece pintura”, diz ela, contando que dá para fazer em armários, batedeira, liquidificador, luminárias, ar-condicionado, coifa, entre outros.

Júnior Palácio, da @JuniorMaona Massa, que atende pelo Instagram, atua como “marido de aluguel”. Ele já envelopou de geladeiras a iates, e explica que é preciso prestar atenção na qualidade do material usado. “Principalmente se for para forno, geladeira, máquina de lavar. Tem que utilizar o vinil automotivo. Há material mais barato, como adesivo simples de papelaria. Eles se parecem, mas, no acabamento e durabilidade, são totalmente diferentes. O metro quadrado do adesivo comum custa, em média, R$ 15 e o automotivo, R$ 35. O preço varia de acordo com a cor ou a textura”, explica.

Outra dica do profissional é que, se o objeto que vai ser envelopado estiver enferrujado, precisa receber funilaria primeiro. Não dá para cobrir ferrugem e buraco com envelopamento. “É preciso lixar, passar um produto e depois começar. É como uma parede. Se tiver marcas ou o rejunte, eles aparecem”, ressalta.

Fernanda Trindade, arquiteta de Santos, lembra que, apesar de a técnica poder ser aplicada depois de uma recuperação, o envelopamento tem mais graça quando cria nova proposta de decoração. E também é uma opção a quem não pode pintar paredes ou se desfazer de nada num imóvel alugado e mobiliado. 

“Dá para tirar e voltar ao original. Por isso é importante lembrar que o correto é sempre envelopar peças inteiras. Num móvel, por exemplo, se você faz numa parte só, depois que tirar, pode ficar a marca do envelhecimento natural”.

Fernanda só indica atenção aos excessos, quando se faz o serviço sem arquiteto ou decorador. “Há gente que pensa que tudo tem que ser combinadinho. Às vezes, não é legal botar um floral no ar-condicionado junto da parede. É possível camuflar, mas com cuidado, principalmente ao optar por estampas”, diz. 

A sócia-proprietária da Tprint Gráfica e Comunicação Visual, Tatiana Shigueta, ainda lembra que é possível imprimir imagens, deixando um objeto ainda mais personalizado. Só se deve tomar cuidado ao tentar reproduzir algo que já está envelopado. “Porque não dá para garantir a fidelidade na cor. Inclusive, levamos material a mais, sempre que vamos atender um cliente, para que tudo seja feito com o material do mesmo rolo,
para ter a mesma tonalidade”.

Outra dica da especialista é se atentar aos botões. Alguns podem não funcionar se envelopados. Por isso, geralmente se aplica tinta spray neles. Já as informações dos painéis podem ser impressas. 

No projeto de Fernanda Trindade, ar-condicionado branco ficou camuflado. (Foto: André Mello)

Veja mais orientações de usos e combinações da técnica a seguir:

Estampando preferências
Se a família gosta de cinema ou tem um ar despojado, pode usar o envelopamento para evidenciar o estilo dos moradores daquela casa. Schiavoni já fez geladeiras com personagens e até a frente de uma Kombi.

Abraçando a marcenaria
Se há uma cor vibrante de destaque na cozinha, vale a pena pensar num eletrodoméstico que combine com aquilo e realce a área.

Frase da família
Muitas famílias fazem questão de colocar o máximo de elementos possíveis que representem as suas raízes e a sua história. Uma parede lousa é ótima opção para quem gosta de se expressar. E a arquiteta Fernanda Trindade destaca duas dicas importantes nesse caso. 

Uma é usar escrita já pronta, impressa, imitando giz ou, no caso da preferência pelo giz, pode-se limpar depois. “Quando se pensa em lousa, é algo para se escrever e apagar. O giz precisa ser limpo, para não manchar”. 

Combinando o seu ar com a decoração
O ar-condicionado nem sempre precisa ficar numa parede branca. Ele pode tomar qualquer cor para combinar com outro ambiente ou tonalidade de parede. Mas é preciso lembrar que, para todos os trabalhos, sempre é indicada a aplicação do adesivo por um profissional.

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