Em tempos de quarentena, bichos de estimação também precisam de atenção especial

Pets também ficam estressados com o isolamento social. Por isso, é preciso uma dedicação a mais, tanto para entretê-los quanto com relação à saúde

Ficar em casa por causa da quarentena acabou abrindo brecha para um questionamento comum a quem possui um bichinho de estimação: o que eu faço para mantê-lo entretido? 

Para quem acha que é um sonho de consumo para muitos deles estarmos em casa 24 horas por dia, aí vai um banho de água fria: nem sempre. “Os animais, assim como nós, também têm crises e ficam ansiosos por estarem em quarentena, confinados. Primeiro, porque a gente acha que eles amam a nossa presença o tempo todo em casa. Eles gostam, mas não estão habituados.

Os gatos, por exemplo, podem estar odiando todos em casa”, alerta a médica-veterinária Mayra Martins, reforçando que, sim, alguns podem até gostar, mas a chance de uma parte estranhar é bem comum.

No caso dos cães, a principal preocupação é com relação aos passeios na rua. “Eu defendo o bom senso em prol do bem-estar animal”. O alerta é consenso entre os especialistas. “Assim como nós, os cães precisam de atividade física para manter corpo e mente ativos. Quando um animal fica confinado e sem o estímulo necessário, ele pode apresentar distúrbios de comportamento, irritação e até mesmo episódios de agressividade”, aponta o médico-veterinário Aldo Macellaro Júnior.

Para que essa mudança tenha menor impacto, o especialista indica que é preciso investir no enriquecimento ambiental e cuidar para que o animal tenha estímulos. “O enriquecimento ambiental é uma forma de oferecer desafios positivos ao seu cão. As atividades estimulam a inteligência e o ajudam a trabalhar os seus instintos mais primitivos. Quando os animais não eram domesticados, eles precisavam caçar a sua própria comida e isso os mantinha em atividade”. 

Mayra Martins compartilhou com seus pacientes uma apostila, criada pela multinacional francesa Ceva. O material, disponível no site da empresa, é um guia não só com lições sobre o que fazer com os cães em casa como também dá dicas de liderança e como lidar com necessidades fora do lugar, latido e estresse (para acessar e baixar o guia gratuitamente, clique neste link e neste link aqui.

“Devemos ter um bom senso para o bem-estar animal. É preciso estimulá-los. Não é porque estamos em casa que teremos dedicação exclusiva. Muitos se encontram em home office. O sinal de alerta são comportamentos compulsivos”.

Comportamentos esses que podem se manifestar de diversas formas. Tudo aquilo que o cão não faz geralmente e começa a fazer pode ser interpretado como manifestação de que algo está errado. “Alguns dos sinais externos podem ir desde cães de 10 anos 
que passam a destruir coisas e não o faziam, lamber as patas excessivamente, tanto gatos quanto cachorros, alterações de apetite, urinar em local diferente do habitual, no caso dos gatos. Tudo isso pode ser interpretado como sinais de transtornos de ansiedade e estresse”, avisa Mayra.

Em casos extremos, há uso até de medicamentos, que devem ser receitados somente após consulta com um médico-veterinário. É essencial, também, manter os cuidados de higiene. “Controle de pulgas, carrapatos. Não dar coisas que não estão acostumados a comer, para não precisarem ir até o veterinário. Ter atenção aos vermífugos. Banhos terapêuticos, por exemplo, não devem parar, pois são questão de saúde”, reforça.

E para sair com os bichos, ainda que brevemente, o veterinário Algo Júnior dá algumas dicas. “É recomendado realizar a higienização das patas do pet sempre que voltarem para casa, além da limpeza de todos os materiais que estiveram no passeio, como coleira, brinquedos e até mesmo as roupas do tutor, que devem ser retiradas assim que entrarem na residência. São ações trabalhosas, mas que ajudam na prevenção da contaminação dos familiares. Lembrando que as patas devem ser limpas com produtos próprios ou com água e sabonete”.

Brincadeiras

Aldo Júnior dá dicas de algumas brincadeiras simples. “No mercado, há algumas soluções, como os brinquedos que soltam comida, mas você pode improvisar. Ponha um pouco de ração em uma garrafa PET, faça alguns furos e deixe o animal se divertir”, ensina. A comida aguça o faro dele, que vai fazer de tudo para que os grãos caiam no chão para devorá-lo.

Outra maneira de usar a comida como instrumento de interação é congelando alimentos que possam interessar o bichinho. Pedaços de frutas e legumes podem ser colocados em potes com água ou caldo de carne, para ficar ainda mais apetitoso. 

A ideia é que ele passe um tempo lambendo e brincando, até que seja premiado com o recheio.

Tudo sobre: