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Quinta-feira

17 de Outubro de 2019

Dieta pode influenciar no aprendizado e rendimento escolar

Ter uma dieta adequada é fundamental para obter um rendimento escolar satisfatório. Não se deve ir para o colégio em jejum e é bom ficar atento ao cardápio do dia a dia

A qualidade do que se come não só proporciona um corpo saudável. A mente também recebe uma boa turbinada quando você se alimenta de maneira adequada. 

O rendimento escolar e a rapidez de raciocínio são alguns dos benefícios de uma dieta balanceada, com maior parte de alimentos naturais e nutritivos, sem deixar nenhum deles de fora – nem o carboidrato está dispensado!

Para a nutricionista Nágila Raquel Teixeira Damasceno, diretora-executiva do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), uma alimentação saudável deve ser composta por alimentos in natura, rica em frutas, legumes e vegetais, cereais integrais, leguminosas e fontes proteicas, tudo em quantidades adequadas para cada ciclo da vida. “Crianças, adolescentes e adultos possuem necessidades nutricionais diferentes e, por isso, precisam receber a orientação de um nutricionista para ajustar a quantidade e a qualidade da dieta às necessidades de cada indivíduo. Ter uma dieta adequada é fundamental para se conseguir um rendimento escolar satisfatório. Também não se pode deixar a prática de atividade física de lado”, explica a nutricionista. 

E nada de sair para a escola sem comer. “O desjejum ou o café da manhã deve fazer parte dos hábitos alimentares saudáveis dos estudantes e ser incorporado à rotina familiar. A formação desse costume tem de constar nas orientações que os pais passam para os filhos desde os primeiros anos de vida. Uma fruta (dar preferência às da época), uma fonte de carboidratos (pães, biscoitos ou bolos feitos com cereais integrais) e uma fonte proteica (leite, queijo, ovos) precisam estar presentes nesse desjejum, ainda que em pequenas quantidades”, ressalta Nágila. 

Risco de Anemia

Fazer jejum por longas horas e “saltar” refeições são hábitos frequentes entre os estudantes, sobretudo no caso dos adolescentes. “Esse costume pode contribuir para a deficiência de diversos nutrientes. Há risco, por exemplo, de anemia ferropriva, causada por uma baixa no nível de ferro e que atinge 43% das crianças menores de 5 anos no mundo inteiro. O Brasil não possui estimativas atualizadas, mas estudos mais recentes mostram que a prevalência dela varia de 14% a 53%, sendo mais grave nas crianças menores e entre escolas localizadas nas regiões Norte e Nordeste”. 

Um outro aspecto importante a ser considerado na formação adequada dos hábitos alimentares de crianças e de adolescentes são os índices elevados de doenças como a obesidade e morbidades associadas (diabetes, hipertensão e dislipidemias), algo presente em mais de 16,7% das crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos, de acordo com informações do Ministério da Saúde. 

“Também merece destaque o risco de desenvolvimento de transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia entre os adolescentes e a seletividade extrema entre as crianças”. 

Sem mágica

Não há uma fórmula ou comida mágica que garanta resultados no rendimento escolar. “Mas, além de manter um padrão dietético variado (rico em alimentos in natura, cereais integrais, frutas, legumes e vegetais, como explicado), a hidratação, composta essencialmente por água e sucos naturais, também tem que ser estimulada entre os estudantes. Crianças e adolescentes devem reduzir e, sempre que possível, evitar alimentos industrializados, como refrigerantes, biscoitos recheados, balas, doces e sucos processados”, afirma Nágila. 

Ela acrescenta: “A participação dos pais na compra de alimentos saudáveis e o preparo deles, incluindo os estudantes nesse processo, é de grande importância para a formação de costumes alimentares balanceados”. 

Seja criterioso

Na hora do lanche escolar, a escolha do que levar para a escola também tem de ser criteriosa, sendo praticamente uma continuação dos ensinamentos que os estudantes devem ter em casa, como explica a nutricionista Ana Paula de Queiroz Mello.

“Independentemente de onde o lanche foi preparado – seja em casa, pela cantina ou pelos profissionais que cuidam da merenda escolar –, ele precisa ser composto por frutas, sucos naturais, laticínios, bolos e sanduíches com massas integrais. Devem ser evitados doces, balas, refrigerantes, sucos industrializados, frituras e alimentos similares com elevada densidade energética, além de itens contendo sal, sódio e açúcar”.

Ana Paula diz que, de acordo com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), a comida nos ambientes escolares tem de atender de 20% a 70% das necessidades calóricas diárias de cada estudante – dependendo do número de refeições servidas e do tempo de permanência das crianças e dos adolescentes na creche ou na escola. 

Doce rotina

Quando se fala em rotina, soa como algo chato, quase enfadonho, não é? Mas ela pode ser uma ótima aliada na hora da alimentação mais regrada, principalmente para crianças e adolescentes em idade escolar. “Eles devem ter uma rotina alimentar. Desjejum, lanche na escola, almoço, lanche da tarde e jantar são recomendados para esse público, sendo que as variações têm de considerar a individualidade das crianças e dos adolescentes, a presença de condições especiais (alergias, intolerâncias e outras doenças), assim como a cultura alimentar da família. A adequação a essas particularidades precisa ser orientada por um nutricionista”, finaliza Ana Paula.

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