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Sexta-feira

18 de Outubro de 2019

Diabético precisa moderar consumo de açúcar para controle da doença

A glicemia controlada no primeiro ano de diagnóstico do diabetes diminui os riscos de complicações

O grande desafio na vida de um diabético é o controle glicêmico, com medicamentos, dieta e rotina de exercícios. Agora, um estudo publicado na revista Diabetes Care aponta que manter a glicemia (açúcar no sangue) controlada no primeiro ano depois do diagnóstico do diabetes diminui o risco de complicações, como doença renal, retinopatia diabética, amputações, acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio e outros problemas cardiovasculares.

Um levantamento publicado no jornal Acta Diabetologia, feito com 6.701 pacientes brasileiros, mostra que 76% dos participantes estavam fora da meta de controle da hemoglobina glicada, uma fração que se liga à glicose. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Rodrigo Moreira, o controle glicêmico é essencial para evitar problemas sérios em um futuro próximo. “A hiperglicemia, que caracteriza o diabetes, é hoje a maior causa de cegueira, amputação não traumática de membros inferiores e diálise no mundo. Além disso, é um dos principais fatores relacionados às doenças cardiovasculares. A glicose tem memória metabólica. Quando sobe, provoca uma série de alterações que não aparecem, mas estão nessa ‘memória do corpo’. Por isso falamos que o diabetes é uma doença silenciosa”, alerta.

Os sintomas, como boca seca, quando aparecem, podem chegar somente no caso de os índices glicêmicos passarem de 300. “Com tais números, provavelmente a doença já esteja instalada há dois ou três anos. Uma forma mais preventiva de ter o diagnóstico é por exames simples de sangue”, explica Moreira. Adultos acima dos 40 anos, com sobrepeso, sedentários e com histórico de pressão e colesterol altos já devem se preocupar.

Dieta e insulina

Para o endocrinologista Ivan Cesar, o tratamento do paciente diabético deve englobar dieta balanceada, exercícios físicos de rotina e medicamentos. A insulina tem de ser usada nos pacientes que possuem o tipo 1 da doença e nos de tipo 2, somente quando existe uma falência pancreática. “A situação mais interessante e inteligente de lidar com o diabetes é atacar em várias frentes”, informa o médico.

A dieta do diabético deve ser baseada em vegetais. “Não é ser vegetariano e comer pães, arroz, farinha. É restringir amido, farinha, açúcar, frutose (açúcar da fruta) e gordura animal. Restringindo esse tipo de gordura, por exemplo, você inibe um mecanismo de resistência à insulina. A dieta mediterrânea, com vinho, peixe, azeite e folhas, também pode ajudar muito. E uma dieta assim vai ajudar na perda de peso, o que favorece bastante o organismo. Se o indivíduo perder 7% do peso, já melhora o quadro”, explica Ivan Cesar.

Além de observar a dieta e os medicamentos, se movimentar ajuda bastante, com cerca de 150 minutos de exercícios toda semana. “É necessário estimular a mudança do estilo de vida. O diabetes e as suas complicações crônicas comprometem a produtividade, a qualidade de vida e a sobrevida do ser humano, gerando vários custos diretos e indiretos.

De acordo com a Associação Americana de Diabetes, a previsão é que, em 2025, cerca de 300 milhões de pessoas no mundo terão diabetes. A maior longevidade e as mudanças nos hábitos alimentares, além do sedentarismo, são fatores que contribuem significativamente para o aumento desses índices”, alerta o endocrinologista.

Atenção

  • Confira algumas orientações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia:
  • O diabetes se caracteriza pela deficiência de produção e/ou de ação da insulina.
  • O tipo 1 é resultante da destruição autoimune das células produtoras de insulina. O diagnóstico acontece, em geral, durante a infância e a adolescência.
  • Já no tipo 2, o pâncreas produz insulina, mas há incapacidade de absorção nas células musculares e adiposas. É mais comum em pessoas com mais de 40 anos, acima do peso, sedentárias, sem hábitos saudáveis de alimentação.
  • O ideal é que a glicose fique entre 70 e 100 mg/dL. A partir de 100 mg/dL, em jejum, ou 140 mg/dL, duas horas após as refeições, considera-se hiperglicemia.
  • Se a glicose permanecer alta por muito tempo, haverá complicações de curto e longo prazo.
  • Tanto a insulina quanto a medicação oral podem ser usadas no tratamento. A insulina é sempre adotada para pacientes com diabetes tipo 1, mas também pode ser usada em diabetes gestacional e diabetes tipo 2 (quando o pâncreas começa a não produzir mais insulina em quantidade suficiente).
  • A medicação oral é utilizada no diabetes tipo 2 e, dependendo do princípio ativo, tem o papel de diminuir a resistência à insulina ou estimular o pâncreas a produzir mais desse hormônio.
  • A prática de exercícios ajuda a controlar a glicemia e a perder gordura, além de aliviar o estresse. Os diabéticos devem escolher alguma atividade física e praticá-la com regularidade.
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