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Segunda-feira

9 de Dezembro de 2019

Com talento, Helga Nemetik desponta como uma das estrelas favoritas dos jurados e do público

A atriz e cantora não só brilha no Popstar como aproveita as apresentações para mandar recados. De origem humilde, ela dedica parte do seu tempo à gastronomia

Desde a estreia da edição deste ano do Popstar, em outubro, Helga Nemetik tem despontado como uma das estrelas favoritas dos jurados e do público. O que faz com que, a cada semana, se alterne nas três primeiras posições do ranking do programa. Com uma carreira, em maior parte, dedicada ao teatro musical, a atriz e cantora também provou ter talento para a astronomia, que acredita ter herdado do pai. Vice-campeã do Super Chef Celebridades, do Mais Você, em 2017, ela ajudou na elaboração do cardápio da sanduicheria do irmão e costuma ensinar receitas de preparo fácil no canal do YouTube Cozinhando com Helga – novos vídeos, da quarta temporada, serão liberados no início de 2020. Nessa entrevista, a extrovertida carioca, de 38 anos, fala ainda do filme que rodou para a Netflix e da origem humilde na comunidade de Madureira, onde mora até hoje.

MÚSICA Você esperava se destacar tanto no Popstar, a ponto de estar entre os favoritos para ganhar o programa?

Não, essa realmente foi uma grande surpresa. Emociona saber que estou no caminho certo, que as pessoas têm gostado do meu trabalho. Desde que o Boninho (diretor) falou ao vivo no Domingão do Faustão, no Show dos Famosos do ano passado, que eu estava convocada para a próxima edição do Popstar, esperei ansiosamente pelo programa, e logo comecei a pensar nas músicas que ia cantar. Outro fruto imediato do Show dos Famosos foi ser chamada pela Claudia Raia para fazer o Chaplin, musical que ela estava produzindo na época. Todo esse reconhecimento me deixa muito feliz, dá força para seguir adiante na carreira.

O que leva em conta para escolher o seu repertório no programa?

Tive de mandar para a produção uma lista com o maior número possível de músicas que eu gostaria de cantar. Foram umas 40. Havia um pouco de tudo, pois sou bastante eclética: gosto de pop, MPB, hip hop, cantei em banda de rock no início da adolescência... Muitas canções que escolhi estavam nas listas de outros participantes. Então, acaba sendo uma decisão conjunta, minha e da equipe, de qual música tem mais a ver com a minha voz, se aquele é o melhor momento para apresentar uma determinada canção. É importante seguir uma linha, criar uma identidade. Optei por fazer performances bem no estilo de uma popstar. O programa também está me desafiando a me descobrir como cantora, a ir além da intérprete de teatro musical, que fica escondida atrás de um personagem. Tenho tantas vozes dentro de mim, estou entendendo a minha verdade musical. Eu nunca senti vontade de gravar um álbum, mas o Popstar me faz pensar em lançar um EP na internet. Tenho guardadas composições e versões minhas, em português, de músicas internacionais.

Como se prepara para as apresentações?

Por eu sempre estar fazendo musicais, as aulas de dança e canto e o treinamento com fonoaudióloga já foram incorporados ao meu dia a dia. Afinal, teatro musical é difícil de fazer, exige bastante preparo físico e dedicação. Ensaio as apresentações do programa durante a semana com os meus backing vocals e bailarinos, que são meus amigos há anos. No sábado, acontece um ensaio geral na Globo para o domingo. Procuro chegar pronta para essa passagem, porque não é mole não (risos), a competição está acirrada. Não escondo que, além de querer agradar e entreter o público, estou de olho no prêmio do Popstar (R$ 250 mil) para poder reformar a casa onde moro com a minha mãe e dar uma ajuda para a minha família. Sou do subúrbio do Rio de Janeiro, nunca deixei a comunidade de Madureira. Só tenho a minha mãe hoje. Já perdi os meus avós, que moravam com a gente, e o meu pai. Batalho desde cedo para poder viver da minha arte e conseguir sustentar a família, dar condições melhores para eles.

Você tem aproveitado algumas das suas performances para mandar mensagens.

É verdade. Gosto de cantar músicas que não sejam apenas bonitas, mas que me representem e tenham um discurso, digam algo. Estou lá no palco do Popstar para também inspirar meninas e mulheres. Mesmo com tantos nãos que recebi na carreira, por não me encaixar nos padrões estéticos impostos pelo mercado, não desisti. Foi por isso que escolhi para uma das minhas apresentações Esse Brilho É Meu, da Iza. Perdi muitos trabalhos por não ser magra ou bonita o suficiente, por não ter olhos azuis... Vivo de dieta até hoje, e recentemente emagreci 15 quilos, porque, infelizmente, quando estamos acima do peso, diminui a quantidade de papéis que podemos pegar. Para ajudar, precisei fazer uma cirurgia para retirar a tireoide, o que atrapalha bastante o metabolismo da mulher.

ORIGENS O que veio antes: a atriz ou a cantora?

Comecei a fazer curso de piano aos 13 anos. E como estudei em internato, também cantei no coral do colégio e da igreja adventista. Quando terminei o segundo grau, voltei para casa e decidi correr atrás do teatro, pois havia entendido que era artista, que era isso que me faria feliz. Me formei atriz no Tablado. Apesar de ter participado de algumas peças, por adorar cantar e dançar, sempre acabei me envolvendo mais com o teatro musical. A maioria dos espetáculos que fiz na minha carreira são musicais. Costumo receber convites para trabalhos assim primeiro. Aí, quando sou chamada para outros tipos de produção, não posso aceitar, por já estar comprometida. Mas tenho consciência de que preciso fazer peças mais diferentes. Sempre que dá procuro exercitar outras linguagens na companhia de teatro de rua Enviezada.

Qual sua análise da situação atual do teatro musical brasileiro?

Ele tem crescido bastante. Acho maravilhoso realizarmos várias montagens de espetáculos da Broadway, para que pessoas que ainda não foram para Nova York (EUA) – me incluo nesse grupo – possam ter a chance de conhecer essas produções. Mas a gente precisa fazer mais musicais 100% nacionais, investir nesses projetos.

HUMOR Como surgiu a oportunidade de integrar o elenco do Zorra Total por dez anos?

Vou te falar que nunca imaginei que um dia faria humor, não tinha planos em relação à comédia. O Zorra foi algo que meio que caiu no colo. Estava interpretando a Evita Perón em um musical e o Maurício Sherman (que foi diretor do programa e tinha paixão pela Evita) acabou assistindo ao espetáculo. Para minha surpresa, ele me convidou para o Zorra, pois gostou do meu trabalho. Lembro que perguntei: “Mas o senhor me achou tão risível assim? Estou fazendo um drama, uma mulher que morre...” Ele disse que ia me aproveitar nos quadros musicais. Aprendi demais nos dez anos em que participei do programa – inclusive a como ser comediante – e, com o tempo, o Sherman passou a me escalar também para os quadros não musicais. A morte dele foi uma grande perda que tivemos neste ano. Além de mestre, o Sherman foi meu amigo. Ele ajudou muita gente. Como homem originalmente de teatro, sempre respeitou o palco. Por isso adiantava as cenas minhas e dos colegas que estavam em cartaz para que nós não perdêssemos a sessão naquele dia.

Tem projetos em paralelo ao Popstar?

Estou em cartaz no Rio com o musical Brilha La Luna, que tem canções da banda Rouge. Curiosamente, eu participei do reality que o SBT fez para formar o grupo, só que fui eliminada na semifinal. Neste ano, ainda rodei Modo Avião, filme que será lançado em 2020, na Netflix. Tenho muita vontade de fazer mais longas, até porque sou formada em Cinema. Na faculdade, cogitei largar a interpretação para me tornar diretora, mas, ao filmar um roteiro que escrevi para trabalho de uma disciplina do curso, entendi que não conseguiria deixar de ser atriz.

CULINÁRIA Já gostava de cozinhar antes de participar do Super Chef Celebridades em 2017?

Sim. Eu sabia preparar algumas coisas, pois meu pai era um grande cozinheiro. Me recordo de, ainda pequena, ficar observando enquanto ele fazia as receitas dele. Mas nunca tive a pretensão de investir na gastronomia. Prova disso é que somente aceitei o convite para o Super Chef Celebridades para poder prestar uma homenagem ao meu pai, que havia falecido e tinha o sonho de abrir um restaurante. O que aconteceu é que, durante a competição do Mais Você, me dei conta de que gosto de verdade de culinária e, para ajudar, tenho dom para a cozinha, provavelmente herdado do meu pai. Me empolguei bastante com essa experiência e o título de vice-campeã do Super Chef. Na sequência, fui chamada pela jornalista Ruth Teixeira, que é de Santos, para comandar um programa de gastronomia que ela estava produzindo para a web. Assim nasceu o canal do YouTube Cozinhando com Helga, onde sou eu mesma, com meu jeito descontraído e brincalhão, e ensino receitas bem fáceis de preparar.

Vai com frequência para a cozinha?

Toda vez que a agenda permite. Cozinhar para mim é um ato de amor. Nas datas especiais, como os dias das mães e dos namorados, faço questão de preparar um almoço ou jantar caprichado para as pessoas da minha família e o meu noivo. A culinária se tornou uma questão dentro de casa. Meu irmão abriu recentemente o Pão de Alho do Gordo em homenagem ao nosso pai e o estabelecimento está fazendo o maior sucesso no Rio. As receitas das pastas de alho dos sanduíches foram desenvolvidas por mim, pelo meu irmão e pela minha irmã.

Qual é a sua especialidade?

Gosto de preparar pratos salgados, petiscos e lanches. Não ligo muito para doce. O Cozinhando com Helga também me aproximou de Santos, proporcionando uma das experiências mais incríveis da minha vida, que foi cantar no baile da Acausa deste ano, acompanhada da Orquestra Heliópolis. Vou guardar essa recordação para sempre.

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