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Terça-feira

25 de Junho de 2019

Cestos ganham destaque nos projetos de decoração com versatilidade e funcionalidade

Os cestos são aposta certeira para quem quer dar um up na decoração. Práticos e encontrados em vários materiais, eles se acomodam em qualquer cômodo da casa

Se a função de guardar objetos já tornava os cestos imprescindíveis, agora eles reinam nos projetos de decoração, esbanjando versatilidade e funcionalidade. Por estarem disponíveis em diversos materiais, tamanhos e formatos, fica bem fácil encaixá-los nos ambientes.

A designer de interiores Tássia Pereira, do escritório TT Interiores, diz que as pessoas cada vez mais buscam itens multifuncionais e os cestos atendem bem essa necessidade. “Por isso, eles se destacam na decoração atual”.

Sócio-fundador da Mariutti Casa, de São Paulo, o designer de interiores Adriano Mariutti lembra que os cestos de junco ou cipó sempre estiveram ligados ao nosso cotidiano, desde a antiguidade. “Atualmente, essas peças têm sido muito mais valorizadas, pois são feitas à mão, alguém usou de seu tempo para confeccionar algo que aprendeu. Essa ação traz maior harmonia para o espaço”.

Um exemplo disso são os cestos encontrados no Restaurante Sítio 17, na Ponta da Praia.

“Como a casa é sustentável, trabalhamos ao máximo a questão do ecologicamente correto. Temos um mercadinho de produtos artesanais. Pensei em agregar valor ao artesão local, em vez de ter cestas industrializadas”, conta Alice Kinjo Okumura, nutricionista e responsável pelo local.

Para tanto, ela recorreu a uma amiga artesã que trabalha com fios de malha de reaproveitamento: Amanda Ferreira, da Carmô Ateliê, que topou fazer os cestos para o restaurante. “Eles custam R$ 65 (cada) e acomodam muito bem pães, itens de banheiro, servem também como organizadores de fios...”.

A arquiteta Carla Arigón Felippe, que assina o projeto da Loja Brasilidades, vai além e afirma que o mundo globalizado empurra para as pessoas uma enxurrada de coisas idênticas. “Não importa para onde você viaje, acaba encontrando vários itens iguais. Por isso, tudo o que é feito localmente e pelas mãos de um artesão ganha valor, por ajudar a contar a história da região. O design brasileiro foi muito beneficiado por esse novo padrão de pensamento, de escolher algo com uma assinatura própria”. 

Na dose certa

E não faltam materiais para produzir os cestos. “Madeira, palha, ráfia, corda, cerâmica e ferro são alguns”, frisa Tássia Pereira. Adriano Mariutti prefere os naturais, como algodão, couro, além da madeira. 

Na opinião de Tássia, o cesto combina com qualquer tipo de decoração. “A única diferença vai ser o material, que pode deixá-lo requintado ou mais simples. Se você quiser algo com um ar mais chique, há modelos de cerâmica”.

Mariutti acrescenta que todos os materiais podem conversar entre si no ambiente. “Acho que a graça é justamente misturar estilos, como algo mais nobre junto de uma peça com quê de simplicidade. Tudo pode se encaixar em função do lugar ou da disposição dos elementos”.

Como diz Tássia, os cestos são aliados muito bons no living, para a organização de objetos. “Também ficam ótimos no banheiro e no quarto, mas, na verdade, podem ser utilizados em todos os ambientes”.

Carla Felippe complementa: “A cestaria ganhou o mundo, porque as pessoas descobriram maneiras incríveis de usar essas peças, seja para guardar os brinquedos no quarto da criança, roupas para passar no living, uma manta no quarto do casal, revistas na sala... Elas até podem ser convertidas em abajures. Já virei várias de cabeça para baixo e coloquei iluminação, criando sombras com tramas lindas”.

Para obter esse aspecto decorativo, ainda vale apostar em modelos coloridos e diferenciados ou deixar algum adorno sobre eles, como plantas e livros.

Por seu caráter multifuncional, os cestos também podem ser aproveitados como mesas de apoio e dispostos, inclusive, na parede – sugestão de projeto da decoradora e paisagista Silvia Camargo. Enquanto o arquiteto Guilherme Torres aposta nessas peças para depositar roupas molhadas e sujas no banheiro. 

O segredo para o cesto não ficar over é comparar o seu tamanho com as dimensões do ambiente. “É preciso ter bom senso para não deixar modelos grandes demais em espaços pequenos”, alerta Tássia.
Adriano Mariutti reforça que o mais importante é fazer a peça não só ter função como ser integrada ao cômodo.

“Como os ambientes estão menores, recursos como os cestos são sempre bem-vindos para ganhar espaço em casa”.