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Sábado

17 de Agosto de 2019

Cantora Isabela Lima, a Iza, relembra complicado início de carreira

Artista fala do desafio de fazer os programas Música Boa Ao Vivo e The Voice Brasil

Dona de uma voz potente e de um estilo marcante, Isabela Lima, a Iza, é apaixonada por música desde pequena. Mas demorou para acreditar que seu inegável talento possibilitaria uma carreira bem-sucedida. Graças à influência familiar – principalmente da mãe –, a carioca de 28 anos começou a cantar ainda na infância. Nessa época, aliás, costumava cobrar R$ 1 de cada parente ou amigo que quisesse assistir a uma das apresentações que organizava em casa – e, com o dinheiro que ganhava nos shows, comprava doces! Um pouco depois, mais exatamente aos 14 anos, Iza passou a cantar no coral da igreja e em retiros, o que rendeu convites para participar de eventos. Só que, com o diploma de Publicidade em mãos, deu um tempo na música e foi trabalhar primeiro como editora de vídeos e, a seguir, com marketing. Em 2015, infeliz com o rumo que a sua vida havia tomado, resolveu largar tudo para focar na paixão pela música e abriu um canal  no YouTube, com covers de artistas badalados, que não só chamaram a atenção do grande público como renderam contrato com a Warner Music. A partir daí, vieram hits como Ginga e Pesadão, o álbum de estreia, Dona de Mim, e a oportunidade de apresentar os programas Música Boa Ao Vivo, no Multishow, e SóTocaTop, na Globo, além de dublar Nala em O Rei Leão e participar da trilha sonora do live action da Disney. “Emprestar a minha voz para a personagem foi um prazer, uma emoção sem igual. Eu fiquei muito satisfeita com o resultado”, diz a cantora e compositora, que, no próximo dia 30, vai dar mais um passo na carreira que está construindo: substituir Carlinhos Brown no time de técnicos da oitava temporada do reality show global The Voice Brasil. Na entrevista a seguir, Iza, que casou em dezembro com o produtor musical Sergio Santos, fala também dos cuidados que tem com a sua imagem, do processo de transição capilar e das bandeiras que levanta, entre elas a luta pelo  empoderamento da mulher e contra o racismo. 

TELEVISÃO O que está achando de comandar neste ano, de novo, o Música Boa Ao Vivo?

A adrenalina sempre vai existir. Fazer um programa ao vivo dá aquele friozinho na barriga, mas eu adoro. Ensaio todos os textos, as músicas de cada artista, tudo o que vou cantar em cada semana. É um trabalho que vai além de estar diante da câmera, na hora do ao vivo. E o programa ainda tem lives na internet, logo após a exibição no Multishow. Essas transmissões na web me fazem lembrar um pouco a época em que resolvi focar na música e abri canal no YouTube (em 2015) com covers de outros artistas, o que me deu projeção.

Por causa do Música Boa Ao Vivo, você teve a chance de comandar o SóTocaTop, na Globo, com o Toni Garrido neste ano. Qual foi a sua reação ao receber o convite para apresentar mais um programa?  

Fazer o SóTocaTop foi algo completamente diferente e novo para mim, porque é um programa na televisão aberta. Mas vou te falar que não hesitei na hora em que a Globo me chamou. Pelo seguinte motivo: como cantora, acho que o SóTocaTop é excelente para a indústria da música. É muito importante a gente ver como estão todos os gêneros, como cada um tem crescido.

Ser apresentadora era algo que estava no seu radar?

Eu nunca tinha cogitado isso. Se a carreira de cantora já era algo distante para mim, quando era mais nova, imagina apresentar um programa... Mas tenho recebido bastante carinho das pessoas, estou feliz demais com os dois desafios.

E o desafio na TV, pelo jeito, só vai aumentar, pois você foi escolhida para substituir o Carlinhos Brown na nova temporada do The Voice Brasil

Fiquei lisonjeada por terem pensado em mim. Sempre quis saber o que cada técnico sentia na hora de decidir se vira a cadeira ou não para o candidato. O The Voice é um programa que muda vidas e tenho certeza de que poder orientar pessoas que querem entrar no mercado da música, assim como fui orientada lá atrás, vai mudar o meu olhar como artista e agregar muita coisa boa para a minha vida.

FAMÍLIA O que foi essencial para, como diz uma de suas músicas, se tornar “dona de si”? 

Minha mãe sempre falou que o meu lugar é onde eu quiser estar, que quem sabe o melhor para mim sou eu. Na minha opinião, o essencial foi bem isso: A gente ser quem quiser ser, dizer o que precisa ser dito e confiar em si mesmo.

Foi difícil para decidir largar a carreira na publicidade para investir 100% na música?

Eu estava infeliz com o que vinha fazendo. Trabalhava na área há tempos, só que não sentia prazer em ir para a agência. Então, comecei a pensar o que queria fazer para o resto da vida, mesmo que fosse de graça. E a música foi a única resposta que vinha à mente. No início, foi difícil, sim, porque meu salário ajudava na renda de casa. Eu quase pensei em desistir, mas a minha mãe não permitiu. Ela nunca me recriminou por querer mudar de profissão e, quando as coisas apertaram, não me deixou procurar outro emprego que não fosse o de me dedicar à música.

Se pudesse dar um conselho para a pessoa que tem medo de seguir seus sonhos, qual seria?

Não tenha medo de tentar. Planeje, corra atrás e trabalhe por isso.

O que despertou a sua paixão pela música? 

A minha família sempre foi ligada à arte e muito musical. Desde pequena, já tinha modelos para me espelhar. A minha mãe é professora de música. O meu primo trabalha como meu diretor musical, ele começou comigo quando resolvi fazer os vídeos do YouTube. Na minha família, ainda há um musicoterapeuta. Portanto, a música acabou sendo um caminho natural para mim.

As apresentações que fazia para a família para poder ganhar dinheiro para comprar doces e as experiências cantando no coral da igreja também devem ter pesado bastante na sua formação musical. 

Acho que tudo contribuiu um pouco. As reuniões de família e com os amigos sempre acabaram em música. Eu fazia altos shows na garagem de casa e cobrava R$ 1 de quem quisesse assistir a cada uma dessas apresentações. Mas, apesar de cantar desde pequena, não enxergava isso como uma profissão.

Qual é a importância da fé na sua vida? 

Ela é imprescindível. A fé, definitivamente, me move.

CRIAÇÃO Seu marido, o Sergio Santos, é produtor musical. Vocês falam muito de trabalho?

A gente sempre está fazendo algum trabalho juntos. O Sergio, por exemplo, foi quem produziu o meu disco de estreia, o Dona de Mim. A música Brisa, que lancei recentemente, é do Sergio também.

Com a agenda tão corrida, tem conseguido compor ou gravar material novo?

Sim! Já tenho algumas músicas guardadas, parcerias bacanas estão vindo por aí. Eu não paro nunca de pensar em coisas novas.

O que costuma fazer no seu tempo livre? 

Gosto de ficar em casa, com a minha família, o meu marido e os meus amigos. Fazer um churrasco, jogar conversa fora.

BELEZA Os seus figurinos são estilosos. Participa da escolha de tudo o que tem a ver com o seu visual? 

Sempre gostei de moda, sou de acompanhar o que rola nesse mundo. E ajudo a escolher tudo o que se refere à minha imagem, nada é feito sem a minha participação. A Bianca Jahara, minha stylist (e ex-BBB), entende o meu jeito, o meu estilo.  A gente fica mandando referências uma para a outra e pensa parecido, então esse processo é bem prazeroso. Ela me ajudou a sofisticar o meu olhar e entender exatamente o que queria passar com as minhas roupas.

É muito vaidosa? 

Eu sou só um pouco vaidosa. Faço bastante condicionamento físico, procuro fortalecer bem os músculos, por causa da dança nos shows. Para completar, me alimento de modo saudável e durmo direito. Na minha bolsa, não pode faltar água termal, utilizo sempre. A água de coco também é fundamental, para minha pele e meus cabelos. Porém, gosto de dizer que, independentemente do que os outros usam e recomendam, cada um deve descobrir o que é melhor para o seu corpo.

Qual é o seu balanço da transição capilar?  

Tem sido um processo longo... Mas estou muito feliz com o resultado, adorando essa fase.

ENGAJADA Você tem se mostrado uma artista que se posiciona e que levanta bandeiras. Como vê as questões do empoderamento feminino e do racismo hoje em dia?

Olha, eu já sofri preconceito por ser negra, mas, atualmente, a fama acaba me protegendo desse tipo de situação. Quanto ao empoderamento feminino, acredito que temos obtido várias conquistas em prol da mulher. Só que, em ambos os casos, ainda falta um longo caminho a ser percorrido.

No ano passado, você e a Maria Gadú regravaram Um Amor Puro, do Djavan, para o Dia Internacional do Orgulho LGBTI+. Sente que, com o seu trabalho, também colabora com essa causa?

Claro. Tem sido muito importante ouvir o retorno das pessoas sobre o meu trabalho e a minha postura. Eu me preocupo bastante com o que falo, com quem me relaciono. E só possuo uma noção exata do papel que exerço na vida do público quando tomo conhecimento das vivências que os outros tiveram com a minha música, da experiência que tiveram lendo uma entrevista minha ou do que sentiram quando me viram na televisão. É especial saber que algumas pessoas me consideram uma representante delas.