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Quarta-feira

22 de Maio de 2019

Adriane Galisteu retorna como rainha de bloco na Bahia: 'Eu sou do carnaval'

Atriz volta à folia no bloco Os Mascarados, de Margareth Menezes; apresentadora fala ainda da sua ONG e da dedicação à família

O Carnaval ocupa um lugar especial na vida de Adriane Galisteu. E os números dela relacionados à festa impressionam: já são 17 anos de Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, um ano desfilando em São Paulo e cinco trabalhando na folia de Salvador, na Bahia. Isso sem contar as vezes em que apenas se divertiu no meio da multidão. Após passar um tempo distante do agito do Carnaval, para focar na família, Adriane volta ao posto de rainha do bloco Os Mascarados, em Salvador, na próxima quinta-feira e ainda planeja um retorno à Sapucaí em 2020.

Feliz com o feedback positivo pelo trabalho em O Tempo Não Para – a sua primeira novela na Globo –, a atriz e apresentadora não mede esforços para se tornar uma artista completa e versátil. Tanto é que, em paralelo ao programa Papo de Almoço, na Rádio Globo, e ao canal do YouTube #Sem Filtro, se prepara para fazer seu primeiro curta-metragem. Na entrevista, a paulistana de 45 anos fala, entre outros assuntos, da sua ONG, A Cara da Vida, destinada a pessoas com aids; do casamento – vivido intensamente – com o empresário da moda Alexandre Iódice, e mostra o quanto mudou e amadureceu, ainda mais depois da chegada do filho, Vittorio, de 8 anos.

Carnaval
Como é a sensação de voltar a ser rainha do bloco Os Mascarados?

Fui rainha do Mascarados em 2009, último ano em que a Margareth Menezes comandou o bloco e, agora, retorno junto com ela. Sempre amei o Mascarados, por incentivar as pessoas a irem fantasiadas e brincarem de uma forma lúdica. Já fui várias vezes para o Carnaval de Salvador: saí nos blocos da Ivete (Sangalo), da Claudinha (Leitte), do Chiclete com Banana; também apresentei a transmissão da Band, nos cinco anos em que fui contratada da emissora. De algum jeito, o Carnaval sempre faz parte da minha vida. Foram 17 anos de Marquês de Sapucaí (Rio de Janeiro), um ano desfilando em São Paulo, cinco anos trabalhando na festa da Bahia mais uns dois anos em que curti como foliã em Salvador, na pré-adolescência. Eu sou do Carnaval, ele mexe demais comigo. Tanto que, mesmo quando estou distante dessa animação toda, fico atrás de notícias sobre a festa em todo o Brasil. Não imagino uma vida sem Carnaval, sou daquelas que extrapola, que decora os sambas-enredos e as músicas do verão de Salvador e sou fã da Ivete, da Claudinha, da Daniela Mercury e da Margareth. Elas estão presentes na minha vida particular, como amigas. Você já desfilou até grávida, em 2010 no Rio.

Por causa da gestação do Vittorio, chegou a pensar em ficar longe da Sapucaí naquele ano?
Não tinha a menor chance de isso acontecer, pois estava engatando um desfile atrás do outro, como rainha de bateria. Nunca vou me esquecer desse momento, foi uma emoção enorme, o Carnaval mais especial de todos. E a minha escola, a Unidos da Tijuca, ainda foi campeã! Deu muito trabalho para fazer a fantasia, tive de usar um maiô confortável e ajustável, porque a barriga estava crescendo (do terceiro para o quarto mês). Eu me jogo no Carnaval. Danço, pulo e, só quando chego em casa, percebo que estou acabada, mancando, com o pé sangrando. Mas, ao desfilar grávida, tomei um cuidado maior. Aproveitei a Sapucaí de um modo diferente, olhei mais para as pessoas, fui mais calma na avenida.

Foi logo depois que o médico a obrigou a ficar em repouso absoluto?
Foi, e me senti culpada, me cobrei bastante por isso. Mas acredito que teria passado pelo repouso de qualquer maneira, o desfile apenas acelerou as coisas. Lembro que não podia sair de casa, ficava praticamente sem me mexer, e não consegui comprar uma peça sequer do enxoval do Vittorio. Foi difícil para mim, porque me senti bem a gravidez inteira, não tive enjoos, nem dores, e mesmo assim, precisei ficar deitada. Era uma sensação estranha, ainda mais que sou superativa, que gosto da minha vida sem tempo e sem rotina. Foi aí que comecei a entender o amor incondicional que a maternidade traz. Após o Vittorio nascer, desfilei mais um ano, fora de forma, só que muito feliz. Na sequência, decidi me afastar, pois, quando você é rainha de bateria, o seu Carnaval começa em outubro e, com um filho pequeno, eu não tinha mais uma agenda que comportasse tantos compromissos com a escola de samba. Queria estar com o Vittorio, aproveitar o máximo de tempo com ele. Em 2016, como o meu filho estava maiorzinho, voltei à avenida, sem fantasia, no último carro, ao lado da velha guarda da Portela, que sempre foi a minha escola do coração. Fiquei sete anos nela, depois cinco anos na Rocinha e cinco na Tijuca.

Família
Pelo jeito, é uma mãezona, do tipo que procura participar de tudo que envolve o filho.

Não teria como ser de outro modo, o Vittorio é a minha prioridade absoluta. Tento dar o meu melhor na criação dele. Todo ano, ainda recebo convites para desfilar na avenida, porém tenho recusado para poder viajar com a família. Afinal, a semana do Carnaval é quando conseguimos uma brecha na minha agenda, na do Alexandre (Iódice, marido) e na do Vittorio para isso. Basta ver que, antes de ir para o bloco Os Mascarados, a gente passou uns dias nos Estados Unidos. Agora, em 2020, pode ser que eu aceite o convite para retornar à avenida (risos). No próximo ano, quero levar o Vittorio, pela primeira vez, à Sapucaí, para ficar pertinho das escolas, na frisa, que é um lugar onde amo estar.

Se pudesse,teria mais filhos?
Claro. Depois que você experimenta a maternidade, vê que aquilo é tão bom, tão maravilhoso que se pergunta: “Onde é que estava com a cabeça que não engravidei antes?” Somente tenho coisas incríveis para contar. Surgem um amor e um medo que você nem sabia que tinha dentro de si.

Confira a entrevista completa na edição deste domingo, 3 de março de 2019, de AT Revista.