EDIÇÃO DIGITAL

Quinta-feira

9 de Julho de 2020

A importância da respiração em tempos de covid-19

A respiração é um processo involuntário de quem está vivo, mas prestar atenção nela pode trazer mais saúde e bem-estar

A respiração é algo tão natural que a gente nem percebe. O que é ótimo, pois significa que tudo vai bem com a sua saúde. Fisiologicamente falando, respirar é permitir a entrada de ar para os pulmões e, consequentemente, oxigenar todo nosso organismo. Mais do que isso: a respiração ajuda a regular a temperatura, o Ph do sangue e a liberar água.

“Trata-se de um mecanismo em que inspiramos para a entrada do ar e expiramos para a retirada do gás carbônico. Isso é chamado de troca gasosa, fundamental para a homeostase (estabilidade) sanguínea”, explica a pneumologista Lesiex de Maria Pereira da Costa. 

Nunca falou-se tanto de respiração como ultimamente, já que a falta de ar é um dos principais indicativos da covid-19. “Isso ocorre devido a infiltração que acomete os pulmões, por um processo inflamatório agudo. É uma sensação angustiante, em que os pacientes relatam a impressão de estar se afogando no seco, podendo evoluir para uma entubação”. 

Sabemos, no entanto, que essa doença não é a única em que o paciente fica sem ar. Há, por exemplo, a asma, que ocorre quando vírus ou bactérias atacam as vias respiratórias e obrigam o paciente a utilizar medicamentos para ajudar na simples tarefa de respirar. Existe, ainda, uma outra doença bem conhecida e que, em tempos de isolamento social, pode surgir com frequência: o transtorno de ansiedade. 

“A ansiedade pode gerar a sensação de falta de ar, mas desaparece quando a pessoa se distrai ou muda o foco da atenção para outra coisa”, comenta a otorrinolaringologista Maura.

Neves, doutora em Ciências da Saúde pelo Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Quando há falta de ar verdadeira, ocorre cansaço ao andar e falar
por exemplo”, explica ela. 

Lesiex acrescenta que há exames que comprovam tais diferenças. “Temos o exame físico. No oxímetro de pulso do paciente infectado pela covid-19, cai a saturação. Já em quem está com uma crise de ansiedade, a saturação é normal. Além disso, se formos aumentando a investigação, pedimos uma espirometria (prova de função pulmonar), exames de imagens”. 

Cuidar da respiração, portanto, nunca foi tão importante. E existem medidas simples nesse momento: “Lavar o nariz diariamente ajuda a remover vírus e bactérias que podem provocar doenças respiratórias, como gripes e resfriados. Esse cuidado com as chamadas vias aéreas superiores é fundamental, especialmente nos dias mais frios e secos do outono e do inverno”, alerta Maura. 

Até a limpeza é uma tarefa essencial para ser feita, já que as pessoas têm passado mais tempo em casa. “Mantenha os ambientes limpos e arejados, abra janelas e deixe o ar entrar”, diz Maura.

Fique ligado

Tudo bem que a respiração é um ato involuntário, mas não significa que você não possa prestar atenção nela para se sentir melhor. Como diz  a psicóloga Ludmila Rohr, respirar pode ser muito mais do que isso. “A gente costuma respirar apenas para sobreviver, para não morrer. Agora, respirar pensando em qualidade de vida é uma decisão”. 

A baiana, que atualmente mora nos Estados Unidos, faz todos os dias, às 17 horas (horário de Brasília), uma live 
no Instagram
 com uma aula de respiração. 

“Em tempos de confinamento e isolamento social, as pessoas podem se sentir sufocadas. Desde por razões físicas, asma, crises alérgicas até por motivos psicológicos. Uma pessoa alegre respira profundamente, grande. Uma deprimida respira pequeno, pouco. Já alguém ansioso respira rápido e curto... O nosso estado emocional reflete imediatamente na nossa respiração”, arremata.

Tudo sobre: