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Sábado

16 de Novembro de 2019

Oficinas de musicalização potencializam estudos em Cubatão

Projeto orienta professores da rede municipal de Cubatão a usar a música para melhorar o interesse e o aprendizado de estudantes

Quem canta consegue espantar os males, já diziam os mais antigos. E a experiência que um grupo de professores da rede municipal de Cubatão está vivenciando comprova o dito popular. Promovido pela Associação Vozes da Arte, o projeto Canto Mágico - Oficinas de Musicalização para Professores está ajudando os docentes a combater um bom combate nas escolas. 

O objetivo é oferecer ferramentas para aulas mais lúdicas, dinâmicas e com maior potencial de envolver, a fim de facilitar o aprendizado dos estudantes. Assim, se espantam os fantasmas da indisciplina e da falta de atenção ou engajamento dos alunos, melhorando o aprendizado. 

Segundo a coordenadora do projeto, Sonia Maria da Silva Onuki, a ideia da ação é ajudar o professor a fazer a diferença em sala de aula. “O profissional aprende, por meio das linguagens musical e cênica, diversas possibilidades para desenvolver com o aluno, independentemente da disciplina”, afirma. Tudo de forma lúdica. 

As aulas são gratuitas e, durante o ano, a turma de docentes se divide em oficinas de expressão cênica e vocal, repertório, educação musical, musicalização para bebês e construção de instrumentos.
“Se a criança tem dificuldade em leitura ou cálculo, através das atividades rítmicas, melódicas ou cênicas, podem se desenvolver. O professor aproveita esses recursos para desenvolver as suas próprias técnicas, ampliando a sua atuação na sala de aula”, avalia Sonia. 

As aulas acontecem em diferentes dias da semana, inclusive, aos sábados. Conforme Juliana Goes, regente do Coral Canto Mágico e professora de expressão vocal e repertório, atualmente, são atendidos cerca de 250 professores. Apesar de a música fazer parte do dia a dia, ela é usada com foco e direcionamento no projeto. “Não é a música pela música. A ideia é ir além das canções comerciais e aumentar o repertório dos professores e, consequentemente, dos alunos.” 

Mais do que isso, o projeto também traz a possibilidade de trabalhar as canções por meio das letras, como em textos, ou ser ferramenta para melhorar a coordenação motora ou a expressão corporal, por exemplo. 

“Essa geração digital, muitas vezes, tem dificuldades em desenvolver a expressão corporal e até mesmo de reconhecer as emoções pelas expressões físicas. Então, essas questões também podem ser trabalhadas com a música”, considera Juliana. 

No projeto, o professor Germano Luiz Blume Neto está à frente da oficina de confecção de instrumentos (Foto: Irandy Ribas/ AT)

Voz 

Outra preocupação nas oficinas é ajudar o professor a usar e preservar uma ferramenta fundamental para o seu dia a dia: a voz. 

“A gente ensina não só aquela voz encantadora e envolvente que pode ser usada na contação de histórias, mas como usar a voz no cotidiano sem terminar o dia sem ela”, diz a regente.

 

Docentes querem incentivar aluno a tomar a iniciativa

Elizabeth Faria é professora de Educação Infantil. Ela sabe que sempre tem a musiquinha para tomar o lanchinho, para chegar ou ir embora. A ideia é tornar esse processo mais rico com os ensinamentos aprendidos nas oficinas. “Trabalhamos muito com música, mas eu queria mais técnica”, afirma.

Para Veronica Melo Lima, professora do Ensino Fundamental I, as oficinas oferecerão ferramentas importantes para ajudar o professor a trabalhar o protagonismo do aluno. 

“Você não traz quase nada pronto. Nesta oficina, por exemplo (confecção de instrumentos), vamos aprender a levar uma aula em que eles vão poder produzir, experimentar, se envolver. E é exatamente isso de que, nós professores, precisamos.” 

Edlene de Melo Silva é formada em Letras, está terminando o curso de Pedagogia e tem certeza de que as oficinas do Coral Canto Mágico serão um subsídio e tanto para suas futuras aulas. “Vai ajudar muito porque a música incentiva a imaginação, desenvolve a capacidade motora, incentiva os laços afetivos”, considera. E o mais importante, diz Edlene, é que a música e as atividades não precisam ser direcionadas a uma determinada disciplina: é possível serem aplicadas em todas.

 

Maneira simples de usar a música

Desde 2009, quando começou a trabalhar com musicalização infantil, Sonia Onuki afirma que percebeu a dificuldade de professores em compreender e se valer dessa área, apesar do interesse que a música desperta neles. 

“Muitos têm a música apresentada de forma inatingível ou se sentem impotentes diante de uma linguagem específica e complexa. Por isso, fui buscar uma maneira acessível de eles utilizarem a música”, explica a coordenadora. Acessibilidade, inclusive, no uso dos materiais.

O professor Germano Luiz Blume Neto está à frente da oficina de confecção de instrumentos. Nas aulas, os professores são desafiados e orientados a montar instrumentos musicais com materiais descartados. 

“Claro que existe a questão da economia. Mas, com o aprimoramento das atividades, percebemos a questão da durabilidade. Depois, o quanto fabricar o instrumento permite uma troca de conhecimento importante entre os próprios professores e também entre professor e aluno, durante a aula.” 

Além disso, a oportunidade de o professor aprender a criar é praticamente o primeiro passo para que ele incentive seu aluno a inventar também, desenvolvendo a criatividade e a autoestima. “A nossa proposta enxerga a educação como um processo integral e humanístico”, afirma.

 

 

 

 

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