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Segunda-feira

9 de Dezembro de 2019

Coleta de óleo usado transforma alunos com a educação ambiental

Projeto Tô de Óleo conscientiza há oito anos estudantes de Praia Grande, suas famílias e comunidade; colégio no Boqueirão vira ecoponto

Dar o destino correto ao óleo de cozinha utilizado no dia a dia de centenas de casas, além de envolver comunidade escolar, famílias e vizinhança em hábitos cada vez mais sustentáveis. Estes são os frutos do trabalho desenvolvido há oito anos pelo Colégio Recanto Educacional, no Bairro Boqueirão, em Praia Grande, que virou um ecoponto com o projeto Tô de Óleo.

As atividades foram idealizadas pela professora Viviane Cristina Vinagre, durante uma atividade com alunos de 6 e 7 anos. “Eu vi uma notícia sobre o impacto do óleo de cozinha nos mares e a importância de destiná-lo corretamente após o uso, nunca jogando-o na pia”. 

Em um primeiro momento, a ideia foi debater com os estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental o impacto ambiental de um hábito doméstico enraizado em muitos lares, realizar uma campanha de recolhimento entre eles e, com todo o óleo arrecadado, fabricar sabão.

“Foi um sucesso e, no ano seguinte, os alunos que chegaram ao 1º ano tinham ouvido falar do projeto e também quiseram uma ação”. Foi desta forma que o Tô de Óleo acabou caindo no gosto dos mais jovens e se estruturando como uma atividade permanente da escola. 

Parte do material coletado na escola vira sabão com os estudantes (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

 

Multiplicadores 

“É importante não jogar óleo na pia porque ele pode ir para o mar e matar os animais marinhos”, explica Joab Batista, de 6 anos. Com um conhecimento que pode ser comparado a uma sementinha que, certamente, dará como fruto um cidadão mais consciente. Mais que isso: traz impactos para o presente.

O pai de Joab, por exemplo, tem uma van de churros e utiliza muito óleo durante sua jornada de trabalho. Com os conselhos do filho, tem destinado corretamente o material. 

Manuela Rocha Dias, de 6 anos, garante que contou à mãe tudo o que aprendeu nas aulas e, agora, o óleo usado para fritar batata não vai mais para a pia. Assim, como na casa de Ana Luiza, também de 6 anos. 

“A ideia não é que eles aumentem o consumo de óleo, claro. Nós não incentivamos isso. O foco é o descarte correto. O que conversamos aqui, eles levam para casa. Teve aluno que fez cartaz sobre o assunto e colocou no prédio para compartilhar o conhecimento”, conta Viviane. 

 

Alerta
Apesar de ser utilizado no preparo dos alimentos, o óleo de cozinha não pode ser descartado da mesma forma que os demais resíduos orgânicos, muito menos ir para ralo.

Devido às substâncias insolúveis em água presentes na sua composição, quando descartado de maneira incorreta, o óleo de cozinha pode obstruir encanamentos e poluir as águas, afetando significativamente a qualidade da vida marinha.

 

Crianças abraçam a causa

O projeto é construído e aperfeiçoado o tempo todo. Isso porque, diariamente, um aluno “ajudante” convida três amiguinhos para visitar cada uma das salas de aula e perguntar se alguém tem óleo para entregar.

Rafaela Vinagre, de 10 anos, entregou sua contribuição aos alunos do 1º ano. “A minha avó sempre frita algo e a gente já combinou o que fazer: ela coloca o óleo em uma garrafa e eu trago tudo para a escola”. 

O colégio já tem um cantinho em que um galão de 50 litros já fica separado. “Toda vez que enchemos o galão, chamamos uma empresa especializada que recolhe e faz a destinação correta do material”, explica a diretora do Recanto Educacional, Marcia Regina de Andrade e Silva. 

Na última segunda-feira (18), a missão de recolher o óleo foi do ajudante do dia Heitor Silva Santos, de 6 anos, que ao lado de Luiz Felippe Kristimas da Costa, Emanulle Cristina Leite Mendes da Silva e Marina Pereira do Vale, encheram mais um pouco o galão. 

Uma vez por ano, como parte das atividades do projeto, alguns litros do total arrecadado de óleo são usados para a fabricação de sabão. 

“Em alguns momentos, a classe também visita a vizinhança, explicado o projeto, falando da importância ambiental de ter esse cuidado com o óleo e avisando que somos um ecoponto”, detalha a coordenadora Adriana Aurora Pascoal de Almeida. 

A diretora lembra que “a escola tem o poder de transformar. Não é só a matéria, mas sim um ensino transformador”.

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