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Segunda-feira

9 de Dezembro de 2019

Autoridades discutem mobilidade urbana na Baixada Santista no ciclo A Região em Pauta

Encontro trouxe especialistas para tratar dos principais problemas de mobilidade enfrentados pela sociedade civil

A locomoção pela cidade, a integração de diferentes modais e como fazer para torná-los mais acessíveis à população foram temas de dois painéis do ciclo A Região em Pauta, evento promovido pelo Grupo Tribuna nesta segunda-feira (25). O encontro foi o último do ano e o 32º do projeto iniciado em 2016.

Para discutir a mobilidade urbana, o primeiro painel ‘Os gargalos da mobilidade’ trouxe a coordenadora da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem), Raquel Chini; o prefeito de Peruíbe e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), Luiz Maurício; e o coordenador de Logística e Transportes do Movimento Inova Baixada Santista, professor Rafael Pedrosa.

Os três especialistas concordam que é necessária uma maior integração entre as prefeituras para que os problemas do setor possam ser solucionados. Além disso, assuntos como a regulamentação de aplicativos de transporte, acessibilidade, melhorias no transporte coletivo, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre Santos e São Vicente e planos para o futuro da mobilidade urbana também foram abordados no evento.

Discussão

Para o prefeito de Peruíbe e presidente do Condesb, Luiz Maurício, a pauta vem de encontro com uma necessidade essencial de toda a Baixada Santista. “Acredito que investir na mobilidade com planejamento é ajudar no desenvolvimento da região”, disse. Ele explica que, com um plano, é possível fomentar economicamente a melhoria daquilo que a cidade já oferece, “no caso de Cubatão, a área industrial, e em Peruíbe e Bertioga, o turismo, por exemplo”.

Luiz Maurício defende que economia local é fortalecida por um sistema de mobilidade urbana planejado (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

A coordenadora da Agem, Raquel Chini, acredita que o maior desafio quando o assunto é mobilidade urbana vem da falta de integração entre os projetos do Poder Público. “É preciso integrar os nove municípios [da Baixada Santista] em um plano metropolitano. Falar de mobilidade urbana não é só o deslocamento em si, estamos falando de saúde, qualidade de vida e acessibilidade. É preciso reduzir o tempo de viagem, para que as pessoas possam usar esse tempo de uma forma melhor, com saúde, educação e com a família”, acrescenta.

Raquel Chini considera que integração entre prefeituras é essencial para a elaboração de um plano unificado de mobilidade urbana (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Rafael Pedrosa, coordenador de Logística e Transportes do Movimento Inova Baixada Santista, afirma que vem desenvolvendo projetos com vistas à mobilidade na região. Ele avalia que há desníveis entre as cidades, o que o preocupa, já que os investimentos e propostas não estão interligados, e por isso algumas cidades apresentam déficit com relação a outras no que diz respeito à mobilidade urbana. “Para ser sustentável, é preciso interligar. É preciso um plano de mobilidade conjunta, investimentos que se comuniquem. O maior desafio, no momento, é uniformizar o desenvolvimento da mobilidade”.

Rafael Pedrosa afirma que vem desenvolvendo projetos com vistas à mobilidade na região (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Mobilidade urbana no Brasil

No segundo painel, com o tema ‘Mobilidade em São Paulo e no Brasil’, participaram o vice-presidente de Mobilidade Urbana da Federação Nacional de Prefeitos (FNP) e prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, bem como o representante da Secretaria de Estado de Transportes Metropolitanos, Carlos Romão Martins. O prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, também marcou presença.

Paulo Alexandre ressaltou a importância do tema, já que houve um aumento populacional nas cidades, e a expectativa é de um crescimento ainda maior, gerando, assim, a necessidade de novas alternativas de mobilidade. "Temos aqui na região características que nos permitem investir em novos modais. Somos a primeira região do país a investir em VLT, que agora parte para a segunda fase. Há, também, os transportes aquaviários e a nova entrada da cidade como alternativas". Ele ainda citou que o município tem planos para expandir a integração entre os transportes coletivos.

Carlos Romão, Paulo Alexandre Barbosa e Felício Ramuth no fórum A Região em Pauta (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Sobre a nova entrada da cidade, o prefeito informou que foi possível antecipar a inauguração de um dos viadutos, que deve ser aberto para circulação ainda nesta semana. "A previsão era para o início do ano que vem, mas conseguimos antecipar, o que deve ajudar, inclusive, nesta temporada de verão na cidade".

Felício Ramuth pondera que o futuro trará mudanças significativas na forma como os transportes são utilizados pelos cidadãos. “As políticas públicas e os serviços de mobilidade urbana serão os que mais irão mudar entre cinco e dez anos. Isso porque nós temos hoje os aplicativos, a eletromobilidade, veículos autônomos. A mobilidade como serviço, e uma série de tendências que demonstram que futuramente a forma de ir e vir será transformada nas cidades para atender a população. Assim, é necessário que haja maior flexibilidade nas políticas públicas”, conclui.

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