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Segunda-feira

17 de Junho de 2019

A Região em Pauta discute o tema 'Preservar para desenvolver'

Especialistas pedem novo olhar do empresário para recuperar o patrimônio histórico no Centro; tema foi debatido no A Região em Pauta

Um novo olhar dos empresários para recuperar o patrimônio histórico é o que defendem os especialistas que estiveram no projeto A Região em Pauta, promovido por A Tribuna. Para eles, além de leis de incentivo, é preciso direcionar os investimentos. Preservação e desenvolvimento foram os temas debatidos ontem.

Uma região servida pelas principais linhas de ônibus e com espaço para receber novos edifícios ou ter os antigos revitalizados. Esse é o Centro de Santos, na visão dos especialistas. Exemplo de lugar que deveria receber investimentos.

“O empresário precisa enxergar nessas regiões todo o seu potencial. Precisa olhá-las não só como um terreno livre, mas ver se aquilo é melhor para habitação, para comércio ou para serviços”, diz Ronald do Couto Santos, vice-presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa).

O promotor do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Daury de Paula Júnior, cita o exemplo da Espanha, que utilizou uma lei feita há quase 80 anos para incentivar investimentos da iniciativa privada em áreas degradadas.

“Na última licitação, só faltaram as redes internacionais de hotéis se baterem para ver quem administrava. Os hotéis são do estado, patrimônio público, geridos pelo privado. É uma lei que existe desde 1940, não é nenhuma novidade”.

Apoio

Sobre as leis de incentivo que já existem, como o Alegra Centro, eles defendem que as medidas são modernas, mas precisam de pequenas adequações.

“Acho que o grande desafio para a gente ter sucesso na revitalização do Centro de Santos está, justamente, em agregar valor. Fazer com que essas leis de incentivo passem a ser utilizadas por aqueles que têm direito e que se tornem mais simples e mais fácil de serem utilizadas”, completa o vice-presidente do Condepasa.

Ricardo Andalaft, diretor da Faculdade de Arquitetura da São Judas - Unimonte, sugere investimento em educação para que essa visão não se perca.

“O que a gente percebe é a falta de brasilidade. Não existe um apego à família, uma raiz. Então, é muito difícil falar de patrimônio para um público que não tem vínculo. Como conscientizar que aquilo é a história dele e que vai permanecer por gerações?”.

Investimento e preservação, de mãos dadas

O investimento de indústrias e empresas na região precisa estar atrelado à preservação do meio ambiente. Dessa forma, além de incrementar a economia, será possível, também, atrair mais turistas para a Baixada Santista, desde que haja mais opções de entretenimento.

O engenheiro agrônomo Sérgio Pompéia, que é também presidente e fundador da Consultoria, Planejamento e Estudos Ambientais (CPEA), cita os passeios pela Estrada Velha de Santos e pela hidrelétrica Henry Borden, construída sob a Serra do Mar, para lembrar de atrações ainda pouco explora das na região.

“Um patrimônio público que a gente não pode conhecer nem desfrutar. Nãopodemdescermuitos visitantes (são no máximo 200 por dia) porque pode impactar (o meio ambiente). Então, a gente perdeu um pouco o senso crítico das coisas”, reclama.

Para ele, nãoexisteapossibilidade de falar de desenvolvimento econômico sem sustentabilidade. “Isso requere, minimamente, qualidade ambiental e de vida para as pessoas”, afirma o especialista.

Na opinião do engenheiro agrônomo e consultor ambiental, Warwick Manfrinato, atualmente há três palavras-chave quando o assunto é desenvolvimento: preservação, conservação e proteção.

“Preservação é um conjunto de ações no dia a dia para o nosso patrimônio. Conservação é deixar intocado. Já a proteção é feita pela mãe, pelo pai, pela polícia e pelo governo”.

Planejamento social

O promotor do Ministério Público Federal, Antônio José Molina Daloia, afirma que desenvolvimento com preservação também passa por planejamento social, para evitar que áreas sejam degradadas.

“O poder executivo tem que fazer planejamento territorial. Nãobasta você chegar lá e falar que aquela pessoa está ocupando o mangue e largá-la na rua com os filhos. Algumas acabam indo para a criminalidade”, afirma. “Qual o sentido de sermos uma nação de cidadãos ricos, mas que nunca conseguem alavancar essa riqueza para a sociedade?”.