Anatércia Romano, Thaynara Moraes, Vanessa Toledo, Gabriela Lousada, Thayssa Nusa (Yuri Truffe) "Infância é só o lugar onde a gente pisa a vida inteira." A frase da psicóloga Gabriela Lousada ajuda a entender por que falar sobre crianças nunca é apenas falar sobre infância. É falar sobre os adultos que elas vão se tornar. Sobre a forma como aprendem a lidar com frustrações, construir relacionamentos, fazer escolhas e enxergar o mundo. Ao lado de Thaynara Moraes, Thayssa Nusa e Anatercia Romano, Vanessa Toledo recebeu Gabriela para um bate-papo sobre comportamento, desenvolvimento humano, parentalidade e os desafios de educar em uma realidade completamente diferente daquela vivida pelas gerações anteriores. Mas uma pergunta atravessou boa parte do programa: será que os adultos estão preparados para formar as crianças que vivem o mundo de hoje? O mundo mudou (e mudou muito) Quem cresceu brincando na rua, voltando para casa apenas quando as luzes dos postes acendiam, dificilmente imaginaria que um dia o maior medo dos pais estaria dentro de casa. Se antes a preocupação era não saber onde a criança estava, hoje muitas famílias convivem com uma dúvida diferente: o que ela está vendo, consumindo e aprendendo quando está conectada? Para Gabriela, o desafio vai muito além do celular. Segundo ela, crianças e adolescentes estão sendo expostos a uma quantidade de informações para a qual muitas vezes ainda não possuem estrutura emocional, cognitiva ou psicológica suficiente. Por isso, mais importante do que decidir quando liberar o acesso é garantir que exista diálogo, orientação e presença ao longo desse processo. Todo mundo quer fazer parte Uma das perguntas que Gabriela mais escuta no consultório é simples: com que idade eu libero o celular? A dúvida parece estar relacionada apenas à tecnologia, mas envolve questões muito maiores. Thayssa Nusa contou que o filho chegou a preparar uma apresentação em slides para defender a criação de um perfil no Instagram. A situação arrancou risadas, mas ilustra um cenário cada vez mais comum dentro das famílias. Muitas vezes, o desejo de estar nas redes sociais não nasce apenas da curiosidade, mas da necessidade de pertencimento. Ter um perfil, acompanhar tendências, assistir aos mesmos vídeos e participar das mesmas conversas passou a fazer parte da vida social de muitas crianças e adolescentes. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação dos pais com privacidade, exposição e segurança. Segundo Gabriela, antes de discutir a idade ideal para liberar uma rede social, é preciso preparar a criança para entender o ambiente que ela está prestes a acessar. Afinal, nem sempre ela consegue identificar sozinha situações de risco ou reconhecer quando está ultrapassando limites importantes. Anatércia Romano, Thaynara Moraes, Vanessa Toledo, Gabriela Lousada, Thayssa Nusa (Yuri Truffe) A gente está ensinando crianças a não esperar? Durante muito tempo, esperar fez parte da infância. Esperar o desenho começar, esperar o aniversário chegar, esperar juntar dinheiro para comprar alguma coisa. Hoje, essa relação com o tempo parece diferente. Foi nesse ponto que Thayssa Nusa trouxe uma reflexão interessante: antes mesmo de aprender educação financeira, uma criança precisa aprender que nem toda recompensa acontece imediatamente. A observação ampliou o debate. Se os próprios adultos têm dificuldade para esperar uma mensagem, uma entrega ou uma resposta, como ensinar paciência para quem ainda está aprendendo a lidar com as próprias emoções? Para Gabriela, a questão vai muito além das telas. O problema não é apenas o acesso rápido à informação, mas a construção de uma lógica em que tudo precisa acontecer agora. Nesse cenário, a frustração deixa de ser vista como parte do desenvolvimento e passa a ser encarada como algo que deve ser evitado a qualquer custo. E é justamente aí que mora o risco. Sem aprender a esperar, a criança também deixa de desenvolver habilidades importantes, como persistência, tolerância à frustração e capacidade de enfrentar dificuldades. Gabriela Lousada (Yuri Truffe) Nem tudo que a criança quer, ela precisa Um tema que costuma gerar dúvidas e conflitos em muitas famílias: qual a diferença entre cuidar e ceder? Ao compartilharem experiências pessoais, as tricoteiras falaram sobre a dificuldade de encontrar equilíbrio entre proteger os filhos e permitir que eles desenvolvam autonomia. Em muitos casos, o desejo de oferecer tudo aquilo que não se teve na infância pode acabar produzindo o efeito contrário. Gabriela chamou atenção para a importância dos limites e para a necessidade de explicar as decisões. Mais do que simplesmente dizer sim ou não, a criança precisa entender os motivos. É nesse processo que ela aprende a escolher, assumir responsabilidades e desenvolver pensamento crítico. Afinal, autonomia não nasce quando alguém recebe tudo o que deseja Ela nasce quando existe espaço para aprender, errar, tentar novamente e compreender as consequências das próprias escolhas. Quando a família fala línguas diferentes O impacto das divergências familiares na educação das crianças é um assunto polêmico. Anatercia Romano trouxe exemplos de situações vividas na área jurídica envolvendo pais separados que adotam regras completamente diferentes dentro de casa. Enquanto um impõe limites, o outro libera. Enquanto um acompanha, o outro ignora. E, no meio desse conflito, está a criança. Segundo Gabriela, não é necessário que pai e mãe pensem exatamente igual sobre tudo, mas é fundamental que exista coerência. Quando os adultos não conseguem estabelecer acordos mínimos, a criança passa a receber mensagens contraditórias sobre comportamento, responsabilidade e limites. Pais e filhos nem sempre falam a mesma língua A dificuldade de comunicação entre pais e filhos também entrou na pauta. Thayssa Nusa chamou atenção para uma realidade comum em muitas famílias: nem sempre os adolescentes conseguem expressar o que estão sentindo, pensando ou enfrentando. Em alguns casos, os pais também não sabem como interpretar mudanças de comportamento ou encontrar caminhos para iniciar determinadas conversas Foi nesse contexto que surgiu a discussão sobre orientação parental, um trabalho que busca aproximar famílias e criar formas mais saudáveis de comunicação. Segundo Gabriela, compreender uma criança ou adolescente exige olhar para muito além do comportamento. Família, escola, amigos e todo o ambiente ao redor fazem parte dessa construção. O adulto de amanhã está sendo construído hoje Em diferentes momentos do programa, as participantes voltaram à mesma questão: comportamento não surge do nada. Ele é construído. Pelas experiências vividas, pelos exemplos observados, pelas conversas que acontecem dentro de casa e também pelas ausências. Por isso, quando falamos sobre infância, não estamos discutindo apenas uma fase da vida. Estamos falando sobre o futuro e sobre os adultos que essas crianças serão daqui a alguns anos. E sobre a responsabilidade coletiva de ajudá-las a desenvolver não apenas conhecimento, mas também autonomia, senso crítico, empatia e capacidade de enfrentar o mundo real. Pra guardar na caixinha A infância não fica para trás. Ela acompanha a forma como cada pessoa aprende a se relacionar, fazer escolhas e enxergar o mundo. Limites, frustrações e autonomia não são obstáculos ao desenvolvimento. São parte dele. Em um tempo de respostas rápidas e estímulos constantes, ensinar uma criança a esperar, escolher e lidar com consequências pode ser tão importante quanto qualquer aprendizado acadêmico. Os adultos de amanhã estão sendo formados pelas experiências, pelos exemplos e pelas conversas que acontecem hoje. Previsões de Junho com Mah Ocroch Como acontece em todo primeiro programa do mês, Mah Ocroch voltou ao Tricotáh para compartilhar as energias e tendências de junho. E como junho é o mês dos geminianos, a conversa começou justamente por eles. A energia do portal 06/06 reforça temas como escolhas, posicionamento, comunicação e movimento. Características bastante ligadas ao signo de Gêmeos. Entre a vontade de abraçar mil possibilidades e a necessidade de escolher um caminho, junho promete ser um mês movimentado, pincipalmente para quem costuma viver dividido entre diferentes opções. E o recado das cartas foi claro: é hora de encerrar ciclos, aprender com o que ficou para trás e abrir espaço para o novo. A carta do Caixão apareceu como alerta para mudanças que já não podem mais ser adiadas. Segundo Mah, nem todo encerramento precisa ser visto de forma negativa. Muitas vezes, é justamente o fim de uma etapa que permite o início de outra. Já a carta dos Livros trouxe uma energia bastante favorável para estudos, cursos, novos aprendizados e desenvolvimento pessoal. Para quem está pensando em tirar um projeto da gaveta, começar um hobby ou investir em conhecimento, a primeira quinzena de junho tende a ser especialmente positiva. A carta da Cegonha completou a leitura trazendo movimento, novidades e oportunidades. Em outras palavras: junho promete tirar muita gente da zona de conforto. Mah também destacou a força do portal energético 06/06, uma data ligada a intenções, clareza e direcionamento. Para ela, é um período interessante para definir objetivos, fortalecer propósitos e concentrar energia naquilo que realmente se deseja construir. Mas vale aproveitar esse impulso principalmente até a segunda quinzena do mês. Depois disso, a aproximação de Mercúrio Retrógrado pode trazer alguns desafios extras para comunicação, deslocamentos, acordos e planejamento. Traduzindo para o bom português: se puder resolver, organizar ou iniciar algo importante antes disso, melhor. Mah Ocroch (Yuri Truffe) Onde assistir O episódio completo já está disponível no canal do Tricotáh no YouTube. E claro: toda semana tem episódio inédito, novos convidados e muito assunto para tricotar. Link do youtube: https://youtu.be/rmX3BXPxPdU?si=ExlI9w0bB5wmGt1K