<p data-end="431" data-start="102">Por que renegar a cultura e a história do movimento negro a algo apenas de nicho? Pois buscar formas de expandir esse conhecimento, calcado em bons exemplos e muita representatividade. Esse é o caminho a ser seguido, na visão de quem lida diretamente com a arte preta. A ocupação de espaços é vista como uma necessidade absoluta.</p> <p data-end="781" data-start="433">“A cultura aqui na Baixada Santista é bem diversa e bem ativa, mas existem algumas demandas, como dificuldade de acesso e a falta de recurso. As informações não chegam para as pessoas que não fazem parte diretamente desse nicho. Essa bolha é muito difícil de furar”, afirma a afrocineasta e fotógrafa Bete Nagô, vencedora do Curta Santos deste ano.</p> <p data-end="1070" data-start="783">Para ela, os editais e políticas de fomento são recursos para ampliar a visibilidade da cultura afrodescendente. “É onde tem a oportunidade de alcançar recursos, convidar nossos parceiros, montar equipes e fazer a informação chegar”, pontua, lembrando a importância do letramento racial.</p> <p data-end="1523" data-start="1072">“A gente atua com carinho, conversa, mostra que não é mimimi, que a questão do racismo não é estrutural, mas histórica. A partir do momento que a gente coloca como estrutural, deixa os nossos antepassados de lado. Estamos engatinhando, é pouco tempo de abolição. Então tem todo o histórico, a sociedade vem trabalhando para agir, recriar e sempre estar repetindo as questões raciais”, acrescenta Bete, que destaca a educação como parte desse processo.</p> <p data-end="1715" data-start="1525">“A cultura, o audiovisual e a literatura, a arte como um todo, são ferramentas importantes para essa nova geração. Porque elas estão mais abertas, estão mais disponíveis, dispostas a ouvir”.</p> <p data-end="1737" data-start="1717"><strong data-end="1737" data-start="1717">Para além da dor</strong></p> <p data-end="2109" data-start="1739">Julie Lua, poeta e escritora, entende que a palavra sobre o negro tem tanta força que não pode ficar restrita. “É importante entender que as mulheres negras podem escrever para além da dor. Enquanto isso, as periferias estão repletas. Basta ver os slams que brotam. São lugares de resistência que vão se transformando e vão produzindo novos escritores e novas escritas”.</p>