[[legacy_image_286563]] Os convidados foram unânimes ao dizer que existem elementos que podem adiar um possível surgimento de demências. E uma das coisas mais importantes neste sentido é a socialização. Ou seja, ter contato com pessoas e fazer amigos é imprescindível para um envelhecimento saudável. A psiquiatra e psicogeriatra do Hospital das Clínicas Natália Rossi explicou como o convívio com outros indivíduos influencia a saúde mental. “Estudos mostram que a sociabilidade amplia as redes neurais, sendo uma das formas de construir e aumentar a reserva cognitiva. Tudo que nos estimula cognitivamente, fisicamente e emocionalmente amplia esta reserva e, através disso, adiamos o aparecimento ou diminuímos o risco de desenvolver doenças neurodegenerativas”. Ainda sobre estímulos, Paulo Wandenkolk, o diretor do Supera – Ginástica para o Cérebro, empresa que atua com treinamentos mentais, declarou que o melhor exercício para quem está em busca de uma melhora das faculdades cerebrais é mesmo o convívio com diferentes indivíduos. “Nós treinamos por horas os alunos em atenção, memória, raciocínio, visão espacial e flexibilidade mental, mas, principalmente, o lado social, que é o maior exercício cognitivo. É mais complexo entender o próximo, ouvir a palavra de alguém, perceber e colocar sua opinião, respeitando uma opinião diferente”, disse. Dentro de tudo isto, Natália ressaltou que, para se atingir resultados positivos, o ideal é que a pessoa idosa faça novas amizades. “Não só (com gente) da mesma idade, mas com os mais jovens, havendo uma troca mais horizontal, de forma que o jovem ajude o idoso em uma questão tecnológica, mas o idoso passe sua experiência de vida e aprendizado. Tudo isso contribui para a ampliação das nossas reservas”. FelicidadeFinalizando o assunto, a assistente técnica da gerência de Estudos e Programas Sociais do Sesc-SP, Rosângela Barbalacco, falou que a interação não só preserva a saúde mental, como também gera mais alegria. “Um estudo americano pegou meninos de 13 anos e os acompanhou até os 70. Queriam descobrir o que era essencial para a felicidade e quem viveu mais. Viveu mais quem tinha melhores relações afetivas, com família, amigos e se relacionava melhor com as outras pessoas”, contou. Tecnologia ajuda, e idosos se conectamUm elemento que pode contribuir para a socialização do público idoso é a tecnologia. Os muitos recursos que possibilitam o contato e interações diminuem distâncias e permitem a criação e a manutenção de novas amizades. Compreendendo este cenário, uma das convidadas de A Região em Pauta atua, há quase 10 anos, para levar inclusão digital a esse público mais velho. Mônika Gargantini, cofundadora do site Divertidosos, que completa uma década em outubro. Ela afirmou que seu portal sempre deu “importância à tecnologia associada à socialização. Acreditamos que, através dela, reunimos as pessoas”. Exemplo de IniciativaProva disso se viu ao longo da pandemia da covid-19, quando o projeto deu início a uma ação chamada Pandebingo. “Era uma atividade virtual, um bingo, com prendas doadas. Desenvolvemos o bingo pela plataforma Google Meeting, para que as pessoas pudessem se ver e conversar entre si”, explicou, contando, na sequência, uma história. “Uma ganhadora, em junho de 2020, postou uma foto dos prêmios no Facebook. A filha, de São Paulo, entrou em contato, perguntando se ela estava saindo para jogar bingo em plena pandemia. Ela falou que não saiu de casa e que jogou pelo celular”, disse.