Oferecer espaço a culturas negligenciadas ao longo do tempo, como a dos povos originários e afrodescendentes, é a chance de perpetuar histórias de luta e representatividade. Buscar meios para isso, como a utilização de editais e presença nos fóruns de discussão. E buscar apoio num poder público que busca engajamento e entendimento dessas demandas. Assim, com várias lições de casa, transcorreu o último A Região em Pauta deste ano, projeto do Grupo A Tribuna que completou 10 anos em 2025. O palco não poderia ser mais indicado: a Casa das Culturas de Santos, no bairro Vila Nova. Ali, com o som de uma cidade em movimento como companhia, as discussões movimentaram a casa de 125 anos que foi reformada e entregue no ano passado. Ponto para a preocupação sobre cultura e seus vários aspectos. “Em Cubatão, a gente tem um escritor chamado Afonso Schmidt, que escreveu um romance onde contou a vinda dos ex-escravizados semanas após a abolição, do interior de São Paulo para a Baixada Santista, que formaria os quilombos do Jabaquara e do Pai Felipe. Essa é uma história que pouca gente sabe, pouca gente se lembra”, conta o professor, escritor, pesquisador e cineasta Douglas Gadelha, ao colocar uma situação recorrente: a invisibilidade de determinados povos e suas histórias. “É importante olhar para esse lugar cultural, o futuro é ancestral. A gente não consegue olhar mais adiante se não reconhecer tudo o que foi já produzido, de tudo o que já esteve aqui”, acrescenta a poeta e escritora Julie Lua, acompanhada pela gestora cultural Denise Covas. “As culturas indígena e afrodescendente são um patrimônio fundamental na formação do Brasil, que historicamente foram invisibilizadas e até folclorizadas”. Para a secretária de Cultura do Estado, Marília Marton, o desafio que tem a cultura como participante importante é juntar a sociedade civil, o terceiro setor, poder público e empresas. “Não é barato manter tudo isso, apesar de entender que é um grande investimento”, acrescenta a secretária. (Alexsander Ferraz/AT) A casa é de todos Para o escritor e curador do local, Flávio Viegas Amoreira, a realização do fórum na Casa das Culturas de Santos foi de “enorme simbolismo”. “O mais importante fórum de pensamento e ação do litoral paulista fazer seu encontro num espaço plural de pertencimento artístico e intelectual, neste casarão de 125 anos construído para o desenvolvimento econômico deste eixo vital a brasilidade. Nossa luta é a mesma de A Tribuna e Pinacoteca Benedicto Calixto: acessibilidade Cultural, arte contra a barbárie”.