(Imagem Ilustrativa/ Unsplash) Que tarde mágica o depoimento histórico de Nuno Leal Maia na Casa das Culturas para uma plateia embevecida por sua trajetória e doçura juvenil! Conduzido por dois amigos de biografias tão exitosas quanto a do ator, chegou-se nas perguntas à seguinte constatação: que importância o teatro tem na vida escolar! Geraldo Pierotti, empresário de escol e compositor prolífico de sambas antológicos, já diz por si da vantagem de ser criativo em várias frentes. Já o bravo lutador das lides jurídicas, o desembargador Vladimir Passos de Freitas, que chegou aos píncaros da magistratura, é prova de quanto o interesse artístico, humano na sua integralidade, acresce à visão holística do Direito. Geraldo foi o primeira ‘escada’ do futuro ator Nuno, o parceiro de leituras dramáticas e poemas épicos no Grêmio Literário do centenário Colégio Santista. Literatura e teatro são irmãos siameses, seria até pleonasmo repetir que o teatro é fruto direto da poesia e musica encenadas. Assim como a pedagogia e o teatro saíram univitelinos de Platão e Aristóteles. Que surpresa vinda de Vladimir, evocando dado precioso: em Portugal, no curso para juízes e promotores, estão incluídas aulas de teatro! O teatro é a arte mais transversal, gregária, poesia no coletivo capaz de dar desenvolvimento emocional, cognitivo, agilidade comportamental como nenhuma outra disciplina. Só em Santos, três nomes nacionais saíram dos anfiteatros ginasianos: Ney Latorraca e Beth Mendes, do Canadá, e Nuno, do Santista. Sei da vantagem de importantes colégios particulares em adotar o teatro em sua grade de ensino, aliás nada mais fora da grade e pensar fora dela que o palco! Afastar do celular bestializante? Leve teatro à escola! Combater a epidemia de déficit de atenção na geração Z? Incorpore Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado! Fazer tomar gosto pela literatura? Fomente Romeu e Julieta, antídoto que não falha para fascinar adolescentes travados por algoritmos. Nem todo mundo será um Nuno, mas germinam melhores em suas áreas de atuação pela passagem do chão sagrado da interpretação, desse ir além de si e ser muitos na vida. Maior educador vivo e atuante aos 103 anos, Edgar Morin não pode estar errado ao dizer que um economista que seja só economista não pode ser melhor que outro com interesse além dos números. Somos seres de complexidade e nada esteriliza mais do que a especialidade. Empresas adotam teatro! Por que as escolas públicas não proporcionam teatro e música mais que a ordem unida de preparar espíritos tão somente para a selva do mercado? *Escritor, membro das Academias de Letras de Santos e Praia Grande e curador da Casa das Culturas de Santos