[[legacy_image_286539]] A esquerda, de maneira geral, não trata o tema da segurança como deveria. Não há propostas de ações e políticas voltadas ao policiamento, ao enfrentamento do crime organizado ou à defesa da população ameaçada por bandidos de todos os tipos. Prevalece o discurso das “causas sociais”, consideradas responsáveis pela insegurança generalizada. Ou seja, para enfrentar o crime seria necessário (e suficiente) garantir saúde, educação, emprego e renda a todos. Não há dúvida de que os altos níveis de violência têm relação com a pobreza e a desigualdade. Basta olhar países desenvolvidos na Europa, como na Escandinávia, onde os padrões de vida são melhores para todos, para notar que lá os índices de criminalidade são baixíssimos. Estamos muito longe desse padrão – e é preciso avançar muito nesse sentido – mas não se pode negligenciar a realidade da violência urbana que assola o País. A direita, por sua vez, muitas vezes se limita a defender a repressão. Mais polícia - quanto mais violenta melhor – e também mais presídios, legislação mais dura, pena de morte ou, pelo menos, prisão perpétua. É evidente que isso não resolve nada: transforma cidades em espaços de conflito permanente entre a polícia e o crime, trazendo saldo de mortos que atinge, infelizmente, a população inocente. Polícia merece atenção e respeito. Ela existe em todos os países do mundo, e cumpre importante papel para garantir a integridade e proteger as pessoas. Ela deve ter recursos, equipamentos e inteligência para agir contra o crime, e principalmente agir de maneira preventiva para identificar aqueles que ameaçam a população e se organizam para perpetrar crimes, sejam eles quais forem. Desde o final de julho, a Baixada Santista vive sob a Operação Escudo, deflagrada um dia após a morte de um PM da Rota em Guarujá. Há muito a apurar, mas alguns dados saltam aos olhos. Afinal, por que a tal operação só foi iniciada após o assassinato do policial? E o balanço é forte: 16 mortos até aqui, segundo dados oficiais, o que representa a ação mais letal da polícia paulista desde os crimes de maio de 2006. E há denúncias de excessos: segundo o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Cláudio Silva, que esteve em Guarujá na última semana, o clima era de terror. Suas palavras são claras: “As pessoas estão aterrorizadas, amedrontadas, sem coragem de se manifestar publicamente sobre o que está acontecendo”. Há relatos de excessos que precisam ser investigados. Não se combate a violência com mais violência e arbitrariedade, nem podem ser toleradas ações que configuram retaliação e vingança. A morte de policiais deve ser lamentada profundamente, e exigir respostas para que os responsáveis sejam identificados e punidos. Isso não justifica, porém, a exaltação da violência repressiva, à moda do velho bordão “bandido bom é bandido morto”. Precisamos agir com determinação contra a violência, mas de modo inteligente, eficaz e civilizado. Instaurar a lei de Talião, ou o combate aberto contra o crime em nossas cidades, só fará piorar tudo. Ao contrário, polícia firme e capaz pode fazer a diferença. E a política precisa se debruçar sobre esse tema, envolvendo todos os poderes e níveis de governo, antes que a barbárie tome conta das cidades e regiões brasileiras.