(José Cruz/Agência Brasil) O Brasil está vivendo uma das maiores transformações fiscais da sua história. A reforma tributária, aprovada em 2023 e agora regulamentada, promete simplificar o emaranhado de impostos que sempre dificultou a vida de empresas e cidadãos. O que antes era um labirinto de siglas e obrigações passará a ser um modelo mais direto, baseado em dois tributos principais, o IBS e a CBS, que substituirão gradualmente ICMS, ISS, PIS e Cofins, enquanto o IPI será mantido apenas de forma residual para proteger a Zona Franca de Manaus. Na prática, o que muda é o modo como o imposto será cobrado e repassado. Em vez de incidir em várias etapas de forma diferente em cada estado ou município, o novo sistema buscará uniformizar regras e permitir que o imposto seja calculado sobre o valor agregado em cada operação. Isso significa menos distorções, menos cumulatividade e mais previsibilidade para quem empreende. Para o empresário, essa mudança representa uma oportunidade de reorganizar processos internos e adotar uma contabilidade mais estratégica. A tecnologia passará a ter papel central, já que a emissão de notas, o controle de créditos e a apuração de impostos exigirão sistemas atualizados e integrados. Quem ainda lida com processos manuais precisará se modernizar, pois o fisco também estará mais digital e automatizado. Outro ponto importante é o impacto sobre micro e pequenas empresas. Embora o Simples Nacional continue existindo, a relação entre o novo sistema e os tributos simplificados exigirá atenção redobrada. O enquadramento correto e a atualização cadastral serão fundamentais para evitar divergências e garantir o aproveitamento de benefícios fiscais. A reforma tributária não deve ser vista apenas como uma mudança de leis, mas como uma mudança de mentalidade. O país está caminhando para um modelo mais transparente, em que o contribuinte saberá exatamente quanto paga e o governo terá mais controle sobre arrecadação e destino dos recursos. Isso exige das empresas um comportamento igualmente ético e profissional, com foco em planejamento, compliance e responsabilidade fiscal. Por outro lado, o cidadão comum também será impactado. Os preços poderão refletir de forma mais clara o peso dos tributos e, a médio prazo, espera-se que o sistema incentive a competitividade e reduza desigualdades regionais. No entanto, esse resultado dependerá da capacidade de adaptação de todos os agentes econômicos e da eficiência com que os governos aplicarão os novos recursos. Preparar-se é a chave. Empresas que investirem em informação, tecnologia e boa contabilidade estarão prontas para aproveitar o novo cenário. A reforma tributária é inevitável, mas seus efeitos dependerão da forma como cada um decide se adaptar. *Marcelo Rocha. Contador, empresário, mestre em administração, educação e comunicação