Escrevo estas linhas diante do envelhecimento de meus pais. Ela fará 85 anos em 24 de outubro. Ele tem 87. Também me inspirou o artigo do filósofo, radialista e jornalista Gregório José, nesta A Tribuna, em 7 de outubro, intitulado “A velhice como tragédia e espetáculo”. O que mais chamou minha atenção foi o confronto do articulista sobre a velhice na Europa, África e América Latina, especialmente a frase “onde há estado forte, vive-se mais”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A frase e a idade de meus pais me levam a refletir mais intensamente sobre a proposta de reforma administrativa em tramitação no Congresso Nacional. Seu principal objetivo é desmantelar o serviço e extinguir o servidor público. Ao enfraquecer as políticas públicas, com base na absurda tese do estado mínimo, dificultará mais ainda a vida futura de uma gigantesca parcela da população, cerca de 80%, que já precisa do estado para viver em razão do enorme problema que é a concentração de renda. Apesar de todas as demonstrações contrárias à propaganda de que o estado está falido, de que é obstáculo ao desenvolvimento, as elites financeira, agrária, comercial e industrial insistem em bater nessa tecla. Interessante que essas quatro burguesias usaram, usam e querem continuar usando o estado como seu trampolim econômico. Desinformam grosseiramente a opinião pública para culpar o estado e o servidor pelos descalabros do sistema. A verdade é que não há crescimento sem políticas públicas. E elas não existem sem servidores bem remunerados, com planos de carreiras e independência. A proposta de reforma administrativa é inaceitável. Isso não é reforma. É deformação do estado. Como bem ponderou o articulista, somente um estado forte melhora a vida dos mais velhos. Não à reforma. E atenção à velhice. Zoel Garcia Siqueira é professor, formado em Sociologia e presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Guarujá (Sindserv).