(Joédson Alves/Agência Brasil) Imagine um país onde quase metade da população adulta tem o nome sujo. Não precisa imaginar muito: esse país é o Brasil. Os números mais recentes da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que 41,5% dos brasileiros estavam inadimplentes em fevereiro de 2025. São mais de 68 milhões de pessoas com contas em atraso. É gente que não consegue pagar as contas, mas que continua precisando comer, morar e viver. A inadimplência cresce, os juros sobem e o dinheiro algum. Para piorar, a inflação dos alimentos engole boa parte da renda das famílias. E o que sobra? Dívidas, claro. O brasileiro médio deve R\$ 4.650,21 e, pasme, deve para mais de duas empresas diferentes. O que isso significa? Que a corda está esticada há tempos e parece prestes a romper. Os bancos lideram a lista dos credores. Mais de 66% das dívidas são com instituições financeiras. Aquele empréstimo no desespero, o cartão de crédito parcelado até onde dá, o rotativo que virou uma bola de neve. Mas, veja bem, isso não significa que o brasileiro seja um gastador descontrolado. Longe disso. A maioria das dívidas é de até R\$ 1.000, um indicativo de que muita gente está devendo no básico. O maior número de inadimplentes está entre os 30 e 39 anos. Metade dessa faixa etária está no vermelho. São pessoas em idade produtiva, que sustentam filhos, pagam aluguel e lutam para não afundar. Se o sistema fosse justo, essa gente estaria acumulando patrimônio, investindo em educação e tendo um futuro mais seguro. Mas, no Brasil, o jogo é outro. O resultado desse caos? Uma economia travada, onde o consumidor perde poder de compra, o comércio perde vendas e o país perde crescimento. O efeito dominado é resultado. Sem dinheiro circulando, as empresas também sofrem e cortam empregos. O desemprego cresce e, com ele, a inadimplência aumenta ainda mais. Um ciclo vicioso e difícil de quebrar. E há solução? Sim, mas não é simples. Educação financeira é fundamental, mas ela não resolve sozinha. As pessoas precisam de renda. Precisam de um sistema bancário menos predatório, de juros mais baixos e de um governo que crie políticas eficazes de renegociação. De tempos em tempos, aparecem programas que aliviam a pressão momentaneamente, mas nada que mude estruturalmente o problema. Vamos combinar desta maneira, seguiremos como um país onde milhões de pessoas estão à mercê das dívidas, onde o custo de viver pesa cada vez mais, e onde o sonho de uma vida financeira estável parece cada vez mais distante. *Gregório José. Jornalista, radialista e filósofo