Meio ambiente

Santiago Gonzalez Arias. Arquiteto e Urbanista, membro da Academia Santista de Letras

Por: Santiago Gonzalez Arias  -  15/05/24  -  06:34
  Foto: FreePik

Não cogito ostentar o título de expert no assunto meio ambiente. Sou apenas alguém atento aos fatos, consciente e reflexivo sobre o legado que estamos deixando para um futuro não muito distante. E, principalmente, preocupado quanto à dúvida, se esse porvir poderá nos acolher… tal como a espécie que somos hoje, quero dizer.


Abordarei o tema sob uma perspectiva pessoal, mas também considerando o assunto mediante a ótica da ciência. Nesta abordagem, confiro maior importância à preservação do homem, pois apesar de nossa negligência e descaso com o meio ambiente, é improvável que comprometamos a natureza de maneira irreversível (explicarei a seguir).


No entanto, o mesmo não pode ser dito sobre nossa espécie, caso continuemos com este padrão destrutivo imposto pela inconsciência. Se persistirmos nesse rumo, eventualmente o meio ambiente alcançará um ponto onde o modo de vida como o conhecemos hoje se tornará inviável.


As mudanças climáticas resultantes de nossos resíduos, desperdícios, exploração de recursos naturais, desmatamento e ações irresponsáveis e criminosas, como as queimadas, são apenas algumas das graves e alarmantes consequências pelas quais somos os únicos responsáveis.


Indubitavelmente, devemos nos inquietar com o desaparecimento das florestas e com a degradação dos oceanos — essenciais na regulação da temperatura do “nosso” planeta e na produção de oxigênio pelas algas marinhas. “Nosso”? Quanta arrogância! Apresentamos continuamente provas de que não passamos de péssimos e descuidados posseiros.


Indiscutivelmente, a preservação do meio ambiente é fundamental para a qualidade de vida das gerações futuras. E quando nos referimos ao porvir, não estamos aludindo a séculos e mais séculos adiante. Esse futuro alarmante previsto pela ciência não está tão distante quanto muitos imaginam.


A história comprova que a natureza é resiliente e poderosa, uma autêntica sobrevivente. Ela pode parecer passiva e frágil, mas essa percepção é um engano. Não, ela não é frágil. Eu a designaria como um “ente” paciente e experiente, testemunha de incontáveis ciclos de transformação do planeta.


Pode soar estranho, mas para compreender o poder da natureza, basta um olhar para o passado, quando da formação deste meio ambiente que hoje nos rodeia e contém. Para tanto, pensemos em todos os processos traumáticos sofridos pela crosta do planeta, habitat da natureza: o movimento contínuo das placas tectônicas, terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas catastróficas, incêndios colossais, inundações épicas etc. E sabem o que aconteceu com a natureza? Em um primeiro momento, foi devastada. Mas, uma vez estabilizados esses processos cataclísmicos por longos períodos, ela se regenerou e ressurgiu bela e adaptada ao novo cenário.


É amplamente conhecido como os dinossauros foram extintos. Eles, ao contrário de nós (caso ocorra conosco), não foram responsáveis pelo próprio fim. A teoria mais aceita sugere que a sua extinção foi causada pela queda de um asteroide na Península de Yucatán, no México, que gerou uma vasta nuvem de resíduos bloqueando o sol, desencadeando um inverno global. Essa catástrofe ambiental causou danos gravíssimos ao impedir a fotossíntese e causar a acidificação dos oceanos. Mas. como sempre, concluído o evento, a natureza renasceu exuberante e adaptada ao novo ambiente.


Chegaremos a enfrentar um destino semelhante ao dos dinossauros? Naturalmente, não provocado (espero) por um asteroide vindo do espaço, mas por nossa insensibilidade, ignorância, insensatez e, sobretudo, ganância.


A história nos ensina que, não importa o quanto negligenciemos o meio ambiente, a natureza encontrará uma forma de se regenerar. Essa regeneração terá início quando a nossa espécie estiver extinta ou quase extinta. Torço para tomarmos juízo e que a tragédia vislumbrada não se torne uma realidade futura a ser estudada e comentada por uma “nova espécie” … De humanos? Ficção?


Tudo sobre:
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
Ver mais deste colunista
Logo A Tribuna
Newsletter