(Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil) Congresso Em artigo no Jornal de Brasília, o jornalista Armando Cardoso relembrou sua trajetória acompanhando diariamente, por quase duas décadas, o Congresso Nacional. Ele afirmou: “Difícil, mas nada tão tenebroso e vergonhoso como hoje”. Os tentáculos nocivos alcançaram deputados federais e senadores, preocupados exclusivamente com o próprio bolso, salvo raras exceções. De forma geral, eles agem de modo a impedir o governo de governar para os mais necessitados e deixam clara nossa incompetência na hora de votar. Agora, pagamos o preço pelas falsas celebridades eleitas que nos tratam como gados até a futura eleição. Juan Manuel Villarnobo Filho - Santos Como será o amanhã? Em 1992, vimos um castelo recém-construído desmoronar diante dos olhos do País. As cores da juventude pintaram as ruas e revelaram que a força coletiva pode estremecer muralhas. Duas décadas depois, novo abalo: contabilidade criativa, pacto rompido e os alicerces cederam. A Justiça deixou de ser balança e empunhou a espada. Mais tarde, descobrimos que parte daquela construção estava erguida sobre solo instável, revelando que até a pedra pode esconder rachaduras invisíveis. No presente em ebulição, não se trata mais de rachadura ou falha contábil. É o fogo ateado contra o próprio edifício. Se não reforçarmos nossas colunas com ética, responsabilidade e vigilância, continuaremos a erguer palácios condenados a virar ruínas. O Brasil não precisa repetir esse ciclo. É tempo de decidir: seremos os construtores de muralhas sólidas, firmadas em princípios, ou artesãos de castelos de areia, moldados pelo vento das circunstâncias? Jorge Fernandes - Santos Daniel Feijoada A história de Daniel Feijoada, tido pelos especialistas como dos maiores nomes do samba de Santos, está sendo recuperada em uma série de documentários do projeto Santos Carnaval. A série revela, entre outros pontos, a perseguição que o Maioral do Samba sofreu na ditadura, fato que merece luz em tempos em que há gente defendendo anistia para execução de tentativa de golpe. Dada a relevância do personagem, a Prefeitura bem que poderia prestar algum tipo de homenagem a Daniel Feijoada, na Vila Hayden, onde nasceu, ou na Praça José Bonifácio, onde se destacou nos desfiles de blocos e ranchos. Wagner de Alcântara Aragão - Santos A história cobra Bolsonaro sempre recorreu a discursos machistas para desvalorizar as mulheres. Disse que elas deveriam ganhar menos que os homens e chegou a chamar o nascimento de sua filha de uma “fraquejada”. Ironia do destino: foi justamente uma mulher, a ministra Cármen Lúcia, quem teve papel decisivo no julgamento que o condenou no Supremo Tribunal Federal. A história cobra. Gilberto Pereira Tiriba - Santos Justiça social Benefícios sociais são colocados como vilões, mas não vejo críticas aos privilégios de poucos. Há enorme potencial de aumentarmos a arrecadação tributária no País se taxarmos os super-ricos; proibirmos os penduricalhos usados para ultrapassar o limite salarial de cargos públicos, vinculando tais cargos ao salário mínimo, com valor e reajustes iguais aos do INSS; encerrarmos as emendas parlamentares impositivas e limitarmos o valor das emendas à porcentagem do PIB do ano anterior; acabarmos com o foro privilegiado, exceto para presidentes da República, do Senado e da Câmara Federal; proibirmos a indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente da República e adotarmos eleição para o cargo a partir de lista tríplice obtida em votação nacional na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Não são muitas sugestões, mas atingem diretamente quem tem poder para resistir a elas, bem diferente da população brasileira, que sustenta o sistema e não tem voz ativa após votar. Quando foi mesmo o último plebiscito? Rubem Silva - Santos