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Sábado

20 de Julho de 2019

Tenente Coimbra

Matheus Coimbra Martins de Aguiar é 1º Tenente do Exército Brasileiro. É formado em Administração de Empresas. Também possui formação em Política e Estratégia, na Escola Superior de Guerra (ADESG). Foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Liberal (PSL), com 24.109 votos, nas eleições de 2018

Semana do enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes

Em 1973, no Espírito Santo, um crime bárbaro e cruel chocou o Brasil: o assassinato da menina Araceli, de oito anos

O último dia 18 de maio, para muitos, foi apenas mais um sábado de um fim de semana entre familiares e amigos, porém, seu significado, ainda que desconhecido por grande parte da população, é de extrema relevância. Nesse dia, em 1973, no Espírito Santo, um crime bárbaro e cruel chocou o Brasil: o assassinato da menina Araceli, de oito anos. Seu desfecho escandaloso tornou-se um símbolo de toda violência que se comete contra crianças e adolescentes. Por causa desse crime, instituiu-se, no ano 2000, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Araceli Cabrera Crespo foi sequestrada em 18 de maio de 1973. Ela foi drogada, espancada, estuprada e morta. Os acusados, Paulo Helal, Dante de Barros Michelini (o Dantinho) e Dante de Brito Michelini (pai de Dantinho), eram membros de tradicionais famílias capixabas. Paulo e Dantinho eram conhecidos pelas festas que promoviam em seus apartamentos e em um lugar, na Praia de Canto, chamado Jardim dos Anjos. Também era conhecida a atração que nutriam por drogar e violentar meninas durante as festas.

O caso foi tomando espaço na mídia, mas, mesmo com o trágico aparecimento do corpo de Araceli, desfigurado por ácido, em uma movimentada rua da cidade de Vitória (ES), poucos foram capazes de denunciar o acontecido. O silêncio da sociedade capixaba acabaria por decretar a impunidade dos criminosos.

“O caso Araceli ocorreu em 1973, e ainda hoje o medo perdura e o silêncio é muito presente nas vítimas. O abuso é um crime silencioso e, em sua maioria, ocorre em casa. Devemos ficar alertas aos sinais e denunciar qualquer indício de suspeita“, comenta Natália Nogueira, coordenadora da CEVISS (Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil de Santos).

Em 2018, as denúncias relacionadas à violência sexual envolvendo crianças e adolescentes recebidas pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) chegaram a mais de 17 mil. Dentre elas, 13,4 mil foram de abuso sexual, e outras 3,6 mil envolviam exploração sexual, prática que compreende algum ganho financeiro do autor.

Os estados com maiores índices de reclamações foram o Distrito Federal, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Amazonas. Só nos primeiros quatro meses deste ano, já foram registradas 4,7 mil denúncias (recebidas pelo Disque 100, sistema de atendimento telefônico para recebimento de violações de diversos temas).

Em Santos, foram 80 notificações de violência sexual – em 85% delas, a vítima era menina – segundo o CEVISS. “Muitos casos não são notificados, fora os que nem chegam ao conhecimento. Nesta semana, ocorreram vários eventos em prol da prevenção e conscientização contra esse tipo de crime, porém, a prevenção é uma ação contínua, que deve ser feita o ano inteiro”, completa Natália.

Para a conselheira tutelar de Santos Bianca Aguiar, “a semana de enfrentamento à violência sexual é de suma importância para a sociedade se conscientizar da necessidade da prevenção. 88% dos abusos são realizados dentro de casa, e 78% em meninas abaixo dos 14 anos. Temos que desconstruir a ideia de que o abuso sexual é apenas o estupro. Infelizmente, como a grande parte dos abusos é cometida dentro dos lares e por pessoas de confiança, muitas crianças/adolescentes demoram a entender que estão sendo abusadas. Uma violência velada. É dever de toda a sociedade ficar atenta aos sinais. Na suspeita ou ameaça, não seja conivente, denuncie!”.

A violência sexual contra crianças e adolescentes é um crime repugnante, repulsivo, que causa revolta. A união da sociedade civil com o Poder Público é fundamental para coibir e extinguir essa barbaridade que ainda permeia o cotidiano. Não hesite em denunciar.

COMO DENUNCIAR:

Procure o Conselho Tutelar de sua região, delegacia especializada em crimes contra crianças ou adolescente ou uma delegacia comum.

Disque 100 ou ligue 180.

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