Tenente Coimbra

Matheus Coimbra Martins de Aguiar é 1º Tenente do Exército Brasileiro. É formado em Administração de Empresas. Também possui formação em Política e Estratégia, na Escola Superior de Guerra (ADESG). Foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Liberal (PSL), com 24.109 votos, nas eleições de 2018.

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O Brasil está atrasado na vacinação?

Precisamos lembrar que o Brasil tem dimensões continentais, o que aumenta a logística e o tempo necessário para imunizar toda a população

Neste momento de pandemia, um tema que gera cada vez mais repercussão é a vacinação. Muitos críticos do Governo Federal dizem que o Brasil está atrasado em relação a outros países, mas, para além de um pensamento meramente ideológico, será que realmente estamos tão atrás assim?

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Primeiramente, precisamos lembrar que o Brasil tem dimensões continentais, o que já aumenta por si só a logística e o tempo necessário para imunizar toda a população, quando comparamos a países menores.

De acordo com dados do projeto “Our World in Data”, da Universidade de Oxford, o Brasil ocupa o quinto lugar em quantidade de doses de vacinas administradas contra a covid-19. Estamos atrás apenas dos Estados Unidos, China, Índia e Reino Unido. Todos esses, porém, têm empresas produtoras de imunizantes instaladas em seus territórios. 

Se pensarmos na proporção entre quantidade de doses aplicadas e tamanho da população, ainda estamos à frente dos chineses e indianos.

Os críticos citam, então, o caso de Israel, que tem o maior percentual de vacinados do mundo, mas esquecem que o país tem uma população de quase 9 milhões, número de pessoas bem inferior ao que temos somente na cidade de São Paulo, por exemplo, que tem mais de 12 milhões de habitantes. Não é adequada a comparação. 

Além disso, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa realizado neste domingo, o Brasil já aplicou 13.284.709 doses em todo o país, ou seja, vacinou mais do que a população inteira de Israel.

Realmente, aconteceram falhas aqui no Brasil relacionadas à aquisição de imunizantes, como o acordo que não houve com a Pfizer no ano passado e que poderia trazer ainda mais doses ao país, mas dizer que estamos atrasados em relação ao resto do mundo é apenas um discurso que demonstra parcialidade e superficialidade na análise de dados.

Neste momento de dificuldade, em que vivemos novamente uma escalada da doença, a vacinação é ainda mais importante e, mesmo com todas as dificuldades, o Governo está fazendo a sua parte para não deixar a população desprotegida.

Destaco ainda que a responsabilidade de adquirir vacinas é dos governos federal e estaduais. Não defendo a flexibilização da aquisição de doses para municípios e empresas, pois geraria somente desorganização e uma corrida pelas vacinas, fazendo o seu preço aumentar.

O momento é de cautela, apoio e união para evitarmos a propagação da doença e mais mortes pelo vírus. A vacinação tem grande responsabilidade neste combate e o número de doses aplicadas diariamente continuará crescendo. 

Debates rasos sobre os números não auxiliam em nada e somente demonstram irresponsabilidade. Muitas pessoas não têm acesso a todos os dados e acabam sendo “desinformadas” em um período que, mais do que nunca, a informação salva vidas.

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