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Sábado

19 de Outubro de 2019

Tenente Coimbra

Matheus Coimbra Martins de Aguiar é 1º Tenente do Exército Brasileiro. É formado em Administração de Empresas. Também possui formação em Política e Estratégia, na Escola Superior de Guerra (ADESG). Foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Liberal (PSL), com 24.109 votos, nas eleições de 2018

Não podemos usar dinheiro público para financiar a velha política

R$ 1,8 bilhão vão ter que ser disponibilizados para o Fundo Eleitoral, que é usado no financiamento das campanhas de candidatos a cargos públicos

Com R$ 1,8 bilhão, o Governo pode construir 72 hospitais, 120 escolas ou 60 presídios. Em um momento de crise como o que vivemos, é um recurso que não pode ser desprezado. Mas essa quantidade toda de dinheiro vai ter que ser disponibilizada para o Fundo Eleitoral, que é usado no financiamento das campanhas de candidatos a cargos públicos. 

Como se não bastasse isso, congressistas articulam o aumento do fundo para 2020. E corremos o risco de ter que destinar ainda mais dinheiro público para adeptos da velha forma de fazer política usarem em suas campanhas. 

Beira o absurdo deixar de atender a tantas necessidades do povo brasileiro para financiar campanhas políticas. Há uma cultura equivocada de que fazer campanha no Brasil requer rios de dinheiro. Assistimos, historicamente, políticos profissionais construírem uma imagem com base em marketing e dinheiro para se apresentar de forma viável ao eleitor. E vimos, na maioria dos casos, essas imagens se desfazerem no ar com suas atitudes à frente dos cargos que ocuparam. 

Os tempos são outros. As redes sociais democratizaram o acesso à informação e facilitaram a disseminação de ideias. E é justamente aí que boa parte dos candidatos esbarra. Quando não se tem conteúdo, projetos e ideias para melhorar a vida da população, há de se recorrer ao dinheiro para construir imagens usando os mais caros marqueteiros do mercado. E usar dinheiro do povo para financiar essa prática chega a ser ofensivo. 

Nossa campanha é uma prova de que não é o dinheiro que faz a diferença. Gastamos muito menos do teto imposto por lei e fomos eleitos com 24.109 mil votos. 

E depois de eleito, mantenho o mesmo cuidado com o uso do dinheiro público. Sou um dos deputados que menos usa a verba de gabinete da Assembleia Legislativa de São Paulo. Em cinco meses, economizei cerca de R$ 150 mil da verba pública disponível para os gabinetes, e a projeção é de chegar ao fim do mandato com uma economia de R$ 2 milhões.

Usamos as redes sociais para expor projetos, ideias e propostas de atuação. E fomos para as ruas com uma equipe reduzida para falar e discutir ideias, ouvir suas necessidades e apresentar nossas propostas. Construímos uma campanha com parceiros de ideias e valores, não com profissionais da política.

O limite de gastos imposto pelo Tribunal Superior Eleitoral para uma campanha a deputado estadual é de R$ 1 milhão. Gastamos cerca de 3% desse valor e saímos vitoriosos. É possível, sim, fazer campanhas modestas em gastos, mas ricas do ponto de vista das ideias. Basta ter projeto e basta tratar o eleitor com respeito e honestidade. Eu encampo essa luta. E você?

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