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Sábado

15 de Agosto de 2020

Rosana Valle

É deputada federal (PSB/SP), jornalista e escritora. Foi repórter da TV Tribuna por 25 anos e por 18 apresentadora e editora do programa Rota do Sol. Já fez reportagens em mais de 30 países e é autora de dois livros sobre o turismo regional e internacional. Rosana iniciou seu mandato em 2019 e é membro titular das Comissões de Viação e Transportes e Direito das Mulheres

Teimosamente santista!

Cidade de Santos comemora, neste domingo (26), 474 anos

Sou santista de nascimento, alma e coração!

Nasci no Marapé e passei a infância e a adolescência no BNH da Aparecida.

Cresci falando “tu” em vez de você, e tirei foto no leão da Praia do Gonzaga.

Peço média na padaria, e faço do mar o meu quintal.

Em Santos, posso fechar os olhos e me reconhecer em cada esquina.

Quando me tornei jornalista, passei 25 anos trabalhando em todos os lugares da minha cidade.

Não existe rua, bairro, morro ou comunidade que eu não conheça.

Compartilhei momentos tristes e histórias alegres com milhares de moradores.

Pensei em todas essas coisas quando sentei para escrever este texto sobre o aniversário de Santos.

Quando comecei a teclar, fui levada por recordações do início da minha adolescência. 

Bateu uma vontade imensa de rever as publicações da maior cronista urbana que Santos já teve. A jornalista Lydia Federeci, que conheci em minhas primeiras leituras nas páginas do Jornal A Tribuna.

Lydia nasceu em 1919, em São Paulo, e adotou Santos até sua morte em 1994.

Durante mais de 30 anos, Lydia Federici escreveu diariamente a coluna “Gente e Coisas da Cidade”.

Textos que despertaram em mim o gosto pela palavra e pela leitura. 

Por isso, fui rever alguns textos antigos sobre Santos, escritos por ela na década de 60. Uma delícia de ler!

Um deles me pareceu muito atual.

Peço licença, e compartilho com vocês um trecho da crônica “Tão santista!” escrita em setembro de 1962.

“Santos mudou. Muda a cada dia que passa.

A vida, aqui, já não é simples. Nem sossegada.
 
As casas não têm mais jardins. Em cujos gramados, de papo para o ar, a gente ficava vendo as estrelas a deslizar no céu.

Não há mais silêncio para ouvir o canto do mar. 

Crianças não brincam de roda. Nem cantam a cirandinha.

Os relógios de hoje marcam até os segundos de nossas obrigações.

O vizinho de hoje, não é o amigo de amanhã. Continuará a ser alguém que mal cumprimentamos. Cujo nome desconhecemos.

Como pudemos mudar tanto? 

Ora, o mundo todo mudou. Toda a humanidade mudou.

Por que haveria este canto de terra, com sua gente de ser exceção?”

Encerro esta lembrança rara com outro texto escrito em 26 de janeiro de 1963, “A Santos aniversariante”.

“Vivemos o dia de hoje. Mas confiamos no dia de amanhã. 

Esse amanhã trará a solução para os nossos problemas. 

Se não para os nossos, para os de nossos filhos.

Portanto, cidade querida, não te preocupes com o que nos falta.

Veste o teu mais bonito vestido de sol.

Vai receber com alegria, a homenagem de todos os santistas.

Um belo, grande, maravilhoso dia de festa, é o que desejamos”.

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