EDIÇÃO DIGITAL

Quarta-feira

18 de Setembro de 2019

Rosana Valle

É deputada federal (PSB/SP), jornalista e escritora. Foi repórter da TV Tribuna por 25 anos e por 18 apresentadora e editora do programa Rota do Sol. Já fez reportagens em mais de 30 países e é autora de dois livros sobre o turismo regional e internacional. Rosana iniciou seu mandato em 2019 e é membro titular das Comissões de Viação e Transportes e Direito das Mulheres

O Porto e o dinheiro que vai e não volta!

O que deixa a gente inconformada é que todo dinheiro está indo embora da região, uma vez que é enviado para os cofres da União

Nos últimos dias, o Governo Federal arrecadou quase R$ 150 milhões em outorgas com o leilão de três terminais no Porto de Santos.

São áreas destinadas à movimentação e à armazenagem de granéis sólidos minerais, como fertilizantes e sais, além de locais destinados a líquidos, como produtos químicos e derivados de petróleo.

É uma ótima notícia para a economia da região, pois vai gerar novos empregos e negócios.

O que deixa a gente inconformada é que todo esse dinheiro está indo embora da cidade e da região, uma vez que é enviado para os cofres da União.

Uma vez lá, o dinheiro arrecadado com os leilões é direcionado para programas diversos em outras regiões do país.

Acredito que parte desse dinheiro deveria ficar na região, para que a Codesp realizasse investimentos em infraestrutura nas áreas próximas de porto e retroporto.

No entanto, os municípios portuários e seus moradores convivem com os congestionamentos dos caminhões, com as travessias das balsas paradas pelo movimento dos navios, e com as ruas destruídas pelo peso dos caminhões.

O meio ambiente de Santos e das cidades como Guarujá e Cubatão, sofre com a poluição e o mau cheiro dos terminais de granéis.

Além de padecer com os vazamentos de óleo dos navios e com os incêndios em armazéns e instalações portuárias.

Isso não é justo!

Parte do dinheiro que a Codesp arrecadou com os leilões, poderia ficar na empresa e ser utilizada em ações e obras que melhorassem a infraestrutura urbana ao redor das áreas portuárias.

Obras como ponte, túnel, entrada da cidade, pavimentação e ações que tem relação direta com o porto.

No Congresso Nacional tramitam há anos Projetos de Lei (PL) de deputados preocupados com esse assunto. Esses PLs estabelecem que parte do valor de outorgas milionários dos portos fique com as Companhias Docas das cidades portuárias.

Sobre esse assunto, conversei com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e ele garantiu que está empenhado em resolver essa injustiça.

O Ministério da Infraestrutura tem sido um grande parceiro do trabalho em defesa do Porto de Santos. Por isso vamos acreditar, acompanhar e cobrar uma solução para esse problema.

O que não pode, é que esse dinheirão vá embora, e que a Codesp e os municípios fiquem sem recursos que poderiam ser usados para melhorar a infraestrutura portuária e a relação porto-cidade.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.