Roberto Monteiro

Foi repórter das principais rádios de São Paulo: Bandeirantes, Record, Jovem Pan e Gazeta. Nos últimos anos atuou nas maiores emissoras de rádio de Salvador.

TV resgata a memória do futebol

Nossas emissoras de televisão têm apelado aos seus arquivos para cumprir suas grades de programação durante paralisação do futebol

Amigos, mais uma semana estamos aqui para falar sobre o futebol em tempos de quarentena, que não tem previsão para terminar e tampouco para permitir a volta de nossas equipes ao campo mesmo que inicialmente sem a presença de público.

As nossas emissoras de televisão têm apelado aos seus arquivos para cumprir suas grades de programação e as totalmente direcionadas ao esporte acabam assim resgatando memórias incríveis do futebol brasileiro, deixando muito nítido de que mudamos muito e mudamos para pior. Como a Copa do Mundo é o grande evento do futebol, muitos que não puderam apreciar nossas conquistas têm agora a oportunidade de contatar o que estou afirmando.

Basta lembrar que, embora tenhamos brilhado nos campos do Japão e Coréia do Sul em 2002, na conquista do penta com a chamada "Família Scolari" e consagrando nomes como Rivaldo e Ronaldinho Fenômeno, em 1994 - minha última Copa como repórter esportivo - nosso futebol foi pouco além de sofrível com uma convocação cheia de dúvidas que em campo confirmou a falta de maior qualidade de muitos de nossos jogadores.

Não vou entrar em detalhes e muitos nomes, porém, o esquema de Parreira foi todo armado para a manutenção de posse de bola sem preocupação nenhuma com a qualidade do espetáculo e servindo essencialmente a um atacante que resolveu bem em campo mesmo sem a menor disposição para treinamentos e empenho nós trabalhos diários. Resultado é que Los Angeles presenciou a pior final de Copa de Mundo na história, com um zero a zero em 120 minutos e decidida na cobrança de pênaltis.

Vou citar apenas um duelo desta disputa que ficará marcado para sempre em minha memória: Romário e Franco Baresi. O experiente zagueiro italiano vinha a campo depois de uma cirurgia no joelho e mesmo com uma só perna conseguiu anular o nosso oportunista atacante, que praticamente não tocou na bola em todo o tempo de jogo.

O tetra veio de forma sofrida, quando na verdade este título deveria ter vindo muito antes na Copa da Espanha, em 1982, com uma seleção que fascinou a todo mundo pela qualidade de jogo e categoria dos jogadores convocados por Telê Santana, mas naufragou na convicção do treinador em sempre jogar ofensivamente.

Assim, concluo minha linha de raciocínio para lembrar da primeira Copa do Mundo que assisti, aos meus 13 anos de idade, que ficou marcada como a Copa da melhor Seleção Brasileira da história. Um time escalado pelo polêmico Zagallo em meio a tantas pressões externas, mas que reuniu em campo ao menos seis craques fora de série como Carlos Alberto, Clodoaldo, Gerson, Rivellino, Tostão e Pelé. Além de Jairzinho que foi o artilheiro da competição. Grandes jogos, lances históricos, resultados sofridos pela qualidade dos nossos adversários, mas que nos levou a conquista definitiva da Copa Jules Rimet .

Ao menos assim ficou aberta a possibilidade dos mais jovens perceberem porque fomos por muito tempo considerados "o melhor futebol do mundo".

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