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Domingo

25 de Agosto de 2019

Roberto Debski

Roberto Debski mora em Santos, é médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e psicólogo formado pela Universidade Católica de Santos. É especialista em acupuntura e homeopatia pela Associação Médica Brasileira, pós graduado em Atenção Primária à Saúde e tem diversas formações em Práticas Integrativas e Complementares, Meditação, Constelações Familiares Sistêmicas, EMDR e Coaching. Com foco na saúde física, mental e Qualidade de Vida, estimula a mudança no comportamento, no estilo de vida e na consciência, a fim de melhorar os resultados dos tratamentos clínicos, dos relacionamentos interpessoais e do bem estar.

Estresse, aliado ou inimigo?

Quando passamos por uma situação de perigo, como por exemplo uma ameaça de assalto ou um cão feroz correndo em nossa direção, nosso organismo apresenta uma resposta automática, uma série de alterações fisiológicas como aceleração da frequência cardíaca e respiratória, aumento da pressão arterial, liberação de glicogênio do fígado para ser transformado em glicose, dilatação das pupilas, redistribuição da circulação preferencialmente para os músculos e cérebro em detrimento do sistema digestório. 
É a chamada fase aguda ou de alerta do estresse.
O objetivo dessa reação é nos preparar para lidar com a situação emergencial, fugindo ou lutando, a chamada “reação de fuga ou luta” descrita pelo fisiologista Cannon nos idos de 1899 e concluímos que a reação aguda de estresse é importante, fundamental mesmo, para a sobrevivência das espécies ao longo da vida.
Os sintomas fisiológicos e emocionais fazem parte da chamada "Síndrome Geral de Adaptação ao Estresse", pesquisados desde o século passado por Hans Selye, médico e catedrático da Universidade de Montreal, Canadá. 
Ele publicou dezenas de livros e centenas de artigos científicos abordando o estresse, sendo o primeiro importante pesquisador no tema.
O termo Estresse é oriundo da física, referindo-se à carga que um material consegue suportar antes que se quebre, e foi adaptado pela medicina e psicologia para as questões de saúde.
Como o ser humano está sempre em adaptação e mudança, a “carga” física e emocional com a qual conseguimos lidar é variável de acordo com a fase de vida.
Há certamente condições genéticas, educacionais e comportamentais aprendidas, mas também podemos e devemos nos fortalecer física e emocionalmente para aguentar mais, nos capacitar, ampliar nosso vigor físico e nossa resiliência psíquica.
O problema do estresse não acontece na fase aguda, quando resolvemos a questão, ele é autolimitado e se extingue.
Quando os problemas não são solucionados, permanecem e nos afetam continuamente, por exemplo as cobranças, doenças familiares, dificuldades financeiras e de relacionamento, desemprego, problemas emocionais e outros. 
Diante dessas situações, entramos na fase de “resistência” ao estresse, o chamado estresse crônico, que pode ocorrer em todas idades e níveis sociais.
As alterações do estresse crônico acarretam disfunções no sistema imunológico, digestório, alterações no sono, humor, libido, memória e vitalidade, dentre outras.
Se esse quadro não for tratado adequadamente e a tempo, o estresse pode continuar evoluindo até chegar na terceira fase do estresse, a chamada “fase de exaustão”, na qual há falhas nos mecanismos de adaptação devido à grande sobrecarga física e / ou emocional, e podem ser desencadeadas doenças às quais somos predispostos, como hipertensão arterial, diabetes, depressão e outras. 
Não significa que o estresse cause diretamente essas doenças, mas quando nosso organismo se encontra tão sobrecarregado, nossa capacidade de se adaptar às situações e manter a homeostase e saúde se encontram reduzidas, e assim podemos adoecer.
Uma solução desejável para essa situação é procurarmos viver de maneira menos estressante quando possível, (os problemas sempre continuarão a aparecer) e adquirirmos ferramentas para lidarmos de maneira mais saudável com o estresse, ampliarmos nosso repertório de recursos físicos e emocionais, nosso grau de resiliência, e aprendermos assim a lidar com a diversidade de acontecimentos e possibilidades que se apresentam em nossa vida!
Para isso devemos ter um olhar amplo e nos cercarmos de todas possibilidades de tratamento, o que atualmente chamamos de Práticas Integrativas, que associam aos recursos da medicina convencional outras abordagens que atuam no sistema integrado corpo / mente, como a acupuntura, homeopatia, psicoterapia, meditação, alimentação natural, treinamento de habilidades e gerenciamento das emoções, atividade física regular e outras, buscando sempre o autoconhecimento e a ampliação da consciência.
A conquista da saúde e da qualidade de vida dependem muito de nossa consciência e de nossas atitudes, e sempre é tempo de começar. Vamos?
Roberto Debski

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