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Quinta-feira

23 de Maio de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino, Alexandre Fernandes e Bruno Gutierrez. O quarteto traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Teste de fidelidade com Gabigol

Com o atacante agora no Flamengo, a relação dos santistas com seus ídolos será posta à prova outra vez

Quando encerrou suas duas passagens pelo Santos, em 2016 e 2018, Gabriel fez questão de beijar o escudo do clube pintado no gramado da Vila Belmiro. Um gesto de carinho com o Peixe, mas que não passou no teste de fidelidade. Agora, com o atacante defendendo o Flamengo, a relação do torcedor santista com seus ídolos será novamente colocada à prova.

Passar por experiências como essa não é exclusividade dos torcedores do Peixe. Até a semana passada, por exemplo, os cruzeirenses exaltavam Arrascaeta, que forçou a barra para jogar no mesmo Flamengo. Mas é que só neste século os santistas caminharam com certa frequência por essa linha tênue que separa amor e ódio.

Gabriel foi anunciado oficialmente como reforço do Flamengo na última terça-feira (8) (Foto: Reprodução/Instagram)

Robinho deu essa dor de cabeça pelo menos duas vezes. A primeira em 2005, quando fez o mesmo que Arrascaeta. Tentou de todo jeito se transferir para o Real Madrid, inclusive não se apresentando para treinar. Mas como a negociação demorou, ele voltou com o rabo entre as pernas. Já com o filme bem queimado, fez alguns jogos até que a transferência foi finalmente concluída.

O Rei das Pedaladas conseguiu limpar sua barra em 2010, quando, junto com Neymar e Ganso, ajudou o Santos a conquistar o Paulistão e a Copa do Brasil. Mas em 2015, já em sua terceira passagem, o jogador começou a cobrar publicamente do clube o pagamento de direitos de imagem atrasados. 

Isso já deve ter sido suficiente para deixar alguns santistas irritados. Mas certamente o que doeu em muita gente foi quando o atacante, durante uma entrevista coletiva em maio daquele ano, não quis garantir que, no Brasil, só atuaria pelo Santos. Em 2016, ele foi para o Atlético-MG. E foi alvo da fúria de torcedores quando o time vinha à Vila Belmiro.

A relação dos santistas com os já citados Neymar e Ganso também não é para iniciantes. O primeiro entrou em guerra com o Santos, que não gostou de saber do acordo que o atleta havia feito com o Barcelona ainda em 2011, quase dois anos antes da transferência. O caso de Ganso é algo mais trivial. Em 2012, ele vinha sendo criticado por suas atuações e, ao mesmo tempo, travava uma dura negociação para renovar contrato. Chamado de "mercenário", não perdeu tempo quando o São Paulo lhe fez uma oferta milionária.

Se colocarmos na balança as atitudes dos dois, a de Neymar é mais grave. Mas há quem o perdoe. Nas redes sociais, muitos santistas deliram nas poucas vezes em que Neymar demonstra algum carinho pelo Peixe. Não é a mesma coisa com Ganso. Se perguntarmos aos torcedores santistas se gostariam de vê-lo de volta, certamente poucos apoiariam a ideia. É claro que o fato de ele estar em baixa contribui, mas sua ida para um rival parece que ainda não foi digerida.

Voltando aos dias de hoje, claro que muitos torcedores sabiam que seria dificílimo manter Gabigol na Vila. Ele veio em baixa no ano passado, depois de fracassos na Inter de Milão e no Benfica. Precisava daquele "colinho de mãe" do Santos. Chegou a abrir mão de parte do salário para voltar a ser feliz. Começou mal, mas terminou o ano como artilheiro da Copa do Brasil e do Brasileirão.

Agora, em alta, Gabigol achou que era hora de mostrar que vale o quanto pesa. É que talvez muitos santistas imaginavam que ele aceitaria o desafio de tentar desencantar na Europa. É se lembrando daquele beijo no escudo do Santos enquanto o vê jogando pelo Flamengo que o torcedor do Peixe vai se dar conta de como irá encarar Gabriel: o eterno santista e cruel ou do Menino da Vila infiel.

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