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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Suspensão dos jogos é questão de tempo

Mais cedo ou mais tarde algum jogador no Brasil vai testar positivo para o coronavírus

Na contramão da maioria das ligas estrangeiras, o futebol brasileiro optou por não suspender atividades. Na interpretação da CBF, por ora dá para seguir com portões fechados em São Paulo e no Rio de Janeiro e com expediente normal no resto do País. A situação só vai mudar se algum jogador apresentar sintomas e testar positivo para o coronavírus, declarou Moisés Cohen, presidente da Comissão Médica da Federação Paulista de Futebol.

Contudo, dada a gravidade da situação e a facilidade com a qual o vírus se propaga, é questão de tempo até um jogador ficar doente. Afinal, eles são seres humanos como qualquer um de nós, talvez com a vantagem de, nos casos daqueles que atuam por grandes clubes, terem cuidados especiais.

Uma situação excepcional demanda, mais do que nunca, bom senso. Mas não é isso que se percebe nas decisões dos cartolas. Ninguém quer ficar sem o futebol, mas tê-lo pela metade, com estádios vazios e os atletas inseguros por causa da doença, não parece ser a melhor decisão.

Além disso, nos casos em que a presença de público está liberada, será que o comparecimento não vai cair em função daqueles preocupados com uma eventual contaminação?

Entretanto, não é somente aos dirigentes de futebol que o bom senso faz falta. Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, teve a insensatez de dizer que partidas com portões fechados bastariam para enfrentar o problema, pois impediriam a formação de aglomerações. “Mas e os jogadores”, perguntou um repórter. “Aí é com eles”, disse Witzel, tratando os atletas como se fossem objetos descartáveis.

Figura de atitudes discutíveis em suas atribuições do dia a dia, Witzel talvez pense que todo jogador é um Gabigol, que ganha milhões e que, dessa forma, está a salvo dos males que acometem os “mortais”. Nada mais estúpido. Afinal, todo mundo merece respeito consideração, tenha pouco ou muito dinheiro. Quando alguém que deveria agir como estadista toma uma atitude dessas, entende-se por que a intolerância e a ignorância dão o tom dos debates nos dias atuais.

Vou ficar muito feliz se estiver errado e o coronavírus não vier a forçar a paralisação do futebol no Brasil. Os prognósticos, porém, indicam o contrário. Na Itália e na Inglaterra, times como Juventus, Sampdoria, Chelsea e Arsenal já registram jogadores, treinadores e funcionários dos clubes contaminados. Por que aqui, onde os recursos são mais escassos e os dirigentes pensam pequeno, seria diferente?

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