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Sábado

16 de Novembro de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino e Bruno Gutierrez. O trio traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Supercopa dos Campeões da Libertadores é um erro

Conmebol quer inchar mais ainda o calendário com uma competição caça-níquel e sem propósito

A Conmebol já pensa no Mundial de Clubes da Fifa de 2021, que terá um novo formato, com 24 clubes. Com direito a seis vagas para a competição, a confederação responsável pelo futebol sul-americano começou a formular sistemas de classificação para o torneio.

Quatro vagas já estão decididas: campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana (que até então não daria vaga) dos anos 2019 e 2020. Ou seja, dois classificados já saem neste ano.

Para as duas vagas restantes, o senhor Alejandro Domínguez propôs a "genial" ideia de reviver a Supercopa dos Campeões da Libertadores.

A antiga Supercopa João Havalenge foi disputada entre 1988 e 1997. Foi extinta em 1998, com a criação da Copa Mercosul e por ser um torneio, por vezes, mais interessante que a própria Copa Libertadores, uma vez que reunia os campeões do torneio, logo, com um nível maior de disputa.

O primeiro problema é que, claro, essa competição surge numa forma da Conmebol tentar lucrar. Arrecadar mais dinheiro em cima de um torneio caça-níquel e sem necessidade. Era mais fácil colocar os campeões da Copa Libertadores e Sul-Americana de 2018. Mas isso não renderia dólares, venda de direitos de transmissão, patrocínios. E, óbvio, uma competição que reuniria os grandes clubes do continente atrairia esse dinheiro.

Hoje, 25 clubes disputariam o torneio. Desses, 10 seriam do Brasil: Santos, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, São Paulo, Vasco, Palmeiras, Internacional, Corinthians e Atlético-MG. Outros oito, argentinos: Independiente, Racing, Estudiantes, Boca Juniors, Argentinos Juniors, River Plate, Vélez Sarsfield e San Lorenzo.

Ou seja, seria um torneio Brasil-Argentina, com alguns convidados, para arrecadar dinheiro e dar duas vagas para um Mundial de Clubes.

O outro problema - e aí é difícil de acreditar, mas é preciso estar com a CBF nessa, é o calendário. O futebol já é estrangulado pelo grande número de competições domésticas e continentais, além das datas-Fifa e torneios de seleções. A Copa América, por exemplo, foi disputada em 2015, 2016, 2019 e teremos outra em 2020. Nesse meio tempo, tivemos a Copa do Mundo de 2018.

Não podemos esquecer que o Campeonato Brasileiro termina em dezembro. No final de janeiro, o ano do futebol já começa com Supercopa da América (campeão da Libertadores x campeão da Sul-Americana), estaduais, Pré-Libertadores e a 1ª fase da Copa Sul-Americana. A partir de 2021, um Mundial de Clubes no meio do ano. Não há espaço para um torneio novo, ainda mais com a participação dos principais clubes do país.

Se a CBF boicotar o torneio, perde atratividade. Seria dar de mão beijada duas vagas para a Argentina. Não que a Conmebol, onde a AFA (Federação argentina) tem muita influência, ache isso ruim. Mas, para a imagem da Confederação e para lucrar com os itens que já citei, não seria bom.

Sr. Alejandro Domínguez, é hora de repensar esta fórmula. Esqueça essa Supercopa da Libertadores. Os clubes não podem ser escravos do lucro da Conmebol, que nem remunera tão bem assim as suas competições.

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